SUS é considerado ruim ou péssimo por 54% dos brasileiros

Pesquisa realizada pelo Datafolha e encomendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) mostra que o tempo de espera para ter acesso a um procedimento é a principal queixa em relação ao Sistema Público de Saúde

por Da redação 13/10/2015 11:54

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Marcelo Sant'Anna/EM/D.A Press
Dois em cada dez entrevistados atribuíram nota zero tanto para os serviços de saúde da rede pública quanto privada no país (foto: Marcelo Sant'Anna/EM/D.A Press)
Pesquisa encomendada pelo Conselho Federal de Medicina (CMF) ao Instituto Datafolha revela que 54% dos brasileiros consideram ruim ou péssimo os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e 86% afirmou já ter procurado atendimento na rede pública, seja para si próprio ou para alguém da família.

O levantamento ouviu 2.069 pessoas – 59% delas residentes no interior – entre os dias 10 a 12 de agosto. A amostra é composta por homens e mulheres com idade superior a 16 anos e mostra a opinião dos brasileiros em relação ao SUS e à rede privada. Cerca de dois em cada dez entrevistados atribuíram nota zero tanto para os serviços de saúde da rede pública quanto privada. Quando a avaliação de ruim ou péssimo considera a saúde no Brasil como um todo, o percentual de insatisfeitos é de 60%. Clique aqui e acesse a pesquisa na íntegra.

De acordo com o levantamento, a saúde no Brasil é apontada por 43% como tema que deveria ser tratado como prioridade pelo Governo Federal. Na sequência apareceram educação (27%), combate à corrupção (10%), combate ao desemprego (7%), segurança (6%) e combate à inflação (3%). Moradia, transporte e meio ambiente apareceram, todos, com menos de 2% na pesquisa.

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Rede pública
O tempo de espera para ter acesso a um procedimento é a principal queixa que afeta o SUS: 36% avaliaram que a demora é o que mais prejudica o atendimento na rede pública. Em seguida, o baixo número de médicos (19%), a falta de estrutura (15%) e de organização (9%). Esses dados se referem aos 54% que avaliaram o SUS negativamente.

Já para os que deram notas positivas ao Sistema Único de Saúde (46%), a pouca demora (19%), a disponibilidade dos médicos (17%), o cuidado dispensado por esses profissionais (15%) e a estrutura existente (11%) ajudaram no processo.

Tempo de espera
Dos entrevistados, 29% declararam estar à espera de atendimento na rede pública. Deste grupo, 36% aguardavam para fazer consultas, 33% buscavam exames e 28% cirurgias. A mesma pesquisa foi encomendada em 2014 pelo CFM e, neste aspecto, o que se destaca quando se compara os dois momentos é o aumento do volume daqueles que estão na fila por uma resposta do SUS há mais de seis meses. O índice passou de 29%, no ano passado, para 41%, em 2015.

Não por acaso, o tempo de espera para atendimento é o fator que tem pior avaliação no âmbito do SUS. Para 89% dos entrevistados, esta dimensão merece notas que representam os conceitos péssimo, ruim ou regular. Na sequência aparecem os seguintes aspectos: quantidade de médicos (85% de avaliação negativa), qualidade da administração das unidades (83%) e quantidade de leitos de internação ou de UTI (81%).

Problemas de gestão
Para a maioria da população (77%) o governo tem falhado na gestão dos recursos da saúde pública. Na opinião de 53% dos entrevistados, o SUS não tem recursos suficientes para atender bem a todos, de forma equânime. Por outro lado, é elevada a concordância com a ideia de que os médicos precisam de estrutura para trabalhar (93%) e que merecem ser valorizados (86%).

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