Doe leite materno e ajude um bebê prematuro a ir mais cedo para casa

No Brasil, número de doações de leite humano ainda é baixo em relação à demanda no país. Segundo o Ministério da Saúde, 40% dos bebês internados em UTI neonatal não podem contar com o leite materno na sua alimentação

por Valéria Mendes 01/10/2015 09:48

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Arquivo Pessoal
"Para mim, doar é um ato de amor, é um gesto de gratidão pela saúde da minha filha" - Raquel Santiago é mãe de Maria Cecília, hoje com 6 meses, e doadora de leite (foto: Arquivo Pessoal )
“Enquanto eu tiver, vou doar”. A jornalista Raquel Santiago, 35 anos, conta que uma visita orientada ao Hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte, quando ela ainda estava grávida e planejava um parto natural na Casa de Parto da instituição foi o gatilho para que ela se tornasse uma doadora de leite. “Era um domingo à noite, eu estava grávida de oito meses e, nessa visita, conheci a UTI neonatal do Sofia Feldman, que recebe bebês do estado inteiro. Vi que algumas mães, por não terem a estimulação do bebê ou por estarem abaladas psicologicamente, não tinham leite para oferecer aos próprios filhos. Essa era a minha principal preocupação durante a gestação, nunca tive medo parto, mas tinha medo de não ter leite. A Maria Cecília [ela tem seis meses] já nasceu mamando e, três dias depois do parto, passei a ter muito leite. Como o meu peito ficava muito cheio, o pediatra me orientou que, antes de oferecer o seio à minha filha, que eu o esvaziasse um pouco para facilitar a pega dela. No início, eu ordenhava manualmente 500ml e jogava fora. Mas me lembrei da visita e me deu um desespero. No quinto dia depois que minha filha nasceu, falei para mim mesma ‘quero doar leite’”.

Raquel Santiago telefonou então para o Hospital Sofia Feldman e conta que recebeu todo o apoio para se tornar uma doadora. “Uma enfermeira veio à minha casa, viu como estava a amamentação da minha filha, me ensinou a fazer a ordenha manual e, desde então, passei a doar entre seis e oito vidros de 500ml por semana. Tive que voltar a trabalhar quando a Maria Cecília estava com quatro meses e meio de idade. Ela sempre mamou em livre demanda e meu objetivo era a amamentação exclusiva nos seis primeiros meses de vida dela. Quando ordenho para ela, tiro também para a doação. Obviamente ela é a minha prioridade e atualmente consigo retirar um volume menor de leite. O único trabalho que a mulher tem é o de ordenhar porque a unidade de saúde recolhe em casa os potes com leite em horário estipulado pela mãe. Para mim, doar é um ato de amor, é um gesto de gratidão pela saúde da minha filha”, sintetiza.

Dados do Ministério da Saúde (MS) mostram que o número de doações de leite humano ainda é baixo em relação à demanda no país. A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano consegue suprir apenas 60% da demanda para os recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados nas UTIs neonatais do Brasil. Isso significa que 40% desses bebês não podem contar com o leite materno em sua alimentação. O Dia Nacional de Doação de Leite Humano, comemorado em 1º de outubro, é uma oportunidade para sensibilizar mulheres que amamentam a doar leite.

Basta ser uma mulher saudável em período de amamentação para se tornar uma possível doadora. Aquelas que se interessarem em doar leite materno devem procurar uma unidade de saúde e passar por uma avaliação para constatar se está apta. Mulheres que fumam, bebem ou tomam algum medicamento que seja contraindicado no período de amamentação não podem ser doadoras. Outra exigência é não ter sido submetida a uma transfusão de sangue no último ano.

O leite é destinado a recém-nascidos que não conseguem sugar o peito das mães, aos bebês de baixo peso e prematuros. A doação de leite humano é muito importante para salvar vidas. Evidências científicas mostram que bebês prematuros e/ou doentes que se alimentam de leite humano no período de privação da amamentação possuem mais chances de se recuperarem e de terem uma vida mais saudável. Com o leite materno, o bebê prematuro ganha peso mais rápido, se desenvolve com mais saúde e fica protegido de infecções.

Beto Novaes/EM.D.A Press
Com o leite materno, o bebê prematuro ganha peso mais rápido, se desenvolve com mais saúde e fica protegido de infecções (foto: Beto Novaes/EM.D.A Press)


Belo Horizonte tem atualmente 14 pontos de coleta de leite humano. O volume de alimento doado é repassado à Maternidade Odete Valadares, hospital referência em banco de leite em Minas Gerais. Em 2015, já foram coletados 112 litros e, em 2014, 175 litros. O recolhimento do leite é feito pelas Equipes de Saúde da Família (ESF) que vão até a casa da doadora para buscar o leite.

Nutricionista e membro do Comitê de Aleitamento Materno do Hospital Sofia Feldman (HSF), Rafaella Bittencourt reforça que a unidade de saúde não recebe o volume de leite necessário para atender os bebês internados. O HSF é ponto de coleta de leite humano, mas está em fase de implantação do próprio Banco de Leite. Atualmente, o leite doado à instituição é encaminhado à Maternidade Odete Valadares para ser analisado e pasteurizado.

Como o Sofia Feldman é Hospital Amigo da Criança a instituição não usa mamadeira e os recém-nascidos são alimentados ou por sonda gástrica ou com um copinho plástico próprio para bebês em que o formato é adequado à boquinha da criança.

Rafaella Bittencourt afirma que cada litro de leite doado atende até dez recém-nascidos. “Além de carboidratos e proteína, a grande diferenciação do leite materno é a parte imunológica. É o único leite que oferece esse benefício e que tem um impacto grande no desenvolvimento da criança. A gente vê que o bebê que recebe o leite materno tem menos infecções, toma menos antibiótico e tem um bom ganho de peso”, salienta.


Veja vídeo do Minsitério da Saúde para o Dia Mundial de Doação de Leite Humano, comemorado em 19 de maio:


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