Autoimagem supervalorizada: mais de 2 milhões de brasileiros fizeram intervenção estética em 2014

Mulheres ainda são maioria, mas homens também estão mais vaidosos

por Ellen Cristie 17/08/2015 09:30

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
REUTERS/Mike Segar
Especialistas acreditam que crescimento vertiginoso em todo o mundo deve-se a fatores como ascensão social e técnicas cirúrgicas e de anestesia sofisticadas (foto: REUTERS/Mike Segar)
Toxina botulínica e prótese de silicone lado a lado – o primeiro, procedimento não invasivo, e o segundo, cirúrgico – lideram a preferência de 20 milhões de pessoas em todo o mundo que se submeteram a algum tipo de intervenção estética em 2014. Os Estados Unidos são os campeões, com 20,1% de todas as intervenções cirúrgicas – o que corresponde a mais de 4 milhões de procedimentos, seguidos pelo Brasil (10,2%), com mais de 2 milhões, e Japão (6,2%), com 1,2 milhão de intervenções.

A pesquisa “Global Statistics on Cosmetic Procedures” acaba de ser divulgada pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (Isaps), entidade que concentra mais de 2,7 mil cirurgiões certificados de mais de 95 países. O ranking aponta outras curiosidades: enquanto a toxina botulínica continua sendo a 'queridinha' mundial entre homens e mulheres, o aumento dos seios (mamoplastia de aumento) é o preferido por elas, e a cirurgia de pálpebra, a mais solicitada por eles.

João Carlos Martins/Encontro
"A tendência para um futuro próximo é, sem dúvida, o uso de células-tronco" - Teófilo Taranto, cirurgião plástico (foto: João Carlos Martins/Encontro)


Para Teófilo Taranto, cirurgião plástico titular da Sociedade Brasileira de Cirúrgia Plástica (SBCP) e cirurgião plástico do Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte, o crescimento do número de cirurgias plásticas de maneira vertiginosa em todo o mundo deve-se a fatores como ascensão social e técnicas cirúrgicas e de anestesia que permitem a realização de procedimentos ambulatoriais e ao ideal de beleza contemporâneo, que concebe o corpo magro, com definição muscular e seios mais volumosos.

O especialista, que realiza, em média, 50 cirurgias por mês, cita, inclusive, a influência do mercado de trabalho e das novas tecnologias. “Recentemente, a grande facilidade de acesso a fotografias, proporcionada especialmente pelas selfies, tem mandado muitas pessoas ao consultório dos cirurgiões plásticos em busca de uma autoimagem mais positiva.”

Quinho / EM / D.A Press
Clique na imagem para ampliá-la e saiba mais (foto: Quinho / EM / D.A Press)


INVERSÃO

Se em 2000 Teófilo Taranto realizava 111 cirurgias para reduzir mamas e apenas 44 para aumentá-las, em 2013 esses números se inverteram notavelmente: foram realizadas 125 cirurgias para aumento e apenas 33 para redução mamária. “Essa inversão se deve à mudança do padrão de beleza, uma vez que homens e mulheres brasileiros passaram a admirar seios mais volumosos, e à melhora da qualidade das próteses de silicone, encorajando os cirurgiões plásticos a indicar mais seu uso”, explica.

Segundo dados da SBCP, aproximadamente 70% das cirurgias plásticas são de caráter estético e 30%, de cunho reparador (a exemplo da reconstrução da mama. Tumores de pele também figuram nessa última categoria). Letícia Santos de Oliveira, de 35 anos, implantou silicone nos seios aos 28 e hoje se diz realizada com a cirurgia. “Foi a melhor coisa que fiz. Me sentia envergonhada porque meus seios eram muito pequenos e agora uso decotes e vestidos mais justos”, diz.

Entre os maiores avanços apontados por Teófilo Taranto nos últimos anos, estão a microcirurgia, a lipoaspiração e a videoendoscopia frontal (cirurgia com pequenas incisões para tratamento da região frontal). “A tendência para um futuro próximo é, sem dúvida, o uso de células-tronco”, explica. O especialista destaca ainda a importância de se sentir bem combinado à autoimagem positiva como condição indispensável ao bem-estar psicológico e, consequentemente, à saúde. Uma pessoa que recorre à cirurgia plástica com essa finalidade exerce uma atitude positiva e que significará aumento da autoestima e possibilidade de melhor relacionamento consigo mesmo e com seus pares.

Euler Júnior/EM/D.A Press
Luciana Saraiva diz que, com a evolução, os homens também têm mostrado interesse pela estética (foto: Euler Júnior/EM/D.A Press)
Procedimentos não invasivos  lideram o ranking
A toxina botulínica consolida seu reinado como a preferida dos brasileiros entre os procedimentos estéticos não cirúrgicos. De 715.212 intervenções não invasivas registradas em 2014 no Brasil, a substância foi usada por 355.581 pessoas, o que corresponde a 49,72%.

Nos consultórios médicos e clínicas de estética, a procura por procedimentos minimamente invasivos e com ausência de tempo de recuperação é uma realidade. Muitos pacientes também procuram os especialistas para sanar problemas como melasma (manchas), hiperidrose (suor excessivo), psoríase, micose, dermatites, acne e alergias.

Segundo Luciana do Espírito Santo Saraiva, especialista em dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, a toxina botulínica e preenchedores à base de ácido hialurônico são os mais solicitados. "É possível ir trabalhar logo após a realização desses procedimentos. Raramente, eles podem deixar pequenos roxinhos na pele, que são facilmente disfarçados com uma boa maquiagem", explica. Ela também cita os lasers, que podem ser realizados sem nenhum tempo de recuperação.

A administradora de empresas Cláudia Paim Rosa, de 44, submeteu-se à aplicação de toxina botulínica recentemente na região da testa e dos olhos. “É a segunda vez que faço e aprovo totalmente o resultado. Não teria coragem de fazer plástica no rosto”, comenta. Cláudia ainda pensa em fazer lipoaspiração no ano que vem.

NATURAL
Luciana Saraiva atesta a modernização tecnológica, mas reforça que o mais importante é “preservar a naturalidade, o uso de produtos de boa qualidade e uma técnica apurada, fatores indispensáveis para assegurar resultados satisfatórios”.

Entre os procedimentos mais modernos, estão os lasers e outras técnicas denominadas de drug delivery, baseadas na produção de microperfurações, permitindo que os medicamentos atuem em camadas mais profundas da pele. Com a evolução, os homens também têm mostrado interesse por tratamentos estéticos. “Na minha clínica, estatisticamente, já são 20 homens para 80 mulheres”, acrescenta a dermatologista.

Quinho / EM / D.A Press
Clique na imagem para ampliá-la e saiba mais (foto: Quinho / EM / D.A Press)

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE SAÚDE PLENA