Cabelo "liso" e "solto": mãe afirma que não é a primeira vez que escola faz esse pedido

Comunicado enviado por uma escola infantil de São Paulo causou revolta ao pedir que alunas fossem sem cachos nos cabelos para apresentação de Natal

por Correio Braziliense 03/12/2015 11:26

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Reprodução Facebook
Pedido gerou revolta nas redes sociais (foto: Reprodução Facebook)
O pedido feito pela Associação Cedro do Líbano de Proteção à Infância, em São Paulo, para que as alunas usassem cabelo "liso" e "solto" durante um evento de Natal não teria ocorrido pela primeira vez, segundo relato de uma mãe que tem duas filhas matriculados na instituição. A mulher, que preferiu não se identificar para preservar a identidade das meninas, relatou que uma professora já havia dito a ela que "cabelo crespo tem aparência de sujeira" e, por isso, pede que as alunas usem "chapinha para ficarem ainda mais bonitas" nos eventos escolares.

Em conversa com a reportagem, a mãe contou que em 2013 foi sugerido durante reunião de pais o "penteado liso" para apresentação de Natal. De acordo com ela, muitos pais consideraram preconceituosa a atitude da escola, mas nunca tiveram coragem de falar por medo dos filhos serem maltratados.

Procurada pela reportagem, a instituição disse "que desconhece a informação e repudia qualquer forma de discriminação e racismo", mas que, como não sabe o nome da mãe, não tem como checar o caso específico relatado.

Entenda
A escola de São Paulo recebeu diversas críticas de pais e internautas depois de ter um comunicado da instituição postado em redes sociais, na terça-feira (1º/12). No bilhete, encaminhado às famílias dos alunos de até 4 anos, foi solicitado que as meninas fossem de cabelo "liso e solto" para a apresentação de Natal. Segundo o pedido, com a colaboração dos pais, as meninas ficariam "ainda mais bonitas".

O recado repercutiu e muitos acharam a a atitude preconceituosa e ofensiva contra crianças que não têm o cabelo naturalmente liso. Frases como "isso é um absurdo"; "quanto preconceito"; "minha filha não pode estudar nessa escola" e; "vocês estão em que século?" enchem a página da instituição. Outros saíram em defesa da unidade de ensino, afirmando que as pessoas não podem julgar a reputação da escola por um caso isolado.

Na página inicial do site, o colégio postou uma nota de esclarecimento. Segundo o texto, o comunicado foi enviado aos pais sem ter sido avaliado pela direção, tornando a atitude "equivocada e individual de um funcionário". A escola pede que isso "não represente a imagem da instituição, que repudia qualquer forma de preconceito”. Além disso, afirmam que medidas administrativas estão sendo tomadas.

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