Flores comestíveis, frutas, verduras e legumes próprios da primavera podem proporcionar alimentação mais nutritiva

Aprenda uma receita de salada verde com camarão e flores

por Carolina Cotta 14/10/2015 10:00

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Jair Amaral/EM/D.A Press
A nutricionista maternoinfantil Alice Carvalhais lembra que, nesta época, os nutrientes dos alimentos se encontram nas quantidades mais adequadas possíveis (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Na Primavera, as flores estão por todo lado, inclusive em pratos deliciosos. Apesar de a moda ser recente, as flores comestíveis são utilizadas na gastronomia há séculos. Na Ásia, eram comuns as flores de lírio-de-um-dia, enquanto na Roma antiga destacavam-se as rosas. A França medieval preferia a calêndula. Em qualquer lugar, o objetivo era o mesmo: sua sutileza, beleza, cor, sabor e aroma. E para quem acha estranho comer flor, é bom pensar que, provavelmente, já o faz: brócolis, couve-flor, alcachofra e flor de abóbora têm consumo difundido.

As flores comestíveis podem ter sabor doce, cítrico, levemente apimentado e até amargo. Algumas são consumidas na totalidade, outras parcialmente, como as pétalas de tulipa, algumas apenas em certas fases do seu desenvolvimento, como os botões de margaridas. Segundo o nutricionista do Vigilantes do Peso Matheus Motta, diversos tipos de pratos podem ter o acompanhamento de flores comestíveis: assados, cozidos, saladas, sopas, doces, pães, bolos, biscoitos, sobremesas e até chás e refrescos.

Segundo o especialista, elas têm baixo valor calórico (cerca de 40kcal por 100g) e, assim como algumas frutas e verduras, apresentam vitaminas (principalmente A e C), além de fitoquímicos, reconhecidos pela sua atividade antioxidante e anti-inflamatória em nosso organismo. Nas pétalas, principalmente, ficam os minerais, vitaminas e compostos fitoquímicos. Ainda nas pétalas, há os flavonoides, com efeitos anti-inflamatório, antimicrobiano e antiviral.

“Cada uma tem sua singularidade e, assim como frutas e vegetais, a alimentação deve focar sua variedade. De modo geral, a presença de flavonoides e de outros compostos ligados ao aroma e à cor explicam o uso de flores em medicinas alternativas como agentes terapêuticos. O teor de compostos polifenólicos tem relação com a atividade antioxidante, como em begônias, rosas e nastúrcios. A cor das flores reflete os teores de carotenoides e antocianinas. A presença desses carotenoides é um fator de proteção contra doenças oculares, como catarata”, explica.

Vigilantes do Peso / Divulgação
Bolo com flores comestíveis (foto: Vigilantes do Peso / Divulgação )
Estudos na China também mostraram que extratos de flores podem ser adicionados a produtos alimentícios para melhorar seus aspectos nutricionais, como fonte de fitoquímicos, combatendo o estresse oxidativo causado por quadros clínicos como diabetes, hipertensão arterial sistêmica, hipercolesterolemia, além de evitar ou retardar o processo oxidativo dos próprios alimentos. Por ter sabores mais concentrados, as flores comestíveis devem ser consumidas em pequena quantidade. Isso porque têm pólen, que é alergênico. Pessoas alérgicas devem evitá-las, assim como crianças e bebês.

CUIDADOS NO CONSUMO
Flores podem ser consumidas tanto em saladas, sucos e chás (cruas) quanto em outros tipos de pratos, como ensopados e sopas, arroz, purês e omeletes. Os cuidados básicos antes de comprar flores comestíveis são: adquirir de produtores que façam o cultivo especialmente para uso culinário, que não utilizam agrotóxicos ou tratamento químico; observar o modo de armazenamento no local; reconhecer quais plantas são destinadas ao consumo, uma vez que nem todas as flores são comestíveis ou apresentam um bom paladar, e algumas espécies podem ser venenosas/tóxicas.

Vigilantes do Peso / Divulgação
Peito de frango assado com pétalas (foto: Vigilantes do Peso / Divulgação )
Elas exigem higienização similar à dos demais alimentos de origem vegetal que são consumidos crus. Mas é preciso mais cuidado para manipulá-las, por serem bem delicadas. A orientação para lavar as flores é mergulhá-las em água com sanitizante (hipoclorito de sódio, água sanitária – 1 colher de sopa por litro de água) por 15 minutos e depois secá-las com papel-toalha. Sempre com muito cuidado. Algumas partes das flores devem ser retiradas. Segundo Matheus, em flores grandes, por exemplo, as partes brancas, os estames e os pistilos normalmente são amargos e não devem ser mastigados.

Olhe a safra
A primavera não é apenas temporada de flores. A estação também é época da safra de grande variedade de frutas, legumes e verduras, sendo perfeita para enriquecer a dieta com aromas, sabores e nutrientes variados, principalmente os ricos em vitaminas, antioxidantes e minerais. Segundo a nutricionista maternoinfantil Alice Carvalhais, do Instituto Mineiro de Endocrinologia, por ter sido produzido em condições climáticas ideais, o alimento, nesta época, consegue se desenvolver melhor, oferecendo uma qualidade nutricional maior. “Seus nutrientes se encontram nas quantidades mais adequadas possíveis, além de oferecer sabor e aroma mais intensos”, explica.

Outra vantagem de consumir alimentos na safra é que o cultivo pode dispensar ou diminuir a quantidade de aditivos químicos, com os alimentos se desenvolvendo de forma mais natural. E como a produção aumenta, a demanda cai e o preço melhora. Estudos mostraram que o conteúdo de vitamina C parece ser significativamente influenciado pela sazonalidade. No espinafre, por exemplo, a vitamina C reduziu entre cinco e oito vezes quando ele foi colhida fora de época, em comparação ao espinafre colhido no pico da produção agrícola. No tomate e no brócolis, os estudos mostraram redução de 50%. A quantidade de caroteno também foi influenciada pela sazonalidade e colheita. O brócolis, fora de época, teve redução de 25%, e a cenoura, de 50%.

Segundo Alice, nesta época, as refeições devem seguir variadas, mas aumentar o consumo de vegetais pode ajudar a conseguir uma alimentação mais refrescante, mais leve e rica em nutrientes, além de menos calórica. “Aposte nas saladas de frutas, saladas de pote e sucos verdes. O congelamento de frutas picadas pode render sucos que prolongam a presença do alimento em seu momento mais nutritivo, mesmo fora da safra”, sugere a nutricionista. Entre os alimentos da estação estão abacaxi, kiwi, maracujá, mamão, morango, manga, pêssego, abobrinha, alcachofra, berinjela, beterraba, cenoura, ervilha, tomate, pimentão amarelo, agrião, almeirão, brócolis, espinafre e rúcula.

RECEITA


Salada verde com camarão e flores comestíveis

Ingredientes
» ½ xícara de pepino fatiado com casca
» 1 xícara de rúcula
» ¼ xícara de rabanete fatiado fino
» 80g de camarão cozido
» ¼ colher de chá de sementes de gergelim branco descascado
» 1 colher de sopa de molho para salada light
» Flores de amor-perfeito a gosto

Modo de preparo
Numa tigela, misture o pepino, a rúcula, o rabanete, o camarão, as sementes de gergelim e o molho para salada. Arrume no prato de servir e espalhe por cima as flores de amor-perfeito.

Na culinária

Flores

» Amor-perfeito: Tem textura aveludada e é refrescante. Boa para saladas ou aromatizar vinagres. Tem flavonoides e taninos que conferem propriedades anti-inflamatórias.

» Begônia: As flores de begônia podem ser encontradas nas cores vermelho, amarelo, laranja e rosada. São muito apreciadas pela sua acidez agradável. Suas flores podem ser usadas nas saladas, em arranjos e sobre coberturas. Rica em polifenóis e antioxidantes.

» Calêndula: Suas pétalas podem ser misturadas ao arroz, ao peixe, à sopa, aos queijos, iogurtes e omeletes, dando uma coloração como a do açafrão. Apenas as pétalas devem ser consumidas, desprezando-se o miolo. Rica em vitamina C e potássio, que podem auxiliar em processos de cicatrização. As pétalas e o pólen têm substâncias anti-inflamatórias.

» Capuchinha: Flores fáceis de cultivar e são boas recheadas, cristalizadas ou como ornamento. Têm um gosto ligeiramente apimentado. As sementes podem até ser usadas para substituir pimentas tradicionais. A planta inteira é comestível. São as preferidas para uma salada de verão. É rica em luteína, carotenoide e vitamina C, tendo propriedades que ajudam o processo digestivo.

» Flor de abobrinha e abóbora: Também conhecida como flor de cambuquira, pode ser recheada com queijo e acompanhar pratos salgados ou, ainda, servir de ingrediente para sopas. Rica em vitaminas A e C, minerais como cálcio e ferro, estimulantes do sistema imunológico.

» Violeta verdadeira: Não é a violeta-africana, encontrada nas floriculturas. Quando fresca, é usada em saladas. Cristalizada, pode ser usada para decoração de bolos, pudins e sorvetes. Tem compostos como eugenol e kaempferol, opção contra problemas gástricos como inchaços e flatulência. Tem também propriedades antissépticas.

Frutas, verduras e legumes

» Laranja – Contém vitaminas A, B C, cálcio, ferro, magnésio, fósforo, potássio, sódio. O ideal é consumir a fruta com o bagaço e assim que parti-la.

» Caju – Rica em fósforo, cálcio e vitamina C.

» Coco – Verde ou maduro, o valor nutritivo do coco varia de acordo com seu estado. À medida que a polpa amadurece, aumenta o seu teor de gorduras e apresenta ainda bom teor de sais minerais (potássio, sódio, fósforo e cloro) e fibras.

» Manga – Rica em minerais, como betacaroteno, vitaminas A, B, C, magnésio, fósforo, potássio, sódio, cálcio, ferro, manganês, selênio e zinco.

» Berinjela – Tem diversos nutrientes, como cálcio, fósforo, vitaminas B1, B2 e C, além de ser importante fonte de antocianinas.

» Brócolis – Rico em vitaminas A e C e antioxidantes, como glicosinolatos e betacaroteno. Tem grande quantidade de vitaminas do complexo B, enxofre, cálcio, ferro, zinco, ácido fólico e potássio.

» Couve – É rica em clorofila e glicosinolatos. Fonte de vitaminas A e C, betacaroteno, ácido fólico, cálcio, ferro, fósforo, potássio e principalmente magnésio.

» Espinafre – Os princípios ativos do espinafre são numerosos, sendo essa hortaliça rica em cálcio, fósforo e enxofre. Contém ainda vitamina A em quantidade apreciável e excelente conteúdo de vitaminas B e C.

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