Diagnóstico inédito do Ministério do Esporte mostra que sedentarismo no Brasil atinge 45,9% da população

Região Sudeste é a que concentra o maior número de sedentários com 54,4%

por Valéria Mendes 22/06/2015 12:53

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Rodrigo Clemente/EM/D.A Press
25,6% dos brasileiros são adeptos regulares do esporte, outros 28,5% de atividades físicas, mas somos 67 milhões de habitantes sedentários (foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A Press)
Diagnóstico inédito do Ministério do Esporte (ME) sobre a prática de esportes e atividades físicas lançado nesta segunda-feira (22/06) mostra que 41,2% dos brasileiros e 50,4% das brasileiras são sedentários; a média é de 45,9%. Outro dado que serve de alerta para a população é o de que entre os 25,6% adeptos regulares do esporte e os outros 28,5% de atividades físicas, a grande maioria não recebe nenhuma orientação de profissional. A afirmação é de 90,3% dos esportistas e se refere a 71,7% daqueles que preferem uma caminhada ou academia. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica como não sedentário quem faz alguma atividade física de três a cinco vezes por semana por pelo menos 30 minutos.

Ao todo, foram realizadas 8.902 entrevistas para o Diagnóstico Nacional do Esporte: Diesporte (acesse a íntegra da pesquisa) com pessoas entre 14 e 75 anos. A pesquisa detalhou as informações por região do país e identificou, ao contrário do que se costuma imaginar, que é na região Sudeste onde se concentra a maior parte dos sedendários: 54,4%. O Norte do Brasil é a região com mais gente se exercitando, 37,4% se declararam sedentários. No Nordeste são 38,5% de pessoas sem praticar nenhuma atividade física e, na sequência, Sul (39,3%) e Centro-Oeste (45,1%).

Diagnóstico Nacional do Esporte - Ministério do Esporte
Há um intenso debate sobre a diferenciação entre esporte e atividade física, mas os entrevistados puderam responder livremente a natureza da prática. A definição de atividade física é vinculada à promoção de saúde e elevação da qualidade de vida. O Conselho Europeu do Esporte define esporte pelas formas de atividade corporal que, através de participação ocasional ou organizada, visam exprimir ou melhorar a condição física e o bem-estar mental, constituindo relações sociais ou a obtenção de resultados. (Diagnóstico Nacional do Esporte: Diesporte / Ministério do Esporte) (foto: Diagnóstico Nacional do Esporte - Ministério do Esporte)


Se compararmos a incidência do sedentarismo dos brasileiros com os vizinhos latino-americanos, o Brasil está em uma situação melhor que a Argentina, que tem 68,3% da população sedentária, mas pior que o Uruguai: 34,1% não se exercita por lá. O diagnóstico do ME, aponta Índia (15,6%) e Inglaterra (17%) como os países com menores taxas de sedentários.

Não falta informação
O curioso da pesquisa é que 80,4% das pessoas entrevistadas afirmaram conhecer os riscos que a falta de atividade física pode trazer e responsabilizaram a falta de tempo (69,9%) pela decisão de não se exercitar. A preguiça aparece em segundo lugar com 7% das justificativas e a falta de motivação foi apontada por 6,1% da população.

Para quem não sabe, a prática regular de atividade física, segundo o Ministério do Esporte, fortalece os músculos, melhora a frequência dos batimentos cardíacos e circulação, reduz sintomas da ansiedade e depressão e ainda evita ou controla doenças como obesidade, diabetes e osteoporose.

Perfil
A faixa etária mais expressiva de brasileiros que pratica esporte ou atividade física é entre 16 e 24 anos. Por outro lado, é a que se mostrou mais suscetível a abandoná-las: 45% dos entrevistados declararam que deixaram de se exercitar no ano de 2013*. Tal fato sugere que a decisão coincide com o período em que o indivíduo, de ambos os gêneros, sai da escola para o mundo do trabalho. Segundo o MS, a análise desses dados mostra que quase 90% dos brasileiros abandonam a prática esportiva até os 34 anos.

A escola e a universidade foram apontadas como o local do início da prática esportiva para 48%, seguida por espaços públicos abertos com estrutura (15,6%) e espaço aberto sem infraestrutura aparece na terceira posição (9,9%). Segundo o próprio Ministério do Esporte, esse raio X da situação do sedentarismo brasileiro vai impulsionar decisões de políticas públicas.

Para os praticantes de esporte, a principal motivação é a qualidade de vida (41,4%), seguida de desempenho físico (37,8%). A situação se repete entre os adeptos de alguma atividade física: 36,3% querem mais qualidade de vida e 29,3%, desempenho físico. Nessa categoria, 4,5% disseram que a indicação médica foi o que pautou a decisão.

Preferências
Sem surpresas, o futebol aparece como o esporte preferido e foi o mais praticado em 2013 para 42,7% dos entrevistados. Na sequência, aparecem a caminhada (8,4%) e o voleibol (8,2%). Quando os dados são analisados por gênero, o futebol fica em segundo lugar para as mulheres (19,2%). O preferido delas é o voleibol (20,5%).

Diagnóstico Nacional do Esporte - Ministério do Esporte
Diagnóstico Nacional do Esporte - Ministério do Esporte (foto: Diagnóstico Nacional do Esporte - Ministério do Esporte)


Dicas
Para os brasileiros que não gostam de ficar parados, é importante cuidar-se antes, durante e depois do treino. Por isso as dicas do Ministério do Esporte são: coma mais frutas, verduras e legumes, prefira sucos ou água a refrigerantes, evite alimentos gordurosos e dê preferência aos alimentos frescos e use sempre o filtro solar e evite expor-se diretamente ao sol durante a atividade.

Além disso, apesar do modismo com a promessa mais rápida de queimas de calorias, não faça atividades físicas em jejum e procure se alimentar pelo menos uma hora antes. Beba água sempre que necessário e não abra mão de consultar um profissional de educação física antes de começar uma atividade nova.

Uma dica boa para quem tem dificuldade em manter a rotina são as atividades em grupo e lembre-se que a rotina é essencial para manter o condicionamento e evitar a preguiça. E se você é um entre os 45,9% dos brasileiros que se declararam sedentários pense nos benefícios do exercício físico para o corpo, a mente e a saúde. Faça aqui o download completo da pesquisa.

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* A formulação das questões e a metodologia da pesquisa foram desenvolvidas entre 2010 e 2012. A coleta dos dados ocorreu em 2013 e a tabulação das informações em 2014.

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