Coaching para mudanças imediatas

Num mundo cada vez mais frenético, as pessoas estão buscando respostas mais rápidas para enfrentar seus problemas e resolver suas dificuldades e contam com a ajuda de coaches

por Ludymilla Sá 06/09/2015 08:56

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Lelis / EM / D.A Press
(foto: Lelis / EM / D.A Press)
Abandonar a terapia convencional tem sido uma prática comum entre pessoas que querem dar novo rumo à vida pessoal ou profissional. Tentar compreender o presente pelos fatos ocorridos no passado e, a partir disso, planejar um futuro melhor está ficando fora de moda para alguns. As mudanças precisam ser imediatas, e os resultados, obtidos, basicamente, em 10 sessões. O psicólogo tem perdido espaço para o coach, uma espécie de “melhor amigo”, que vai segurar a mão do antigo paciente e agora coache e seguir com ele o rápido caminho para alcançar as metas preestabelecidas no primeiro encontro, conforme definição da master coach Lucélia de Andrade Germano Alves.

A palavra coaching – treinamento, em inglês – foi, primeiramente, utilizada nos esportes para denominar a atividade da pessoa que ajuda um atleta a melhorar seu desempenho. Com o passar dos anos, o termo foi expandido para outros campos da vida, como o corporativo e o particular. Hoje, o coach tem ganhado cada vez mais espaço no Brasil. Ele é procurado para ajudar alguém a ser feliz, a viver em harmonia consigo mesmo e com o ambiente externo, para auxiliar no processo de emagrecimento e até para ensinar a se vestir!

Andrea Arnoud é “mãe de trigêmeos mais um”, como ela mesma faz questão de salientar. Abandonou o sonho de se formar em design para acompanhar o pai de seus quatro filhos, transferido para o interior do estado por causa do trabalho. Na cidade onde foi morar, não havia nenhum curso relacionado à sua área de atuação e, assim, ela acabou se matriculando na faculdade de direito. “Era completamente infeliz”, afirma a até então dona de casa, que também não chegou a completar o curso. De volta a Belo Horizonte, depois de se separar do marido, aos 41 anos, decidiu dar um rumo na vida que a deixasse mais completa e feliz.


Para isso, buscou a ajuda de um coach de carreira. “Casei com meu primeiro namorado, que é o pai dos meus filhos, comecei a estudar design gráfico antes de me casar, mas não me formei. Ele foi para o interior e fui acompanhá-lo. Fiz direito no interior porque não tinha nada na minha área ou ligada a ela. Minha vida, na verdade, nem chegou a começar profissionalmente. Quando os trigêmeos estavam com 4 anos, engravidei inesperadamente. Então, você pode imaginar como foi tudo. Vivia para os meus filhos”, conta.

 

Andrea retornou para a capital decidida a retomar a vida que havia deixado para trás, mas estava completamente perdida. “Tentei voltar para o direito e percebi que nunca foi a minha praia. Fiquei ainda mais desesperada. Era o design que eu queria. Então, no início deste ano, procurei um coach, porque precisava focar. Antes disso, como não sabia o que era coaching, busquei me informar. Mostraram-me que era uma terapia bem objetiva, focada num determinado assunto. Queria focar num assunto específico que deixava em segundo plano. Realmente, pude comprovar que é assim, tem tempo de começar e tempo para acabar.”

Erika Renna/Divulgação
Mãe de quatro crianças e separada, Andrea Arnoud buscou ajuda de um coach para se inserir no mercado de trabalho (foto: Erika Renna/Divulgação)

RETORNO
Andrea iniciou o processo de coaching em março e terminou em julho. Durante o período, estabeleceu suas metas e as cumpriu. Descobriu o que realmente gostava e, hoje, faz design de interiores, já pensando no retorno ao mercado de trabalho.


Nesse processo, ela contou com o suporte da coach Marta Ribeiro, que é formada em psicologia e mestre em programação neurolinguística (PNL). A especialista é muito procurada para fazer coaching de carreira desde o vestibular até o processo de aposentadoria, trabalhando com dois extremos: o adolescente que está buscando uma carreira e uma pessoa que está encerrando a sua vida no mercado de trabalho. “Aposentar é um momento importantíssimo, pois a pessoa é a profissão, ela sente que acabou para a vida. No outro extremo, o adolescente, que às vezes é muito determinado, mas seu plano pode não ser o real. Então, a gente vai verificar, por meio da elucidação do perfil, se ele é passível de concretização. É buscar uma escolha coerente com a própria essência”, explica.


Cristina Horta/EM/D.A Press
O engenheiro Jordan Marinho procura desenvolver a espiritualidade para encontrar a paz interior (foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)
 

ESCOLHAS COERENTES

Depois de anos de terapia convencional, o engenheiro Jordan Marinho recorreu a um coach de fé e espiritualidade para adquirir mais tranquilidade e paz interior. “Fiz vários anos de terapia e percebi que o efeito é muito mais demorado. Queria uma resposta mais rápida, e o processo de coaching poderia ser uma solução. No caso do coaching de fé, como tenho uma ligação mais forte com a igreja, pois sou catequista, era uma alternativa mais próxima. Encontrei o profissional certo para conciliar a necessidade de mudança com essa questão da espiritualidade.”

Jordan afirma ter sido uma pessoa muito ansiosa e preocupada com o que os outros pensavam dele. “Mas, nesse processo de coahing, consegui entender que quem tem o controle da minha vida sou eu, que defino o quanto essas coisas externas me atingirão ou não. A partir dessa minha compreensão, minha forma de vida mudou. Determinados fatos que me incomodavam passam despercebidos hoje. Escolho sofrer ou não. Em termos práticos, sem desmerecer a terapia convencional, o processo de coaching foi mais rápido e mais objetivo do que qualquer outra opção.”

Para retomar as rédeas da vida, o engenheiro contou com a ajuda do coach de fé e espiritualidade Marcílio de Oliveira Castro. O especialista afirma, porém, que não se trata de uma área relacionada à religião, como muitos imaginam. “Vamos abordar a espiritualidade para buscar o sentido da vida em torno do desejo de ser feliz. E, por meio disso, começamos a ver o impacto nas outras áreas da vida”, explica o coach, contando que é mais procurado por pessoas com depressão profunda, tristeza ou por quem passou por momentos de perdas significativas, como a morte de um ente querido.

Segundo Marcílio, as pessoas são muito egoístas e materialistas. Por isso, sofrem de forma desnecessária. “O desafio é fazer com que a pessoa mude o seu padrão de pensamento, mude a forma de olhar para a vida, trabalhando não mais no nível da mente e da emoção, mas do coração, que é uma área pouco explorada. Queremos fazer transformação no termo da mente, as pessoas precisam conhecer o verdadeiro sentido da vida, buscar um colorido mais vivo para ela.”

PSICOLOGIA POSITIVA
Segundo Lucélia Alves, o processo de coaching está relacionado à psicologia positiva, baseada na perseverança, que é diferente da psicologia convencional. Por isso, os resultados são mais objetivos e têm agradado quem está em busca de mudanças mais rápidas. “A persistência é definida como a continuação de uma ação voluntária em direção a um objetivo, apesar dos obstáculos, dificuldades ou desencorajamento. O professor tem de ter uma escuta ativa e o poder de perguntar o tempo todo, porque tarefas serão estabelecidas por meio do que a pessoa está dizendo, e as metas, firmadas. Posso dizer que é o método mais eficiente para se chegar a um objetivo”, assegura.
 


Jair Amaral/EM/D.A Press
A coach e psicóloga Verônica Bistene diz que a pessoa só vai obter sucesso no seu propósito se ela estiver saudável, se estiver bem (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
 
Jair Amaral/EM/D.A Press
Depois que conheceu o processo, a fotógrafa Ludmila Duarte acredita que pode viver sem a terapia convencional (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

RESPONSABILIDADE E ÉTICA ANDAM JUNTAS

Trocar a terapia convencional pelo coaching não é, necessariamente, a melhor alternativa. Pelo menos é o que afirma a coach e psicóloga Verônica Bistene Salas Loscha, do Instituto Mineiro de Endocrinologia. Segundo a profissional, mais do que a preparação para ajudar o coachee nas metas preestabelecidas no primeiro encontro, o coach precisa ter a capacidade de avaliar qual é a real necessidade do cliente.


O trabalho do coach também envolve responsabilidade e, especialmente, ética, conforme destaca Verônica. “Se eu detectar, na primeira sessão, que o problema do cliente é clínico, se ele tem alguma patologia e precisa de um tratamento psiquiátrico, por exemplo, vou encaminhá-lo para um especialista de confiança, sempre ligado, no meu caso, ao instituto de endocrinologia. A pessoa só vai obter sucesso no seu propósito se ela estiver saudável, se estiver bem.”

Nesse sentido, trocar um processo pelo outro não seria indicado, ao contrário do que pensa a fotógrafa Ludmila Duarte, de 26 anos. Ela procurou Verônica para iniciar o coaching de carreira, mas, logo no início, foi determinado que teria de fazer coaching de vida (life coaching) para equilibrar todas as outras áreas. Paralelamente, deu continuidade às sessões de psicoterapia.

“A terapia está me ajudando muito a resolver bobeirinhas da vida, às vezes, tenho tudo na mão, mas estou para baixo. O coaching é uma coisa mais prática. Não tenho muito tempo para lamuriar. Há prazos e objetivos a serem alcançados e a gente tem de correr atrás. Assim, acho que hoje viveria sem a terapia convencional.”

 

Para a psicoterapeuta Luciana Campelo, o processo de coaching complementa a terapia. “O coaching agrega ao processo terapêutico, mas não o substitui. Ele é terapêutico na medida em que a técnica promove evolução e bem-estar ao indivíduo, mas não é um tratamento psicológico. Coaching é um instrumento, uma ferramenta. E é interessante na medida em que a pessoa busca focar uma questão objetiva e atual, não é uma prática profunda, mas trabalha as forças e as virtudes da pessoa fazendo uso de exercícios, técnicas, intervenções positivas, como gratidão, otimismo, coragem etc.”


Luciana desmitifica a ideia de que a psicoterapia é um processo longo e demorado. “A psicoterapia é um processo profundo, mas não necessariamente longo. As pessoas procuram psicoterapia pelos motivos mais variados. A dinâmica e o tempo desse processo dependem do cliente, de como as sessões são conduzidas, como a pessoa vive sua psicoterapia fora da sessão, da perspectiva teórica do psicoterapeuta. Psicoterapia ser longa não é regra ou condição. É uma possibilidade.”

Equilíbrio Segundo a especialista, o ser humano é uma rede, determinado por sua própria organização e estrutura, e nada disso pode ser descartado. Diferentemente do que ocorre no coaching. “Ele tem passado, presente, futuro, genética, circunstâncias de vida, pensamento e comportamento se mantendo em equilíbrio dentro dos seus limites. A escuta dessa rede e a condução dela dentro de uma psicoterapia é completamente diferente do que é para um coach.”

Por isso, na avaliação da psicóloga, é preciso ter cuidado na escolha de um coach. “Há uma criação desenfreada de coach. Alguns vendem promessas completamente utópicas sobre a felicidade e realização. Hoje em dia, há coachs para tudo e todo mundo pode ser. Criou-se uma demanda mercadológica, que promete vender passagem apenas de ida para a felicidade. Ora, a felicidade não é um estado contínuo, ela ocorre eventualmente, e a gente só percebe sua existência pela ausência dela. Só podemos desejar aquilo que nos falta.” 

“O mercado vende a ideia de que a pessoa não pode viver fracassos, ter dúvidas, sentir solidão, tristeza ou qualquer coisa que aponte para seus buracos existenciais. E, se uma parte do mundo vende essa ideia, uma outra compra por um preço muitas vezes alto para ter respostas imediatas, que não geram mudanças profundas e que, inevitavelmente, em algum momento da vida, reaparecerão”, destaca.


Identificando a necessidade de coaching...

» Está insatisfeito com os resultados em alguma área de sua vida e está em conflito? Percebe que tem muito mais potencial para oferecer e não sabe por onde começar?

» Você está em fase de transição de carreira ou emprego e não sabe como fazê-lo? Tem dúvidas se está exercendo a melhor opção?

» Tem dúvidas quanto ao seu perfil profissional? Se quer ser empreendedor ou empregado?

» Embora tenha muitos objetivos, você desiste com frequência antes de alcançá-los?

» É bem-sucedido em algumas áreas da vida, mas tem necessidade de desenvolver outras que lhe causam insatisfação e não sabe o que fazer?

» Como líder, tem dificuldades de extrair o melhor resultado de sua função e de sua equipe?

» Você deseja ser mais criativo e intuitivo, mas seus resultados estão abaixo de suas expectativas?

Mudanças positivas

O Coaching é um processo de desenvolvimento de competências focado em liberar o potencial e maximizar a performance dos indivíduos na vida pessoal e profissional. Favorece oportunidades de mudanças positivas e duradouras, com direcionamento e foco, possibilitando ganhos de performance e melhor administração do tempo. Ajuda na identificação de uma missão pessoal e profissional e na definição de prioridades, além de auxiliar na identificação de ações que aumentem o nível de satisfação das pessoas com todas as áreas da vida. Sua essência é ajudar uma pessoa a ser a melhor pessoa que possa ser, assim como orientá-la a seguir a direção desejada. Ele cria consciência, potencializa a escolha e leva a refletir, chegar a conclusões, definir ações e, principalmente, agir em direção aos objetivos, metas e à mudança desejada pelo cliente.

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