Água alcalina ajuda a regular a acidez do organismo; entenda

Muitas pessoas vêm adotando a água alcalina na dieta por seus supostos benefícios à saúde. Porém, o balanço entre acidez e alcalinidade no organismo depende de vários fatores

por Revista do CB 17/07/2015 09:00

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Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Dimara Ribeiro começou a beber água alcalina há pouco mais de um ano: melhora nos sintomas da gastrite (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Preocupar-se com pH, ácidos e bases parece necessário apenas nas aulas de química. No entanto, esses conceitos podem ser úteis no cotidiano como aliados da saúde, principalmente na alimentação. O consumo excessivo de alimentos com efeito ácido no organismo, como carnes e embutidos, é capaz de elevar a acidez no corpo. Essa condição é propícia para o desenvolvimento de problemas, desde azia a doenças degenerativas. A alternativa é adotar uma dieta que priorize alimentos mais alcalinos, como frutas, verduras e legumes.

A nutricionista Michele Bezerra destaca algumas consequências negativas de alterações nos níveis de pH, os valores de acidez e alcalinidade. “O desequilíbrio no pH é a porta de entrada para uma série de problemas, como cálculo renal, obesidade, câncer, doenças gástricas, sensação de fadiga, problemas na pele e nos ossos, entre outros”, enumera.

Um dos motivos por que isso ocorre é devido ao esforço do organismo para equilibrar o pH sanguíneo, cujo nível ideal está entre 7,35 e 7,45. “O corpo retira minerais alcalinos — como magnésio, potássio e sódio — dos órgãos e outras estruturas e leva para o sangue. Assim, ele pode acabar desequilibrando outras partes (que precisariam desses minerais)”, pontua Michele.

E até a água merece atenção. A nutricionista aponta que a água consumida atualmente tende a ser mais ácida, devido ao processo de industrialização e tratamento, com adição de cloro e flúor. Ela considera que buscar opções de água mais alcalina pode contribuir para a saúde. Hoje, uma das formas comuns de alcalinizar a água é com o uso de filtros especiais.

Há cerca de um ano e meio, a pastora e psicóloga Dimara Ribeiro, 33 anos, começou a usar um filtro com esse propósito. Ela considera que a escolha melhorou problemas digestivos da família. “Fez bastante diferença. Depois que começamos a tomar esse tipo de água, eu não tenho mais dores no estômago por causa de gastrite, e o meu marido sentiu menos azia.” A pastora lembra que, antes, eles precisavam tomar medicação quase todas as semanas para aliviar os sintomas e que tinham “estoques de antiácidos” em casa. Dimara também deu maior atenção para a água comprada fora de casa. Ela começou a olhar a informação sobre o pH nos rótulos e a dar preferência a produtos com níveis mais altos, ou seja, mais alcalinos.

A nutróloga Paloma Carvalho recomenda o uso de água alcalina, mas faz uma ressalva. “Não há grandes estudos de centros científicos sobre isso, apesar de existirem alguns artigos. Também não há recomendação de associações de nutrologia ou outras vertentes médicas para introduzir a água alcalina.” Apesar da necessidade de comprovação científica, a nutróloga considera que a água alcalina (e a alimentação alcalina, de modo geral) traz benefícios, principalmente para a prevenção (e não o tratamento) de problemas de saúde. “A redução de líquidos e alimentos mais acidificantes vai trazer respostas positivas a longo prazo, como melhora da hidratação, da aparência da pele, da disposição. É mais uma saúde preventiva e não curativa”, afirma Paloma.

A nutróloga avalia que “o nosso estilo de vida muito urbano, o estresse, a alimentação rica em gorduras, carnes e produtos industrializados têm acidificado o nosso corpo.” Ela destaca que essa acidificação favorece processos oxidantes nas células, que formam radicais livres e aceleram o envelhecimento. Paloma também cita um livro, chamado O milagre do pH, de Robert Young, que faz associações entre controle do pH e emagrecimento. Segundo o autor, a gordura tem uma grande concentração de ácidos e seria, portanto, uma forma de proteção do organismo, para evitar que essas substâncias ficassem na corrente sanguínea. Em uma alimentação mais alcalina, não seria necessário a mesma quantidade de gordura para armazenar esses ácidos, o que ajudaria na perda de peso.

Paloma também destaca que a água alcalina é uma forma de diminuir um fator estressante para o metabolismo, que é equilibrar os níveis de pH. A nutróloga apenas aconselha a não beber água alcalina durante as refeições, assim como qualquer outro tipo de líquido, para não atrapalhar a atuação de outras substâncias durante a digestão.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
É possível identificar o pH com o uso de uma solução que muda de cor de acordo com o ambiente. Quanto mais básico, a cor tende para o azul; quanto mais ácido, ela tende para o amarelo. À esquerda, um refrigerante, com pH em torno de 3,5, e, à direita, a água alcalina, com pH 9. A água engarrafada tem pH variável de acordo com a marca, geralmente entre 6 e 7 (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)


7,4
É o nível normal do pH do sangue humano, que pode variar de 7,35 a 7,45. O pH fica em desequilíbrio quando está acima ou abaixo desses valores.

Alimentos
Alcalinos: frutas (como limão, abacaxi e laranja), verduras, legumes, sal marinho (rico em minerais)
Ácidos: carnes, laticínios (queijo, margarina, iogurte etc.), massas, refrigerante, farinha, açúcares e sais refinados, café, alimentos industrializados de modo geral (com excesso de conservantes e corantes)

Como identificar
A acidez não guarda relação com o gosto dos alimentos, e sim com o efeito dentro do corpo. “O limão tem um sabor ácido, mas é uma das frutas mais potentes para alcalinizar o organismo”, cita a nutricionista Michele Bezerra. O pH mede a concentração de íons de hidrogênio (o chamado potencial hidrogeniônico). Ácidos são aqueles com íons H+ e básicos (alcalinos) com OH-. A escala do pH vai de 0 a 14: quanto menor o valor, maior a acidez. O valor 7 é neutro.

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