Gelo nas gordurinhas: conheça a criolipólise e entenda riscos do método que ganha cada vez mais adeptas

Método criado em 2009 e no Brasil há cerca de três anos, a criolipólise, que usa baixas temperaturas para acabar com a gordura localizada, virou a queridinha do momento

por Zulmira Furbino 16/09/2015 10:00

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Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Já reparou que, quando você quer emagrecer, o último local em que seu corpo perde gordura é justo aquele em que você gostaria que perdesse? E que, na situação contrária, ou seja, quando uma pessoa engorda, o tecido adiposo vai exatamente para o lugar que mais incomoda? Na tentativa de esculpir o corpo para conquistar um padrão de beleza o mais próximo possível do perfeito, a medicina estética já deu grandes saltos – e continua avançando. Depois da lipoaspiração, lipoaspiração a laser, ultrassom, carboxiterapia, endermologia, lipocavitação, radiofrequência e muitas outras técnicas, a criolipólise, método que usa baixas temperaturas para acabar com a gordura localizada, virou a queridinha do momento. Mas ela é realmente segura? Quais os riscos envolvidos? Quais cuidados devem ser tomados antes de se submeter ao procedimento?

A criolipólise é um método criado em 2009, a partir de pesquisas realizadas na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que mostraram que a gordura é destruída pelo frio. A novidade chegou depressa aos consultórios de dermatologistas, cirurgiões plásticos, clínicas de fisioterapia e estética nos Estados Unidos e, há cerca de três anos, aportou no Brasil. O aparelho resfria a área de gordura localizada a ser tratada até cerca de -7 graus, provocando uma lesão por expansão na parede da célula de gordura, conforme explica a dermatologista Valéria Campos, assessora do Departamento de Laser da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

O próprio organismo se encarrega de absorver a inflamação. “Os restos de célula e a gordura expulsa são interpretados pelo organismo como corpo estranho e consumidos pelo nosso sistema de defesa, num processo de fagocitose”, completa a dermatologista Adriana Biagione. A promessa é reduzir entre 20% e 25% a quantidade de gordura tratada por sessão, em locais como flancos, abdome, parte interna das coxas, culotes e partes superior e inferior das costas. O resultado pode ser notado em seis e oito semanas.

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
A economista Juliana Chiari diz ter perdido cerca de 2cm no local onde a calça mais apertava (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
O problema é que o sonho de um corpo mais esbelto e livre das gordurinhas que mais incomodam pode acabar em queimaduras e nódulos de necrose gordurosa. Outro risco, que atinge 0,1% dos pacientes, é o efeito inverso, a hiperplasia paradoxal, materializada no crescimento de uma gordura localizada em outro local do corpo. “Até o ano passado, 700 casos como esse foram descritos no mundo, e não se sabe quais os fatores de risco para que isso aconteça”, explica Adriana, que aplica a criolipólise desde 2011 e assegura que o método é realmente eficaz na redução da gordura localizada. Para evitar problemas, de acordo com ela, é preciso averiguar se o profissional é habilitado, já que a legislação brasileira não determina que profissões podem ou não a aplicar.

RESULTADO
“É importante passar por uma avaliação adequada, a região a ser tratada não pode ter hérnia”, avisa a dermatologista. De acordo com Valéria Campos, o primeiro cuidado é procurar uma clínica médica e um profissional que seja membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Ela explica que a Vigilância Sanitária visita regularmente essas clínicas e o mesmo não ocorre numa clínica de estética, por exemplo. Além disso, é preciso checar se o aparelho está entre os que são liberados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Deve-se, ainda, desconfiar de preços baixos demais e de serviços oferecidos por sites promocionais. O valor da aplicação em cada região pode variar entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil, mas, no mercado, é possível encontrar o serviço oferecido por 10 vezes menos.

O resultado é definitivo? Não, alertam os especialistas. Se houver ganho de peso, a gordura tende a se dirigir para onde cada organismo tem tendência de acumular tecido adiposo. Isso significa que, para manter o ganho do tratamento, é preciso ficar de olho na balança. A economista Juliana Chiari, de 46 anos, se sentia incomodada com a gordura na parte interna das coxas e resolveu testar o método. “Sempre fiz ginástica, mas lutar contra o DNA é aquela coisa. O tecido adiposo sempre se acumula no mesmo lugar, no meu caso, no quadril e na coxa”, explica. Juliana fez o tratamento e ficou satisfeita com o resultado. “O procedimento dura mais ou menos uma hora em cada região. Depois de realizado, o local fica sensível e um pouco vermelho por alguns dias, mas não precisei nem tomar analgésico”, lembra.

O resultado veio algumas semanas depois. “Um belo dia, me olhei no espelho e senti como se tivesse acontecido uma mágica. Notei muita diferença ao vestir minhas roupas e perdi cerca de dois centímetros de gordura no local onde a calça mais apertava. Agora, até engordei um pouco, mas o resultado da criolipólise se manteve”, comemora. Segundo o dermatologista Abdo Salomão, 40% dos aparelhos existentes no Brasil não são aprovados pela Anvisa. Por isso, é preciso escolher uma clínica de confiança e, na dúvida, pedir o número da nota fiscal do aparelho e checar com o fabricante se ele é original.

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