Conheça histórias de quem se dedica à doação sem esperar recompensas

Fazer o bem sem medir esforços é uma atitude altruísta, que deveria ser praticada no dia a dia. Há quem nasça pronto para doar, mas é possível ensinar

por Lilian Monteiro 20/12/2015 10:40

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Passar algumas horas em um asilo. Dar um prato de comida para quem bate à sua porta. Repassar as roupas que não usa. Dedicar um tempo de carinho a crianças doentes. Ser um doador de sangue, de órgãos ou de dinheiro. Emprestar o ouvido a quem precisa falar. A vida se torna mais completa quando indivíduos, empresas, governos e organizações da sociedade civil (ONGs) praticam a doação em favor da dignidade humana e formam cidadãos conscientes da necessidade do outro. É quando todos são movidos pelo desejo da transformação. A missionária Madre Teresa de Calcutá, que dedicou sua vida aos pobres, recebeu o Prêmio Nobel da Paz e foi beatificada pela Igreja Católica, disse que "o importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá".

O fim de ano mexe com as pessoas, os sentimentos ficam aflorados, o desejo de ajudar impulsiona as doações. Toda atitude que enxerga o outro é bem-vinda, mas o ideal seria torná-la uma prática para promover o bem-estar de quem tem carências diárias. Mesmo na crise e sem interrupções.
Jair Amaral/EM/D.A Press
O casal Maria Perpétua de Moura e João Pereira Neto doa comida para moradores de rua há 30 anos (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Na maioria das vezes, quem doa não quer se mostrar. Mas o mundo anda precisando que bons exemplos apareçam, para despertar outros a seguir o mesmo caminho. Hoje, o Bem Viver apresenta histórias inspiradoras. O casal Maria Perpétua de Moura Pereira, de 75 anos, e João Pereira Neto, de 79, companheiros há 53 anos, desde crianças aprenderam com os pais e passaram aos oito filhos um pacto com a vida: praticar a doação. "É nosso dever e deveríamos fazer sempre. Fui ensinada pelos meus pais, lá na roça, no interior de Pará de Minas, e não conheço outra atitude diante da vida."

Em Belo Horizonte, eles sempre tiveram a mesma atitude. No bairro onde mora há 30 anos, o casal doa comida para moradores de rua, com cardápio variado e de qualidade, e café da manhã (pão com manteiga, uma fatia de queijo e café quentinho). "Quem precisa ganha uma muda de roupa, e não mais, já que não podem guardar.” Eles também distribuem latinhas vazias. Sem alarde, quem foi acolhido falou para o outro, que falou para o outro, e assim ocorre há três décadas, 365 dias do ano. "Há quem venha há anos, outros aparecem para agradecer porque encontraram uma casa ou voltaram para a família. Tem gente que some e reaparece. Todos nos encontram aqui.”

MULTIPLICAR O que impressiona Perpétua é que "o valor é tanto, que nunca falta. Deus é tão justo, que o arroz que coloco na panela alimenta todos, os de casa e os que pedem. É a multiplicação, de verdade. Cada um vem num horário e não me importo. Esquento o marmitex e entrego uma comida gostosa. Quando se faz por amor, o retorno é grande. Apesar de toda a dificuldade, cuido sozinha da casa, tenho um filho especial, perdi minha caçula há pouco tempo num acidente de carro, aos 32 anos, e ela me ajudava demais, nunca me faltam carinho e força para fazer com amor e recebê-lo de volta”.

 

Com sabedoria, Perpétua aconselha: "Se decidir fazer o bem, faça-o direito”. O que ela ganha? "Sinto-me feliz, me faz bem. Queria que todos entendessem o valor da doação e a paz que passamos a carregar. O que vale nesta vida é a simplicidade e a humildade no coração”.

Além de Perpétua e João, você vai encontrar outros exemplos de bem-querer ao próximo que podem impactá-lo a agir da mesma maneira. Psicanalistas discutem os significados do ato de doar e um consultor estratégico aponta o que leva as pessoas a praticarem a doação.

 

E você sabia que, desde 2013, no Brasil há uma data nacional com campanha #diadedoar? E que qualquer um pode participar? Anote aí: em 2016, o grande dia será em 29 de novembro e, para saber notícias, basta seguir as mídias sociais. O convite está feito, que tal cada um começar a fazer a sua parte? Pode ser uma promessa para entrar na sua lista de tarefas para o ano que virá.

Voluntários do silêncio

Os benefícios colhidos por quem aprendeu a doar e as lições recebidas ao longo de 20, 35 anos de dedicação. O prazer de ajudar tem retorno imensurável

Paulo Filgueiras/EM/D.A Press
Domingos Alexandre Rodrigues aprendeu a fazer o bem com o pai. Hoje, sua esposa e seus filhos também visitam e ajudam os portadores de hanseníase (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Entre tantas definições nos dicionários, destaco a do dicionário analógico de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo, preciosidade usada ao longo da carreira por Chico Buarque de Holanda, em que doar significa "dádiva, generosidade, lembrança, retorno, obrigação, dom, legado e repartir”. Apesar de não se sentir à vontade para falar da sua missão – foi preciso insistir –, Domingos Alexandre Rodrigues começou a doar aos 14 anos, levado por seu pai, Antônio Rodrigues, para ajudar na Nubem – Colônia Santa Isabel, que cuida de portadores de hanseníase e de famílias carentes que vivem em Betim.

Alexandre, como é chamado, doa de alma livre, espontaneamente. Há 35 anos, ele é um voluntário. Aos 14, ele confessa, não achava legal e ia contrariado. Mas a insistência do pai, que ajudou a entidade por 50 anos e, hoje, aos 94 anos, vê filho e netos seguirem seu caminho, o fez entender o que ouviu dele lá atrás: "O homem que não serve não serve para viver”. Adolescente, ele conta que chegava "pisando duro e de voz brava”, até que escutou de um futuro amigo que "meu pai estava certo, de como é importante dar valor ao que temos, e amansou meu coração. Daquela hora para frente, ganhei um amigo e mais sabedoria. Passei a enxergar que, mesmo doentes, há pessoas com uma alegria muito grande”.

Mais tarde, mais maduro, Alexandre aprendeu que "o beneficiado é quem doa e recebe o abraço e o carinho. A doação provoca um movimento dentro de você, uma energia positiva, que te traz cura que sequer imagina. Não gosto de divulgar essa tarefa, mas, percebendo que a vida anda tão difícil, com tanto espaço para a maldade e pouco para a caridade, decidi falar. Sei que, no universo, apesar de ocultas, há mais criaturas do bem trabalhando, mesmo com a maldade e a corrupção sendo mais divulgadas, dando mais ibope. Ao longo dos anos, cada vez mais, recebo uma energia que é tão boa, que digo que é a energia da bondade”.

Como ocorreu com ele, hoje, Alexandre leva seus quatro filhos para as tarefas e os ensina o valor do que estão fazendo. "Penso que a vida é tão transitória e curta, que o valor não está na riqueza material que adquirimos, mas no benefício espiritual que conseguimos em busca do outro. Este não tem preço e só vem por meio do outro. Ouvir do outro um ‘Deus te ajude’, ‘Deus te ilumine’ ‘que Ele te guarde’ não se paga.”

SER ÚTIL Alexandre explica que, enquanto muitos encontram a adrenalina pulando de paraquedas ou praticando atividade física, a dele está no bem viver, na troca com o outro, é o que o sustenta ao lidar com a dor alheia. "Entramos numa faixa diferente e vemos a realidade, o sofrimento do outro e, automaticamente, enxergamos o nosso de outra forma. Ficamos mais resistentes.”

Ao doar, Alexandre avisa que "a vida muda”. E enfatiza que, apesar da importância dos bens materiais, é "valioso quando cada um consegue levar a força espiritual, o tempo para uma conversa, a troca, o amparo por palavras, um gesto, um bom ouvido, a alegria ou um sorriso. Esses 35 anos têm sido de aprendizado, uma troca que me ensina a ter coragem. Às vezes, pelas dificuldades, dá um desestímulo, um desânimo, há pessoas contra. Por isso, é preciso ter uma muleta, que é a oração. Peço para não perder a lucidez e para continuar”.

Sereno e seguro da missão, Alexandre compartilha sua história e diz que a preocupação das pessoas deveria ser "como podemos ser úteis?, sem questionar nada ou ninguém. O que sei é que vale a pena ter compaixão pela criatura humana. E saber que quem julga é só o Administrador da vida. É tarefa Dele. Cabe a nós saber que, da vida, nada levamos, a não ser as boas horas. Entendo que viver é ser útil”.

Música que faz bem
Jair Amaral/EM/D.A Press
Família de Acir Leonel criou o grupo Cantante, para ajudar na construção de igreja (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Tudo começou com a música, que emociona, desperta sentimentos, influencia, motiva e pode fazer agir. Desde 1995, a família de Acir Leonel faz ações para ajudar o próximo. Baterista de uma banda de igreja, ele levou os filhos, Jéssica e Anderson, para cantar e participar dos serviços sociais. Desde então, eles não levam só a música a quem precisa, mas criaram o projeto Cantante, que nasceu da experiência da música agregada ao movimento de doações, ações beneficentes, trabalhos religiosos, ajuda a entidades carentes e de onde também vem o trabalho, já que lançaram o primeiro CD, em 2008 (a arrecadação foi doada para ajudar na construção da Igreja São Geraldo), são contratados para eventos e dão aulas de música. "Meu pai passou o bastão e, agora, eu, meu irmão e meu marido, Diego Vieira, baixista, damos continuidade. O ato de doar nasceu com minha família e sempre fez parte da nossa educação. Sabemos que, quanto mais doamos, mais recebemos. E não é só no Natal ou em campanhas, mas ao longo da vida”, enfatiza Jéssica.

Vocalista e gestora do projeto, Jéssica conta que a doação é habitual e parte da sua vida. "Doar não é só bem material, mas ter disponibilidade de tempo para estar à disposição do outro. É doar por inteiro, mesmo tendo uma rotina corrida. É se comprometer com uma entidade e buscar doadores para as cartinhas do Papai Noel. Enfim, fazer o que estiver ao alcance de cada um.”

Jéssica reconhece que, na crise, muitos doadores suspendem suas ações. "É uma pena. Agora, se fica difícil para nós, imagina para quem precisa do básico. E alguns só precisam de uma conversa, que não custa nada. Acredito que o ato de doar dependa mais da boa vontade do que do dinheiro. É a chance que temos de mudar a realidade de quem precisa. Faço com prazer, com carinho e porque me deixa feliz, me sinto bem.”

Onda de reciprocidade

Psicanalistas discutem as formas de doar, seus significados, a intenção do ato e a sensação de bem-estar que provoca tanto em quem doa quanto em quem recebe

Jackson Romanelli/EM/D.A Press
''Fim de ano é sempre uma oportunidade de balanço da vida'', diz Gilda Paolielo, psicanalista (foto: Jackson Romanelli/EM/D.A Press)
A psiquiatra e psicanalista Gilda Paoliello, professora da residência de psiquiatria do Ipsemg e do curso de pós-graduação em psiquiatria do Ipemed, diz que podemos avaliar o valor da doação em três registros: real, simbólico e imaginário. "No real, seria o valor do objeto, ou o que é doado em si mesmo. No simbólico, da linguagem, seria a comunicação que o ato cria para o doador. E no registro do imaginário, aquilo que ele acha que significa para o outro, ou seja, aqui a doação consiste em dar o que a outra pessoa realmente necessita, na ótica do doador, o que não é, necessariamente, o que ela quer.”

Ela conta que no livro Ensaio sobre a dádiva, Marcel Mauss nos fala que doações recíprocas entre indivíduos de um grupo e também entre grupos correspondem a uma das primeiras formas de economia social e solidariedade, estabelecendo relações de fortes alianças, hospitalidade, proteção e assistência mútua. "Ele frisa que a doação sempre implica reciprocidade. Assim, a doação nunca é gratuita, sempre implica receber algo em troca, mesmo que seja a satisfação de dar.”

O fato de a pessoas estarem mais sensíveis no encerramento do ano, abertas a olhar para o outro, na análise de Gilda Paoliello é porque "o fim de ano é sempre uma oportunidade de balanço da vida, de correr atrás do que não se fez. Talvez, essa solidariedade desse momento esteja vinculada a essa tentativa compensatória, junto às tradições culturais de nossa sociedade, de manifestarmos nosso sentimento por meio dos presentes”.

Gilda diz que há diferenças entre quem doa ao longo da vida e quem pratica a doação em datas específicas ou diante de tragédias e calamidades, como a de Mariana. "Certamente, há diferença, mas mesmo os doadores frequentes têm motivações diferentes para seus atos: alguns doam pelo prazer de doar, a satisfação está implícita no próprio ato; outros por uma posição de vida, de comprometimento com o outro; outros para se redimir, conscientemente ou não. E ainda outros para se fazerem reconhecer. O ser humano é plural e complexo, o que se reflete nos motivos, na forma e no que tem para doar.”

ALIENAÇÃO A psicanalista e professora explica que doar é o elemento básico do movimento de entrar em relação com o outro. "A pessoa entra na esfera do outro, se expõe e percebe a realidade do outro. É uma forma de sair da alienação, de se construir como sujeito. Dinheiro, tempo, mão amiga, afago, carinho, atenção, paciência, esperança. Muitas são as formas de se doar e o resultado é sempre transformador, nas duas dimensões, de quem dá e daquele que recebe.”

Gilda Paoliello ensina que quando Einstein pergunta a Freud o que fazer para evitar a guerra, Freud responde que contra a pulsão de destruição deve-se incentivar tudo que se ligue a Eros, ao amor, à criatividade. "Essa é a cultura do bem. Devemos nos lembrar, também, de que uma bela forma de doar é perdoar, junção de per, prefixo que indica movimento no sentido de, ou em direção a, ou através, ou para, e doar. Portanto, etimologicamente falando, perdoar é doar ao outro uma nova possibilidade. É um ato de amor. E amar é dar o que não se tem.”

Vivência da felicidade
Maria Tereza Correia/EM/D.A Press
''A doação é vista como um ato de gratidão'' - Geraldo Caldeira, psicanalista (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
Qual o significado do ato de doar? Há quem o faça ao longo da vida, mas há aqueles que, tocados pelo clima do fim de ano, se despertam para essa atitude de praticar o bem. O psicanalista Geraldo Caldeira explica que, dentro da psicanálise pós-freudiana, a austríaca Melanie Klein trabalhou os temas inveja e gratidão e concluiu que todos têm inveja e precisam repará-la, porque ela é destrutiva. "A doação é vista como um ato de gratidão para fazer esse reparo ao longo da vida, para não ter o sentimento de culpa.”

A princípio, discute Geraldo Caldeira, doar é reparar, é fazer o bem para barrar o mal. Ele aborda que o ser humano cresce com o sentimento de errado sempre reprimido. "Desde criança, ouvem-se tantos nãos – não pode isso, não pode aquilo, não deve. Há ainda a questão religiosa, com a ideia de castigo e do pecado, que, para desfazer essa situação, um dos mecanismos é lidar com a doação, um ato de extrema bondade.”

De acordo com o psicanalista, a doação é uma forma de tirar a atenção de si, não olhar egoisticamente para si, e resolver a existência do outro. No fim do ano, pelo contexto, essa necessidade fica exacerbada. Como se tivesse de reparar o que não fez durante o ano, para começar o outro mais leve.

Em outra análise dentro do universo da psicanálise, Geraldo Caldeira destaca que há pessoas bondosas por natureza, solidárias e altruístas, que demonstram essas virtudes. "Infelizmente, não são maioria. Essas características são para poucos, apenas para quem chega ao campo da vivência da felicidade e da filosofia.”

Com toda a experiência clínica, de vida e know-how, Geraldo Caldeira afirma, ao interpretar o ato da doação, que o ser humano nasce com dois impulsos básicos. "O agressivo, que é a pulsão da morte. E o amoroso, que é a pulsão da vida. O que neutraliza a pulsão da morte é o amor, o que é fundamental, porque os dois sempre vão fazer parte do homem, estar com a gente. E o ato de doação está no campo do amor.”

BONDADE Geraldo Caldeira lembra que, diante de um mundo tão agressivo, sem amor, individualista, um mundo focado na vivência do prazer, que preza e valoriza a gratificação e a euforia a qualquer preço, a percepção do amor, a convivência com o outro, o preocupar-se com o outro é a saída. "A doação é o efeito que neutraliza a agressividade, a maldade e o egoísmo, e o indivíduo se sente bem, identificado com a bondade, se alegra.”

Para o psicanalista, o ato de doar, muitas vezes praticado como um acerto de contas no fim de cada ano, deveria ser um exercício diário. Ele enfatiza que é possível ensinar, aliás, é indicado e louvável permear a prática pelo valor e a importância da doação. "Educar pelo exemplo garante grande resultado, mais até do que com a fala. Ao fazer uma doação, leve o filho, estimule-o. Certamente, ele vai crescer com o sentimento de ajudar.” Geraldo Caldeira alerta que é preciso cada um fazer a sua parte, não importando se é uma minoria, porque, se ela desistir, aí estaremos perdidos.

O que motiva a doação?
Marcos Kisil, consultor estratégico e fundador do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis) aponta sete gatilhos de sucesso para campanha de levantamento de fundos para apoiar um investidor social.

1) Altruísmo
É quando o doador, com base no entendimento que dá à sua própria vida e nas oportunidades que teve de acumular riquezas, que julga resultado de dons que lhe foram gratuitamente contemplados por um Deus, acredita que deve compartilhar esses dons e bens com o próximo, de maneira altruísta, sem buscar nenhum benefício pessoal. Acredita que o mundo pode ser melhor se todos derem sua contribuição. Doar de maneira altruística representa um exercício de convicção sobre valores maiores da existência humana.

2) Egoísmo
Embora pareça contraditório em relação ao item anterior, existem doadores que buscam ativamente ser reconhecidos pela sociedade. Esses doadores querem associar seu nome ou o de sua família ao resultado de sua doação, seja sob forma de denominação de espaços físicos, placas de reconhecimento ou mesmo por meio de premiações que levam seu nome. Podem também abdicar do uso de seu nome em função de serem reconhecidos como associados a algum outro nome ou figura pública que atestem seu comportamento de doador. E, quanto mais público isso se fizer, melhor será sua reputação. Muitas vezes, sentem-se os maiores beneficiários de suas doações.

3) Competição
O doador, neste caso, gosta de fazer comparações: primeiro com outros doadores (dar mais representa um símbolo de riqueza a ser ostentado, e que o diferencia de outros doadores); segundo, com ele mesmo, quando busca ultrapassar a cada ano o que doou no ano anterior.

4) Devoção
É quando a religião ou a crença religiosa exerce forte influência nas decisões do doador. Embora na maioria das vezes essa doação se faça por piedade ou misericórdia para com o próximo, mediada pela presença de uma organização religiosa, tomando alguma fórmula de dízimo, ela
também pode representar uma forma de garantir um espaço futuro na eternidade. Dar representa uma moeda de troca para o futuro da alma. Infelizmente, essa é uma forma bastante utilizada por seitas e religiões conduzidas por aumentar seu patrimônio, ou
o de seus dirigentes.

5) Culpa
O doador sente-se culpado ou responsável por algumas circunstâncias negativas que recaem sobre ele, especialmente no que tange
à maneira como acumulou
seu patrimônio. Dar alivia
esse sentimento.

6) Tradição
Quando o doador pertence a uma família ou grupo onde se tornou hábito doar recursos para determinadas organizações, especialmente se criadas por um ancestral.

7) Pressão do grupo
O doador, por pertencer a determinado grupo social de amigos, vizinhos, companheiros de trabalho, clube etc., sente-se obrigado a participar de iniciativas filantrópicas das quais não participou da decisão, não acredita ou não dá nenhuma importância ou significado. Participa apenas porque, caso contrário, pode ficar mal em suas relações. E como valoriza essas relações, comporta-se para mantê-las ou fortificá-las.

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