Equipamento inovador permite fazer autópsias sem procedimentos invasivos

De fabricação mineira, máquina agiliza processo de legistas

por Lilian Monteiro 10/08/2015 11:09

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VMI Sistemas de Segurança / Divulgação
Alan Viegas, diretor técnico da VMI, garante que o funcionamento é simples, apesar de ser um equipamento de alta tecnologia (foto: VMI Sistemas de Segurança / Divulgação )
Uma história que teve início em 1985, com a fabricação de equipamentos hospitalares, e hoje ultrapassa os limites de Lagoa Santa, na Grande Belo Horizonte, sede da VMI Sistemas de Segurança. No ano em que completa três décadas, a empresa lança equipamento inovador que permite fazer autópsias sem a necessidade de procedimentos invasivos. A demanda surgiu da necessidade de a Polícia Científica e de os Institutos Médicos Legais (IMLs) fornecerem laudos periciais com agilidade e alto detalhamento. Até então, máquinas de raios X para uso hospitalar, ao redor do mundo, eram adaptadas para a geração de laudos em IMLs.

O Flatscan DF80 surgiu para agilizar o processo do legista. O aparelho utiliza tecnologia digital, aliada a um gerador de raios X de alto desempenho, com gravação do conteúdo das imagens em arquivo próprio. Assim, é possível obter, instantaneamente, imagem digital de alta resolução, que pode ser enviada pela internet. Atualmente, é o único equipamento do mundo voltado para o uso em institutos médico legais, já tem certificações americanas como Food and Drug Administration (FDA) (Administração de Comidas e Remédios, em português) e Underwriters Laboratories (UL) e está sendo testado nos EUA.

A empresa é pioneira no desenvolvimento dessa tecnologia, sendo a única no mundo a oferecer um produto que possibilita à Polícia Científica e aos IMLs maior dinamismo e precisão na identificação da causa do óbito. “Esse equipamento causou euforia em todos os médicos-legistas no Brasil e a empresa espera torná-lo padrão em todo o mundo”, revela o presidente da VMI Sistemas de Segurança, Otávio Moraes.

O diretor industrial da empresa, Alan Viegas, explica que o equipamento “gera imagens de raios X de alta resolução e padrão médico, o que possibilita uma análise detalhada da causa da morte, sem a necessidade de procedimentos invasivos. Apesar de ser um equipamento de alta tecnologia, seu funcionamento é simples. O corpo é introduzido em um túnel de roletes motorizados, passa pelos raios X e a imagem é gerada em quatro segundos”.

Alan garante que não há nenhum equipamento similar no mundo. “Atualmente, os IMLs utilizam equipamentos de raios X médico convencionais, que apresentam diversas dificuldades na geração do exame e no posicionamento do corpo. Como a VMI tem expertise na fabricação de equipamentos médicos (a divisão da área médica da empresa foi comprada pela Philips) e relacionamento em diversas áreas, surgiu a demanda que motivou o desenvolvido do Flatscan.”

Os principais benefícios do equipamento são a agilidade na geração da imagem para análise pericial e a praticidade de manipulação do corpo pela esteira de roletes. “Além disso, o Flatscan é um equipamento que dispensa sala especial para ser operado. Enquanto os raios X médicos convencionais precisam de uma sala toda revestida de chumbo, ele não. Ele é blindado e protege todos a sua volta, gerando economia e praticidade. Outro benefício é a higienização, por ser de inox e ter materiais de fácil limpeza.”

Alan reforça que o Flatscan é algo novo e que tenha superado as tecnologias utilizadas atualmente, além de amplificar a produtividade no dia a dia do médico-legista. “Ele é 100% seguro. É um equipamento de alto desempenho na geração de imagem e auxilia os médicos-legistas nas análises. Os erros podem ocorrer no diagnóstico, mas a imagem é de alta confiabilidade e aumenta muito o índice de acerto.”

O diretor conta que a empresa levou três anos para desenvolver o Flatscan, que começou a ser produzido no fim de 2013. “A ideia da criação surgiu de uma necessidade do Instituto Médico Legal de São Paulo, uma vez que os IMLs, em geral, têm dificuldade de fazer a radiografia dos corpos para identificação da causa da morte com os equipamentos utilizados atualmente. Testes comprovam que o Flatscan substitui quatro equipamentos convencionais para realizar os mesmos exames, o que o torna indispensável em momentos que necessitam de maior agilidade e qualidade na análise e geração de laudos periciais. A máquina já está no mercado e, até o momento, foram vendidos 10 equipamentos (nove para o Brasil e um para a Califórnia).”

POPULAÇÃO
Alan explica que o Flatscan é um equipamento desenvolvido para atender às demandas dos IMLs, mas há interesse do Exército de países como EUA e da África. “O Flatscan tem as certificações internacionais CE, UL e ETL, as quais credenciam a sua venda mesmo para os países da Europa, EUA e Canadá e validam a alta qualidade e desempenho do equipamento.”

Conforme o diretor, existem relatos de médicos-legistas de que há diagnósticos que já levaram mais de 48 horas para serem realizados. “Com o Flatscan (de tecnologia brasileira), casos semelhantes são solucionados em menos de 40 minutos, devido à praticidade da realização de exames.” Ele alerta que a população será beneficiada à medida que “haja casos em que as famílias das vítimas ficam com informações inconsistentes. Com o equipamento, o índice de assertividade eleva o esclarecimento de casos complexos”.

Alan antecipa que, com o avanço da tecnologia, o Flatscan já chega ao mercado com a possibilidade de se superar. Ou seja, há espaço para uma evolução a partir desse inédito equipamento. “As mudanças evolutivas já estão ocorrendo. Lançaremos, em breve, o Flatscan Dual Wiew, que permitirá a realização de exames em diferentes graus. O atual Single Wiew faz exames apenas em uma posição. Isso facilitará ainda mais o trabalho dos médicos-legistas na realização de exames de uma determinada parte do corpo, em diferentes ângulos.”

Vídeo ajuda a entender o equipamento:

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