Lendas da malhação: acabe de vez com as principais dúvidas

Não embarque na boataria dos vestiários. Convidamos dois especialistas para comentar assuntos muito recorrentes e controversos entre malhadores

por Revista do CB 07/10/2015 10:00

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Carlos Vieira/CB/D.A Press
Ti-ti-ti de academia gera muitas dúvidas entre os alunos (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Segundo o Ministério da Saúde, em pesquisa recente, 45,9% dos brasileiros são sedentários. Essa taxa é menor entre os mais jovens: por volta de 68% da população entre 15 e 19 anos afirma fazer atividade física regularmente, visando envelhecimento mais saudável e melhor qualidade de vida. A busca por uma vida fitness, porém, esbarra em muita desinformação. Com o intuito de dar uma “filtrada” nas lendas da malhação, convidamos alguns especialistas. Tenha sempre em mente, como lembra a personal trainer Carla D’Arcanchy: “A melhor esteira do mundo não vai fazer nada por você — depende o que você vai fazer com ela”.

A musculação é perigosa para quem tem osteoporose?
A osteoporose é uma doença que atinge geralmente idosos com baixa ingestão de cálcio ou deficiência de vitamina D, que é a responsável por fazer o aproveitamento do cálcio. Ela deixa os ossos porosos e fracos, portanto, mais suscetíveis a danos. Ao contrário do que possa parecer, porém, eles não correm risco ao serem expostos à musculação. Segundo o personal trainer Marcos de Godoy, a atividade influencia no aumento da produção da medula óssea amarela, um dos constituintes dos ossos e, portanto, só beneficia o praticante. “É extremamente importante, o primeiro exercício mais básico. O treino intercalado é útil para todos os tipos de lesão, é o tipo que mais costumo trabalhar”, complementa Carla D’Arcanchy. Para complementar a musculação, é recomendada uma atividade de baixo impacto, como caminhada.

O alongamento pós-treino pode facilitar lesões?
O ideal é que, antes e após a atividade, seja feito um alongamento leve para relaxar os músculos, e não um treino de flexibilidade, que é o responsável por lesões. “‘Quando você pré-estira a musculação, tensiona ela. Daí, se vai para a máquina com sobrecarga, pode gerar algum tipo de lesão”, afirma Marcos de Godoy. Carla lembra que o treino de flexibilidade é benéfico, mas pelo menos 24 horas antes da musculação. Desrespeitando esse prazo de descanso, não há por que submeter o corpo a uma atividade que ultrapassa o nível das articulações.

Se a atividade aeróbica é a principal responsável por queimar calorias, por que são recomendados exercícios localizados para acabar com a gordura?
Na verdade, o gasto calórico da musculação é superior ao de atividades aeróbicas, que deveriam ser apenas complemento do treino. Além disso, quanto mais musculoso o corpo, mais facilmente ele consome calorias. “A hipertrofia é muito mais vantajosa para quem quer emagrecer, perder massa gorda. O exercício aeróbico é bom para o cardiorrespiratório, para a parte de lazer e sociabilidade”, garante Carla. Além disso, o exercício localizado realmente não é o recomendado para solucionar pequenas bolsas de gordura pelo corpo. “O metabolismo é um só, não tem como direcionar”, lembra o personal trainer Marcos. Esse mito começou na década de 1990, com o boom do exercício localizado, que não é capaz de solucionar a gordura localizada, mas, a longo prazo, pode evitar flacidez.

O crossfit é uma atividade lesiva?

O crossfit é uma modalidade baseada na variedade de movimentos e esforços, como o levantamento de pesos e a corrida acelerada. Com a popularização, vieram também os boatos de a atividade ser fonte de lesões, atribuídas à grande variação de carga. Segundo Carla D’Arcanchy, o crossfit é uma atividade enriquecedora e basta um bom professor para auxiliar o aluno na execução. “Não existe exercício lesivo. Existe exercício malfeito”, setencia.

Leia também: CrossFit e o risco de lesão: o que é verdade e o que não é nesse tipo de treinamento?

Exercício aeróbico em jejum faz mal?
Mesmo entre profissionais há discordâncias sobre os benefícios da atividade física feita em jejum, geralmente pela manhã. Esse tipo de treino foi popularizado pelo livro Body for life, lançado em 1999 pelo treinador Bill Phillips, e logo ganhou milhares de adeptos que exibiam, orgulhosos, suas fotos de antes e depois da prática. Sobre o assunto, Carla d’Arcanchy é enfática: “A pessoa pode até morrer”. O jejum da manhã ocorre após o organismo ter sucessivas quedas na taxa de glicose, durante 6 a 10 horas, e a glicose usada passa a ser a da atividade cerebral. Portanto, a atividade pode desencadear de tonturas até desmaios. Além disso, o próprio resultado físico pode ser prejudicado. Como não há alimento disponível, o organismo passa a utilizar a gordura armazenada nos músculos. Dessa maneira, o músculo começa a se deteriorar. Por isso, Carla recomenda uma fonte de carboidrato antes do exercício, para criar uma reserva de energia pronta para o consumo. Já Marcos concorda que a atividade pode ser arriscada, mas afirma que existem perfis que se adaptam. “Não é para todo mundo. É necessário um condicionamento cardiorrespiratório e cardiovascular muito alto, uma estrutura muscular muito forte. Depende de quem está praticando. Eu trabalho com atletas de alto rendimento, alunos acima da média”, destaca.

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