Bom para saúde, bom para autoestima: conheça o shaambo

Criada em BH, nova modalidade de dança fitness promete muito mais do que queimar calorias e melhorar o condicionamento físico: você vai se divertir enquanto aprende passos tradicionais de diferentes estilos

por Valéria Mendes 09/12/2015 09:30

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Consuelo Schettin / Divulgação
Você vai se divertir enquanto aprende passos tradicionais de diferentes estilos (foto: Consuelo Schettin / Divulgação )
‘Mexe’. ‘Remexe’. ‘Rebola gostoso’. ‘Em cima’. ‘Embaixo’. ‘Desfila’. ‘Olha a elegância’. ‘Manda beijo’. Parece impossível não se sentir sensual depois de uma aula de shaambo. As palavras de incentivo do professor Artur Assunção, idealizador da modalidade de dança fitness criada em Belo Horizonte, são seguidas à risca por mulheres e homens (minoria) que encaram 60 minutos de passos que vão do tango ao samba, do funk ao rock, do sertanejo ao hip hop, do arrocha ao batidão das boates. Muito mais do que queimar calorias, a aula é uma verdadeira performance que, além de reunir pessoas de diferentes faixas etárias e gostos musicais, exige autoconfiança para não se intimidar diante de um grande espelho e desafiar o padrão de beleza. ‘Olha o sorriso’. Afinal, não é impossível se divertir enquanto cuidamos da saúde.

Artur Assunção leva para dentro da academia passos originais de diferentes estilos aliando técnica, cultura da dança e condicionamento físico com a leveza do tom lúdico que permeia o treino. “O shaambo é um programa de dança fitness com inspiração na riqueza das danças e dos gêneros musicais brasileiros e internacionais”, sintetiza o professor. Mais do que uma atividade física intensa, com coreografias hora desafiadoras, hora nem tanto - e sem a preocupação com a ‘perfeição’ na execução dos passos - a dança fitness quer também oferecer às alunas e alunos o contato com a diversidade cultural e quebrar paradigmas que hierarquizam os estilos musicais.

Caminhar como se estivesse numa passarela, sorrir e descer até o chão são tarefas que a administradora de empresas Graça Medeiros Decerega tira de letra. Isso por que, além de ter no currículo o título de Miss Montes Claros e de chegar à final do Miss Minas Gerais, há dois anos e meio ela pratica atividade física diariamente. Além do shaambo, Graça também é adepta de outras modalidades de dança como zumba, stiletto e ballet fitness, além ainda de musculação. “A aula é muito animada, tem um ritmo mais frenético, a gente se diverte e se sente jovem. Eu olho para o lado e vejo que sou capaz de fazer o que meninas de 20 anos fazem. Não temos muito ideia do que o nosso corpo é capaz de fazer, mas a idade não é um fator limitador por si só”, observa.

A aposentada Maria Aparecida Laredo Ferreira, 63 anos, concorda com a colega de shaambo: “A gente se sente glamourosa, a aula é uma massagem na autoestima, um momento para colocar a sensualidade que todas nós temos para fora e nos livrarmos das amarras sociais impostas às mulheres”. Cida, como é chamada pelas colegas de turma, conta que foi a dança que a tirou da depressão, quando começou há 10 anos. “Venho aqui todos os dias”, revela. Ela, que também é aluna de dança cigana, recomenda que toda pessoa aposentada faça uma atividade física. “Nos abrimos para novos contatos e a academia favorece a sociabilização”, pondera.

Consuelo Schettin / Divulgação
Artur Assunção, idealizador do programa, diz que método ainda favorece o autoconhecimento e ajuda a vencer a timidez (foto: Consuelo Schettin / Divulgação )
Artur Assunção, que é precursor do aerodance no Brasil, salienta que a aula de shaambo é acessível já que, além do olhar cuidadoso para cada aluno ou aluna, o treino é ‘intervalado’. “O professor exige mais em uma música e menos em outra. Não é difícil acompanhar. A aula é eficaz, inovadora, alegre e verdadeira”, sintetiza. Como se não bastasse, o professor garante que a modalidade favorece o autoconhecimento e ajuda a vencer a timidez.

Benefícios da dança
Doutora em semiótica da dança pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professora do curso de educação física na instituição, Isabel Coimbra afirma que a dança é uma excelente opção em atividade física. “Qualquer estilo de dança trabalha flexibilidade, potência, força, coordenação motora e condicionamento cardiorrespiratório com resultados benéficos para o metabolismo como um todo, favorecendo não só o emagrecimento, mas a definição muscular”, explica.

No entanto, a especialista recomenda que se conheça bem a proposta de trabalho do educador físico ou professor de dança antes de se matricular em uma academia. “É preciso se preocupar com a execução técnica do movimento já que a repetição mal feita ou errada pode gerar lesão ou até hipertrofiar um músculo que não é de interesse da pessoa”, reforça. Isabel Coimbra explica que são várias as linhas de trabalho dentro do universo da dança com resultados diferentes para o corpo. Ela cita, por exemplo, que a dança contemporânea vai favorecer o desenvolvimento dos músculos. Já o ballet clássico vai beneficiar a musculatura alongada. “Não é porque está na moda que é legal”, reforça.

De modo geral, Isabel Coimbra considera positivo que a cultura da dança seja levada para as academias. “Essas modalidades dialogam, conversam e apresentam ao aluno várias técnicas e vários estilos. Apesar de a preocupação não ser a arte em si, o lado lúdico da dança favorece a prática da atividade física e a expressão artística vai acontecer em consequência disso, sem ser o foco principal”, observa.

Para ela, a dança é uma atividade corporal significativa na formação do ser humano e que deve ser valorizada tanto nos currículos dos cursos de licenciatura em educação física como também ser estimulada nas escolas como fator importante na formação do hábito da atividade física de meninos e meninas. “Não é toda criança ou adolescente que se sente atraído por esporte. Assim, as escolas devem oferecer uma atividade rítmica com música dentro da vivência escolar”, recomenda.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera ativo fisicamente aquele ou aquele que realiza, por semana, 150 minutos de atividade física de predominância aeróbica em intensidade moderada. No Brasil, 41,2% dos brasileiros e 50,4% das brasileiras entre 14 e 75 anos são sedentários.

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