Síndrome do Choque Tóxico: saiba mais sobre a doença causada por uso de absorvente interno

A modelo Lauren Wasser, de 26 anos, perdeu metade da perna direita e está processando fabricante da marca de absorvente que usava

23/06/2015 13:52

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Reprodução Facebook / Lauren Wasser
A modelo Lauren Wasser perdeu metade da perna direita e está processando a Kotex Natural Balance, marca de absorventes que ela usava (foto: Reprodução Facebook / Lauren Wasser )
Lauren Wasser é uma modelo de 26 anos que ganhou as páginas virtuais, além de revistas e jornais, não pelo reconhecimento na carreira que começou aos 2 meses quando, junto com a mãe, estampou a capa da Vogue Itália, mas sim por ter perdido metade da perna direita após contrair a  Síndrome do Choque Tóxico (TSS, na sigla em inglês). O motivo seria o uso de um absorvente interno. Ela é filha de um casal de modelos e a aparência sempre foi um tema que extrapolou a vida profissional. No entanto, tudo mudou em 2012 quando ela foi internada às pressas com uma febre de 40 graus. A jovem quase morreu.

Quando deu entrada no hospital em 3 de outubro daquele ano, Wasser já estava com os órgãos à beira da falência e ninguém sabia dizer o que acometia a modelo até que um especialista perguntou se ela estava usando aborvente interno. Com a resposta positiva, o material foi enviado ao laboratório e exames atestaram a ocorrência da TSS. A modelo está processando o fabricante da marca de aborventes Kotex Natural Balance. A história veio à tona na semana passada após a revista Vice publicá-la.

Reprodução Instagram / Lauren Wasser
Lauren Wasser tem 26 anos (foto: Reprodução Instagram / Lauren Wasser )


Ginecologista e presidente da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), Agnaldo Lopes da Silva Filho afirma que a notícia não é motivo de alarde, mas serve como alerta. Segundo ele, a Síndrome do Choque Tóxico, descrita pela primeira vez em 1978, mas difundida na década de 80, é uma emergência médica associada à utilização de absorventes internos, mas não só, pode ter relação também com o uso de diafragma. Ambos são considerados corpo estranho e quando utilizados por muito tempo, podem propiciar a proliferação de bactérias que no caso do TSS é causada pela Staphylococcus aureus. “Essa bactéria já existe no organismo da mulher. Entretanto, quando há a proliferação de forma intensa, as toxinas são produzidas em excesso, causando a TSS. A doença é grave e pode levar a morte”.

O especialista salienta que antigamente os absorventes internos eram feitos de tecido sintético que, associados a produtos químicos para aumentar a absorção do fluxo menstrual, favoreciam a proliferação de bactérias e liberação de toxinas. No entanto, o médico diz que a partir da década de 80 ocorreram mudanças no padrão dos absorventes internos que atualmente são à base de algodão e sem produtos químicos. “Com a mudança, a incidência da Síndrome do Choque Tóxico diminuiu consideravelmente e hoje a relação é de um para 100 mil pessoas”, observa.

Para ele, o que é importante saber sobre a TSS é que, apesar de rara, ela é potencialmente grave, com repercussões muito sérias. “A taxa de mortalidade varia entre 10 a 70%”, diz.

Agnaldo Lopes da Silva Filho diz que a história de Lauren Wasser serve para chamar atenção sobre os sintomas e repetir a informação de que a troca de absorventes deve ocorrer no intervalo de quatro horas. Em entrevista à Vice, a modelo declarou que no dia anterior à internação havia trocado o absorvente três vezes, pela manhã, à tarde e à noite.

O ginecologista Agnaldo Lopes da Silva Filho afirma que os sintomas da Síndrome do Choque Tóxico são febre alta, tonteira, confusão mental, diminuição da consciência e piora repentina do estado geral.

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