Dúvidas e problemas sobre sexo diferem em cada fase da vida, mas tabu acompanha todos os públicos

Psicóloga e educadora sexual, Laura Muller lança 'Meu amigo quer saber tudo sobre sexo'

por Carolina Cotta 14/08/2015 10:00

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Reprodução Internet - Filme 'Cinquenta tons de cinza'
A vergonha de conversar sobre sexo vem diminuindo, mas ainda é tabu (foto: Reprodução Internet - Filme 'Cinquenta tons de cinza')
“Tenho um amigo que vive procurando na internet como fazer sexo... Esse é o melhor jeito?” O questionamento, de um adolescente, explicita dois fenômenos da educação sexual: um bem atual, outro nem tanto. O tabu em cima da sexualidade, de origem histórica, ainda gera vergonha quando o assunto é sexo, embora isso venha diminuindo com o passar do tempo. Mas as mesmas mudanças sociais que amenizam esses constrangimentos trazem novas questões, e, com elas, novas vergonhas, caso das dúvidas que envolvem sexo na internet. A resposta para a pergunta acima e para tantas outras estão no recém-lançado livro Meu amigo quer saber tudo sobre sexo (Editora Leya), da psicóloga e especialista em educação sexual Laura Muller.

Sexo é um tema universal e atemporal, mas para a especialista o cenário atual inclui novas transformações e novas questões. Um exemplo são as relações sexuais e amorosas favorecidas pelas redes sociais e aplicativos, que ganharam um capítulo próprio no livro. “Isso é dos últimos tempos. As pessoas têm, hoje, relacionamentos favorecidos pela internet, configurando um novo modo de viver as relações amorosas. Há, claro, prós e contras nesse comportamento. O que sugiro às pessoas que me perguntam sobre como lidar com isso é cautela: é importante não se expor demais e ver até onde essa prática não vai ferir a pessoa emocional ou fisicamente”, alerta Laura.

Reprodução Internet
"As pessoas estão mais abertas, estão mostrando a cara, levantando a mão e perguntando. Ainda é tabu, mas está melhorando" - Laura Muller, psicóloga e especialista em educação sexual (foto: Reprodução Internet )
Essa influência da internet trouxe “problemas” que não existiam para os adolescentes de 10 anos atrás... Eles querem saber, por exemplo, como lidar com o namorado que pede uma foto sensual pelo celular, imagens “comprometedoras” vazadas nas redes sociais, teor das mensagens trocadas por escrito, oferta de vídeos eróticos nas telas, cada vez mais privadas. Segundo Laura, entre as dúvidas apresentadas, muitas estão relacionadas a questões particulares, mas há também muita curiosidade por situações que não vivenciam. “Às vezes, é a curiosidade de entender como é a relação sexual em outra cultura ou entre pessoas do mesmo sexo, mas, em geral, são dúvidas comuns a um grupo.”

DIFICULDADES
Os homens adultos, por exemplo, perguntam muito sobre as dificuldades sexuais masculinas – de ereção, ejaculação e desejo – e as mulheres adultas querem saber das dificuldades em obter o orgasmo, dor na penetração e também sobre desejo sexual. Além disso, elas se preocupam com a educação dos filhos. “Querem entender a melhor forma de orientá-los na infância e na pré-adolescência”, comenta Laura. Segundo a especialista, o público jovem está mais interessado na iniciação sexual, como evitar e lidar com uma gravidez fora de hora, como evitar e lidar com a descoberta de uma doença sexualmente transmissível (DST) e a prática do sexo em si, incluindo aí o afeto, o prazer e a diversidade sexual.

Se as dúvidas variam, a dificuldade de abordar o problema é perceptível em qualquer faixa etária. Segundo Laura, a origem dessa vergonha está em uma longa história de repressão sexual. “No século 18, até o 19, o sexo só era permitido com fins reprodutivos. Qualquer prática que não fosse a penetração vaginal era considerada anormal. Sexo oral, anal e entre pessoas do mesmo sexo, portanto, não eram aceitos. Foi aí que nasceram as inibições e o mito de que há algo de errado na homossexualidade, o que é uma bobagem, pois, na realidade, é só a forma como a pessoa sente desejo”, explica. Mas a especialista vê uma mudança nas últimas décadas. “As pessoas estão mais abertas, estão mostrando a cara, levantando a mão e perguntando. Ainda é tabu, mas está melhorando. Por outro lado, vai demorar muito tempo para as pessoas ficarem totalmente à vontade. Se ficarem”, sugere.

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