Câncer de pele passa a ser diagnosticado em tomografia

O método de diagnóstico por imagem é proposto por cientistas de universidade alemã como alternativa à biópsia. Menos invasivo, o exame não apresentou falsos negativos em teste com 20 pacientes

por Vilhena Soares 25/12/2015 10:00

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Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press
A técnica não é igual a uma tomografia convencional (foto) e chama-se tomografia optoacoustic multiespectral (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
A biópsia é o recurso mais utilizado na medicina para detectar se um paciente está com câncer. Devido à necessidade de retirada do tecido que precisa ser analisado, porém, incomoda o paciente e exige presteza de quem realiza o procedimento. Na busca por facilitar essa etapa importante do enfrentamento à doença, cientistas da Alemanha desenvolveram uma técnica menos invasiva e mais eficiente de diagnóstico. Com o auxílio de uma tomografia avançada e que dispensa o uso de radioatividade, eles conseguiram resultados melhores de descoberta do melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele, do que pelo método tradicional. Os autores do trabalho, publicado na revista Science Translational Medicine desta semana, acreditam que a opção se torne uma alternativa mais segura e possa ser usada em outras versões da doença.

A ideia de buscar uma técnica mais avançada surgiu com base em estudos anteriores que utilizaram tomografias computadorizadas com visualização em 3D para identificar tumores. “Em 2014, um trabalho de colegas nossos mostrou que 79,2% dos pacientes com melanoma submetidos a essa análise obtiveram resultados negativos; ou seja, quase 80% deles poderiam ser poupados de cirurgias de biópsia”, destacou ao Correio Joachim Klode, pesquisador da Universidade de Duisburg-Essen (Alemanha).

A técnica usada por Klode e equipe chama-se tomografia optoacoustic multiespectral (MSOT, pela sigla em inglês). Primeiro, o paciente recebe a injeção de um corante fluorescente na região que existe a suspeita de tumor. Logo em seguida, entra no MSOT para a realização do exame. Depois, um detector de MSOT de mão é usado para deixar a análise mais localizada. Ambos os exames são baseados em uma resposta de luz criada pelo corante, que reage ao ser exposto à tomografia.

A tecnologia foi testada em 20 pacientes e nenhum deles apresentou falsos negativos — quando o paciente tem a doença, mas o exame não a acusa. “O corante e o MSOT provaram ser uma excelente abordagem de detecção, eliminando a necessidade de uso de radioatividade. Ainda foram capazes de melhorar a análise patológica, aumentando as taxas de detecção de metástases. Se validada em estudos maiores, essa abordagem poderia aliviar a necessidade de cirurgia invasiva em um número significativo de pacientes”, destacou Klode.

Radioatividade
Eduardo Vissotto, oncologista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro da Associação Brasileira de Oncologia, explica que já são usadas atualmente técnicas semelhantes de diagnóstico, como a linfocintilografia. Segundo o médico, o procedimento também é menos invasivo e funciona de forma parecida, com uma substância injetada na região de suspeita do tumor para que ele possa ser localizado mais facilmente.

“Mas ela utiliza material radioativo, diferentemente dessa técnica nova da Alemanha, o que é uma vantagem, já que esse é um material que pode trazer perigo ao paciente e ao profissional de saúde”, compara. “(O MSOT) é um exame de alta sensibilidade e que não mostrou falsos negativos. Isso auxilia a evitar as cirurgias, um procedimento muito invasivo, mas é claro que precisa ser confirmado em trabalhos maiores”, pondera.

Com os resultados positivos obtidos no primeiro experimento em humanos, os autores da pesquisa adiantam que mais análises são necessárias. “Nossos resultados precisam ser validados em um estudo com pacientes de perfis diferentes e acreditamos que eles também possam ajudar na detecção do carcinoma de células escamosas”, adiantou Klode. Vissoto também acredita que a tecnologia tem chances de aplicação ampliada. “Caso a eficácia seja comprovada em outros experimentos, ajudaria na busca de outros tumores, como o câncer de mama”, opina.

Na terceira idade
É um tumor maligno com origem nas células escamosas, que constituem a maior parte das camadas superiores da pele. Os carcinomas podem ocorrer em todas as partes do corpo, mas costumam se desenvolver em regiões que são expostas ao sol, como braços, pernas, rosto, pescoço e couro cabeludo. É uma enfermidade mais frequente em homens e raras vezes se manifesta antes dos 50 anos. Os diagnósticos começam a surgir após os 70 anos.


Tumor agressivo

O melanoma surge nos melanócitos, que produzem a melanina, substância que determina a cor da pele. Não é o câncer de pele mais comum — representa apenas 4% das neoplasias malignas do órgão —, mas tem alta possibilidade de metástase. Quanto menos o melanoma crescer dentro da pele, maiores as chances de a doença ser curada com a retirada do tumor. Geralmente, os médicos tratam o melanoma extraindo o tumor e 1,5cm da extremidade da pele ao redor dele. A quimioterapia é indicada em casos maiores.

Quando o melanoma se dissemina, porém, é frequentemente mortal. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) contabiliza que, em 2013, 1.559 pessoas morreram em decorrência de complicações da doença, sendo 910 homens e 649 mulheres. A estimativa do órgão é de que, no próximo ano, sejam descobertos no Brasil 5.670 casos, sendo 3.000 em homens e 2.670 em mulheres. O melanoma cutâneo geralmente se desenvolve em áreas que são expostas ao sol— nas mulheres, as pernas são um local frequente; e, nos homens, na região do tronco. Mas pode surgir em outros locais do corpo, como o couro cabeludo e as palmas das mãos.

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