Guia das lentes de contato: veja como escolher a que melhor se adequa a cada caso

Veja também quais cuidados são necessários para manter a saúde dos olhos

por Ailim Cabral 22/10/2015 10:00

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SXC.hu / Banco de Imagens
A determinação da lente depende quase que inteiramente do perfil do paciente (foto: SXC.hu / Banco de Imagens )
Enxergar bem é primordial. Os que sofrem com problemas de visão, como miopia, por exemplo, se sentem nus e até mesmo desorientados sem os instrumentos que os ajudam a ver melhor. As opções são inúmeras, os tipos de óculos disponíveis no mercado são dos mais variados, desde os mais modernos e chamativos até os mais discretos e tradicionais. Mas e as lentes? Poucas pessoas conhecem todos os aspectos que devem ser analisados na hora de escolher o produto, também visto como equipamento médico, uma vez que tem por objetivo corrigir falhas na saúde ocular.

O oftalmologista Jonathan Lake, do Oftalmed — Hospital da Visão, explica que as primeiras lentes de contato, usadas nas décadas de 1970 e 1980 no Brasil, eram rígidas, feitas de acrílico. “Eram desconfortáveis, de difícil adaptação e tinham um preço bem elevado”, afirma. Hoje, essa categoria ainda existe, mas não lembra em nada os modelos antiquados.

O produto se divide em duas grandes categorias: rígidas e gelatinosas. O chefe do Setor de Lentes de Contato do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Guilherme Andrade Nascimento Rocha, afirma que as rígidas são as melhores lentes disponíveis no mercado. “Oferecem a menor chance de contaminação e têm durabilidade maior, além de permitirem a transmissão de oxigênio para nutrir a córnea”, afirma. Jonathan Lake esclarece que hoje, diferentemente do que acontecia com o material de acrílico, as lentes rígidas são feitas de gases permeáveis (veja abaixo).

O médico do HUB afirma ainda que a constituição das lentes rígidas varia de acordo com a marca. “Existem vários tipos de materiais que transmitem diferentes taxas de oxigênio, mas isso depende muito de cada fabricante”, explica. Esse coeficiente de transmissão é chamado de DK pelos especialistas. Quanto maior o DK da lente, que vem especificado na embalagem do produto, maior o grau de transmissão de oxigênio. A taxa mais elevada indica que é mais saudável para a córnea.

A maior desvantagem desse modelo é a dificuldade de adaptação. Por sua estrutura mais dura, a lente costuma incomodar e é desconfortável para a maioria dos pacientes, que não conseguem passar muitas horas usando o produto.

Especialista em lentes de contato e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, Cléber Godinho explica que a estrutura das rígidas é mais desconfortável por conter pouca água em sua estrutura molecular. “Apesar disso, fornecem qualidade de visão melhor do que a gelatinosa. Corrigem todos os problemas de visão, como miopia, hipermetropia, astigmatismo e vista cansada”, complementa o médico.

Mais conforto, mais cuidado

Outra opção são as lentes gelatinosas. Segundo o gerente de Produtos da CooperVision Brasil, Tarcísio Melo, atualmente, 95% do mercado é composto por lentes gelatinosas. “Hoje, a tendência mundial são os modelos de descarte diário, aquelas que o paciente coloca de manhã, remove à noite e, em seguida, joga fora”, acrescenta o especialista. Os modelos coloridos, usados com objetivo apenas estético e sem correção de grau, também se enquadram nessa categoria das gelatinosas.

Elas são compostas, em grande maioria por hidrogel e contêm em seu interior muita água e lágrima, o que leva mais conforto aos olhos, afirma Cléber. Tarcísio acrescenta que as gelatinosas, apesar das variações de material entre as marcas, podem ser subdivididas entre as que são de hidrogel e as que levam em sua composição silicone e hidrogel, sendo a segunda categoria, mais moderna. “São mais vantajosas com relação aos outros materiais por serem mais confortáveis”, explica.

Entre as lentes de silicone e hidrogel, existem ainda as de 1ª, 2ª e 3ª gerações. As últimas são compostas de um produto modificado que atrai as moléculas de água e faz com que elas “grudem” na lente, hidratando mais o olho e causando uma sensação maior de conforto.

Apesar de todos os benefícios que a lente gelatinosa traz em termos de adaptação, os oftalmologistas têm algumas ressalvas. “Não são ruins, mas a grande quantidade na sua composição favorece a proliferação de bactérias. Ela exige muito mais cuidados”, destaca Cléber.

Dessa preocupação, surge a validade das lentes gelatinosas: elas podem ser de descarte diário, quinzenal, bimestral ou anual, com algumas variações. Quanto menor a durabilidade da lente, menor a chance do surgimento de problemas, desde que o paciente use o produto somente no período indicado. “Teoricamente, quanto menor a durabilidade menor o cuidado. Se você usa a diária, coloca no começo do dia e joga fora quando chega em casa, requer menos cuidado com a limpeza”, explica Guilherme. Os riscos aumentam quando o paciente usa a lente por mais tempo do que o indicado. Com relação as que duram mais tempo, a higiene é fundamental para evitar infecções. Apesar de trazerem mais riscos, são mais em conta financeiramente.

Para o médico, a única vantagem das gelatinosas é o conforto. “Ela traz mais chance de contaminação, exige mais cuidado, tem menor durabilidade e em geral, menor transmissão de oxigênio, mas é a ela que a maioria dos pacientes consegue se adaptar”, completa.

Fique atento
Os cuidados que precisamos ter com as lentes de contato são inúmeros. Para os fãs do produto, que quando o usam sentem como se tivessem a visão perfeita e sem a necessidade de correção, fica o grande alerta: não é recomendado usar os artigos por um grande período de tempo ininterrupto. A limpeza também é muito importante, segundo o especialista em lentes de contato e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Cléber Godinho. Estudos demonstram que 85% dos problemas estão relacionados a mãos e estojos sujos. Confira alguns dos cuidados indicados pelos especialistas:

  • Antes de manipular as lentes é necessário lavar as mãos com água e sabão
  • Enquanto usa a lente, evite ao máximo levar as mãos aos olhos
  • Não passar dias usando a lente. É importante removê-las diariamente
  • Não dormir com a lente
  • Não tomar banho ou nadar usando lentes de contato
  • Usar os produtos corretos na higienização, como soros específicos
  • Trocar a solução das lentes toda vez que for guardá-las no estojo
  • Trocar o estojo de três em três meses
  • Descartar as lentes no período indicado pelo fabricante


Como escolher?
Apesar de analisar com cuidado aspectos positivos e negativos de cada lente, os médicos afirmam que a determinação da lente depende quase que inteiramente do perfil do paciente.

Jonathan explica que a indicação tem relação direta com o formato da córnea, o problema de visão que apresenta, o grau, a qualidade da lágrima e até mesmo o espaço existente entre o olho e a pálpebra.

Ele explica que o grau de complexidade é grande e a escolha não pode se limitar apenas ao conforto. “No caso da distância da pálpebra e da córnea, é importante porque a lente não pode apertar o olho, o que impede a oxigenação e pode levar à cegueira.”

O médico acrescenta que a maioria das pessoas que tem uma indicação para lente rígida sofre de alterações na córnea e não consegue usar as gelatinosas pelo desconforto ou por apresentam astigmatismo alto. Nesses casos, a correção funciona apenas nas rígidas. Guilherme confirma a explicação dada pelo colega e acrescenta: “Alguns pacientes precisam se adaptar às rígidas se quiseram usar lentes, pois existe uma limitação quanto aos graus que a gelatinosas corrigem”.

Guilherme pondera ainda quanto ao objetivo do paciente. “Quem usa apenas para práticas esportivas, por exemplo, o ideal é a gelatinosa e descartável. Quando o paciente só usa de vez em quando, o produto pode ficar muito tempo sem uso, esquecido no potinho e isso facilita a contaminação.”

Apesar de as lentes gelatinosas oferecem mais risco de infecção, são descartáveis e, por durarem menos, oferecem menos risco aos usuários mais displicentes, grupo no qual a maioria dos médicos enquadra os adolescentes, que têm menos paciência para os cuidados com a limpeza da lente.

Tarcísio reconhece que os pacientes precisam ter consciência de que as lentes são artigos médicos e não estéticos. “Está diretamente ligado à saúde e esse é o principal critério que as pessoas precisam ter em mente. Se você vai usar, deve fazer da forma mais saudável e cuidadosa possível”, completa.

As diferenças


Gelatinosas

  • São mais confortáveis
  • A adaptação é mais rápida
  • Têm mais água em sua composição
  • O período de uso é menor
  • Tem custo menos elevado
  • São mais propensas à contaminação
  • Exigem mais cuidados com a higienização


Rígidas

  • São menos confortáveis
  • Precisam de um período maior de adaptação
  • A duração é maior, pois são de materiais mais resistentes
  • Trazem menos riscos de infecção
  • Têm custo mais elevado
  • Permitem uma maior permeabilidade de oxigênio
  • Promovem uma qualidade de visão maior

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