Belo Horizonte ganha novo pronto-atendimento privado em pediatria

Hospital Felício Rocho inaugurou serviço em julho. Atendimento é de 7h às 22h, mas existe a possibilidade de ser tornar 24 horas

por Valéria Mendes 11/08/2015 14:20

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Divulgação
PA tem a capacidade de realizar 100 atendimentos por dia (foto: Divulgação)
A rede suplementar de saúde em Belo Horizonte acaba de ganhar um novo pronto-atendimento em pediatria. Depois de interromper o serviço em 2011, o Hospital Felício Rocho inaugurou em julho o novo local que tem a capacidade de realizar 100 atendimentos por dia. A notícia, apesar de ser um cisco diante da crise no atendimento pediátrico na capital e no Estado - com o fechamento de 18 serviços, entre públicos e privados, nos últimos sete anos -, foi bem recebida pela Sociedade Mineira de Pediatria (SMP). “A reabertura do PA do Felício Rocho, mesmo sendo em horário parcial, agrega oportunidade de atendimento para crianças. Nos últimos anos assistimos a um aumento no número de contratados na saúde suplementar sem o crescimento na rede de atendimento para esses novos clientes”, observa a presidente da SMP, Raquel Pitchon.

Leia também: Pediatria em BH: poucos hospitais, déficit de profissionais e muitos dramas

Aberto das 7h às 22h, o corpo clínico do pronto-atendimento pediátrico do Hospital Felício Rocho é composto de 46 médicos de diferentes especialidades: alergologia, endocrinologia gastroenterologia, hebiatria, imunologia, infectologia, intensivista, nefrologia, neonatologia, neurologia, nutrologia e pneumologia. De acordo com o diretor de Produção Técnica e Científica do hospital, Francisco de Assis Teixeira Guerra, o atendimento pode se tornar 24 horas. “Desde a inauguração, a demanda é crescente haja vista que há uma carência de pronto atendimento em pediatria em BH. Estender o atendimento é uma possibilidade desde que não se comprometa a excelência no atendimento, que é a nossa prioridade”, afirma. (Veja no final da matéria a lista de convênios atendidos na unidade de saúde).

Uma criança entre 0 e 3 anos tem, em média, de seis a oito doenças virais por ano. Isso faz com que a necessidade de atenção básica de meninos e meninas seja mais frequente que de um adulto. Minas Gerais tem 2.820 pediatras, 1.213 estão concentrados na capital. Se em BH o número se enquadra na recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), quando o cenário é o Estado a situação é grave. “São vários os municípios mineiros que não têm pediatra”, afirma Pitchon.

A presidente da SMP revela, entretanto, um interesse quase 50% maior de médicos pelo título de pediatria. Em 2013, o Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRMMG) registrou 62 inscritos. Em 2014, o número passou para 91 e, neste ano, 92 médicos se candidataram ao título.

Rede pública
Recentemente, o jornal Estado de Minas abordou a crise enfrentada pelo Hospital Infantil João Paulo II (HIJP II), antigo Centro Geral de Pediatria (CGP), em Belo Horizonte, com a falta de pediatras para atendimento de urgência na capital mineira (leia matéria completa aqui). A presidente da SMP reforça que a situação é preocupante já que é o HIJP II é o único serviço de pronto-atendimento 24 horas em BH. “Além das mudanças na estrutura física que o hospital precisa, é necessária a admissão de pelo menos 32 pediatras para a unidade de saúde. Banalizar a crise pela falta de pediatra em BH não se sustenta”, observa.

Cultura do pronto-atendimento
O atendimento de urgência é muitas vezes banalizado pelas famílias que procuram o pronto-atendimento para questões que devem ser tratadas em consultório ou nos centros de saúde como situação vacinal da criança, crescimento, dúvidas em relação à alimentação ou desempenho escolar. Raquel Pitchon reforça a necessidade em se combater a “cultura do pronto atendimento”. “A consulta no PA é rápida, voltada para a queixa principal. O que se refere ao controle do desenvolvimento da criança não deve ser tratado no atendimento de urgência”, diz.

No entanto, a presidente da SMP reconhece que a crise na pediatria dificulta o agendamento ambulatorial e sobrecarrega outros serviços. “Muitas vezes a mãe chega ao centro de saúde e não encontra pediatra. Recorre à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e também não consegue. Vai então a um hospital de referência, que fica sobrecarregado”, explicou Pitchon ao Estado de Minas.



O Pronto-atendimento pediátrico do Hospital Felício Rocho funciona de 7h às 22h na Rua Timbiras, 3585, Barro Preto, em Belo Horizonte.

Convênios atendidos:

ABEB (Arcelormittal)
ABET
Agros
Amil
AMMP SAÚDE (Associação Mineira de Assistência a Saúde dos Membros do Ministério Público)
Bacen (Banco Central do Brasil)
Bradesco Seguros
Cemig Saúde
Copass (Copasa)
FUNDAFFEMG
FUSEx
Marítima
Mediservice
Petrobrás Disbel
Plan Assiste - Procuradoria da República
Plan Assiste - Procuradoria Regional do Trabalho
Saúde Caixa
Saúde Sistema
SulAmérica
Usisaúde (Usiminas)
Vale/Pasa

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