Governo confirma presença do zika vírus em exames de fetos com microcefalia

Diante do avanço, o ministério tornou compulsória a notificação de casos da malformação em todo território nacional

por Redação 17/11/2015 19:00

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Marcello Casal Jr/Agência Brasil
(foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
O Ministério da Saúde confirmou nesta tarde de terça-feira, 17, ter identificado a presença de zika vírus em exames de líquido amniótico coletados em dois fetos com microcefalia da Paraíba. Os resultados, adiantados pelo jornal "Estado de S. Paulo", indicam uma íntima relação entre o aumento súbito de casos e o vírus, que entrou no País no início do ano, provocou epidemia no Nordeste e já está presente em 14 Estados, incluindo Rio e São Paulo.

"Não podemos ser categóricos. Mas a presença do vírus não é apenas uma coincidência", disse o diretor do Departamento de Doenças do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch. "Estamos sendo extremamente cautelosos nessa relação, porque a situação é nova no mundo. Até agora, não havia nenhum relato entre o vírus zika com malformação congênita. Por isso falamos de uma relação provável", disse o diretor.

A Organização Mundial da Saúde foi comunicada sobre os resultados dos exames divulgados hoje. Ao fazer o anúncio, o diretor convidou cientistas de todo o Brasil e do mundo a ajudar na comprovação da causa e efeito - uma eventual relação entre a infecção por zika e o aumento de casos.

Conforme adiantou o jornal, o material foi coletado pela médica especialista em medicina fetal Adriana Melo. O material foi enviado para Fiocruz. As gestantes passam bem. Ambas apresentaram, durante o início da gestação, sintomas semelhantes aos da zika: manchas pelo corpo, febre baixa e coceira.

Até agora, foram registrados no País 399 bebês que nasceram com a malformação, que se caracteriza pela circunferência cefálica inferior a 33 centímetros. De acordo com o grau da doença, a criança pode apresentar deficiência mental, problemas de visão, auditivos, convulsões e dificuldades de locomoção. Os casos foram registrados em Pernambuco (268), Sergipe (44), Rio Grande do Norte (39), Paraíba (21), Piauí (10), Ceará (9) e Bahia (8). A maior parte dos casos foi identificada nos últimos três meses. O número é significativamente maior do que o registrado semana passada, quando o Ministério da Saúde declarou emergência em saúde pública em caráter nacional. Na quarta-feira, quando o anúncio foi feito, haviam sido contabilizados 141 casos de microcefalia.

Diante do avanço, o ministério tornou compulsória a notificação de casos da malformação em todo território nacional. O protocolo para identificação de bebês com o problema, desenvolvido em Pernambuco, deverá ser usado em todo o País. Não está definido ainda se governo vai preparar um protocolo para atendimento de bebês, que necessitam de atendimento especial para toda vida.

Maierovitch afirmou que a situação é extremamente preocupante. "Embora ainda não haja confirmação, os resultados demonstram a necessidade de se reforçar ainda mais as medidas de combate ao mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue", disse. O diretor admitiu que a tarefa não é fácil. A própria história da dengue no Brasil demonstra os entraves. O vírus da dengue chegou no País na década de 80 e, desde então, foram sucessivas as epidemias provocadas pela doença. "Não sabíamos como seria a trajetória da doença caso medidas de prevenção não tivessem sido adotadas. Poderiam ser ainda maiores do que apresentamos. Mas o fato é que os indicadores só aumentaram."

Na próxima semana, uma reunião será feita com representantes das secretarias de Saúde para discutir estratégias para reforçar o combate ao mosquito, que transmite, além de dengue e zika, chikungunya.

O isolamento do vírus da Zika nos bebês com microcefalia usou três metodologias. O resultado será usado para nortear outros exames e, com isso, comprovar ou descartar a associação da malformação e a infecção. "Sabemos exatamente qual o tipo do vírus, o que facilita muito o trabalho", disse. Maierovitch descartou a realização de exames de líquido amniótico em outras gestantes que tenham suspeita da infecção ou de rotina. "Eticamente isso não é recomendado. O teste traz riscos, é indicado em situações determinadas", completou. A ideia de autoridades sanitárias é, com o conhecimento do tipo de vírus envolvido na infecção, tentar identificá-lo em outras pacientes, mas por meio da análise de outros materiais, como sangue do bebê e da mãe e até mesmo cordão umbilical.

Deixando claro ser necessária ainda investigações sobre eventual relação entre zika e a malformação, Maierovitch reforçou os cuidados que gestantes devem adotar em todo o País, sobretudo nos Estados onde a circulação do vírus já foi identificada. Não ficar em contato com pessoas com febre ou com manchas pelo corpo, não se expor a mosquitos, usar roupas de mangas longas, repelentes, usar medicamentos somente com orientação médica. "Parte delas talvez não seja fácil de ser seguida, mas são recomendações importantes", disse. O diretor manteve o conselho dado semana passada, publicado pelo jornal, às mulheres que querem engravidar de aguardar um pouco até que a situação esteja mais bem definida.

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