Luzinha vermelha piscante

por Zulmira Furbino 17/10/2015 15:27

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Arte: Son Salvador
(foto: Arte: Son Salvador)

Meu coração ama bichinhos de estimação, em especial quando são filhotes, mas adultos entram nessa onda também. O problema é quando chega a prática, quero dizer, a hora do xixi, do cocô, de levar pra passear, sair de férias ou viajar no feriado. É aí que a coisa complica.

(Cronista esperando passar o “momento apedrejamento”).

Até considero ter uma cachorrinha de novo, coisa que não ando confessando por aí pra todo mundo, vai que meus pimpolhos começam a me pressionar, sabe como é. No entanto, resolvi que só vou fazer isso quando tiver um espaço adequado em casa, senão vira tortura para as duas partes.

Sei que vão dizer que não existe momento ideal para uma coisa dessas, mas amparo meu (frágil) argumento no fato de ainda não estar convicta desse desejo, principalmente levando em conta as responsabilidades implicadas.

Neste mês, sinto-me tocada vendo o Facebook inundado por fotos dos meus amigos e amigas – e dos filhos dos meus amigos e amigas – quando crianças. Daí passa pela minha cabeça que dar um animalzinho de estimação para os meus filhos no Dia das Crianças seria legal, pois os ajudaria a lembrar da ternura e da atitude compromissada que não deveriam perder durante a vida.

Só que isso não faz muito sentido, porque meus filhos já cresceram. Se estou sentimental assim é que os filhotes, inclusive os humanos, têm essa capacidade de amolecer o coração da gente.


Ora pois, pois, amigos e navegantes! Neste momento, sou salva pelo meu lado racional, que acaba de acender a luzinha vermelha piscante. Decorre disso que o gesto magnânimo com o qual eu derreteria o coração daqueles que são carne da minha carne... não vai rolar.

 

Esta cronista aquariana está escolada demais para ter cachorro em apartamento. Além disso, filhos e filhotes crescem – e, ao mesmo tempo, nunca crescem. Tenho certeza de que continuaria a sobrar pra mim. Sem chance.

(A partir deste momento, faço das duas últimas palavras do parágrafo acima um mantra. Não vai rolar, não vai rolar, não vai rolar...).

Coisas assim vinham passando pela minha cabeça quando recebi um WhatsApp da minha caçula (com a foto de uma vira-lata cor de mel e lencinho de seda xadrez amarrado no pescoço). Debaixo do retrato, a seguinte mensagem: “Só pra te avisar que teremos hóspede lá em casa nesse fds”.

Decidi não brigar, afinal, Dia das Crianças pra adultos é só uma vez no ano e tem muito tempo que não fico tão boazinha, em se tratando de assuntos animais, vamos dizer assim.

“Hahahahahaha. De quem é?”, foi a minha resposta irônica no WhatsApp (até ali eu pensava que era só uma piadinha). Ela respondeu: “Da Aninha. Ela vai viajar no feriado”.

Bom, o negócio era sério. “E a sua alergia?”, perguntei. “Mãe, um fds”, foi a resposta. “Uai, se você tomar conta e limpar. A 'responsa' é toda sua...”, decretei. “Tá bom”, ela me disse.

E fim de papo, o que significa que agora estamos aguardando a visita.

O que consegui descobrir sobre minha hóspede de fim de semana? Que é menina, se chama Channel e, como trata-se de um bebê, está começando a conhecer o mundo fora de casa agora, de maneira que quando sai na rua fica maluquinha com toda a gente que passa.

A se levar em conta minha experiência em matéria de tomar bichos emprestados, oferecendo a eles minha hospedagem no fim de semana, a ideia de receber Channel em meu apê pode ser classificada como temerosa.

Da última vez que concordei com uma coisa assim, meu lar foi invadido por dois filhotes de gato que arranharam o estofado das cadeiras, se esconderam nos recantos da poltrona nova – e caríssima – da sala de visitas, fizeram da superfície da mesa de jantar um parque de diversões e me impediram de sentar no sofá porque subiam por trás do móvel, pulando do encosto para o meu pescoço sem a menor cerimônia ou aviso.

Foi um caos, mas nesse tempo eu pensava que gato obedecia igual cachorro. Agora ando mais sabida. De modos que lá vamos nós tentar outra vez...

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