Equipe mineira disputa panamericano de Pole Fitness

PanAmerican Pole Championship terá quatro atletas mineiras. As provas vão até domingo, no Rio de Janeiro. Competidoras serão avaliadas pela execução de acrobacias na barra vertical

por Carolina Cotta 29/05/2015 11:00

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Do alto de uma barra, elas querem trazer para Minas Gerais medalhas, mas também visibilidade para uma modalidade esportiva que ganha adeptos a cada ano: o pole dance, que em competições ganha o nome de pole dance fitness ou pole dance sport. Quatro atletas representam Minas Gerais no PanAmerican Pole Championship, uma das principais competições mundiais do esporte que combina dança e acrobacia. A segunda edição do torneio será realizada até domingo, 31 de maio, no Riocentro, Rio de Janeiro, dentro da programação do 3º Arnold Classic Brazil. São cinco categorias: profissional feminino internacional, profissional masculino internacional, amador feminino internacional, master feminino internacional e duplas internacional.

 

Marcos Vieira/EM/D.A Press
Equipe Alpha Fit é única mineira a disputar o Pole PanAmerican Championship (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Quinto lugar na categoria amador feminino do Campeonato Brasileiro de Pole Dance, em 2014, a atleta mineira Nayara Malta tentará, agora, uma posição no ranking profissional. No panamericano, pela primeira vez, ela vai competir na categoria profissional e está confiante em sua apresentação e também das três companheiras de equipe – Priscila Dias, Paula Pereira e Carolina da Silva – classificadas, em uma seletiva, para disputar o amador. A equipe Alpha Fit tem, no total, seis atletas que vêm treinando há dois anos para competições. Mas o número de alunas em busca dos benefícios do pole dance cresce a cada ano. Na academia de Nayara já são 30 aulas semanais. A atleta, formada em educação física, destaca o fortalecimento muscular, o condicionamento físico e a flexibilidade.

 

Atleta dedicada

 

Marcos Vieira/EM/D.A Press
Nayara Malta vai disputar na categoria profissional (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Nayara “descobriu” o pole dance em 2010. Professora de boxe tailandês em uma academia, aproveitava os horários livres para fazer aulas de pole. Encantada, buscou cursos na área, como a extensão em pole dance fitness na Faculdade Inspirar, em Curitiba (PR). Em 2011, começou a dar aulas e abriu a Alpha Fit, uma academia só para mulheres que oferece, entre outras aulas, o pole dance fitness. “Após os campeonatos há um boom na procura por aulas”, conta. Segundo Nayara, o pole dance fitness ou pole dance sport é o braço esportivo do pole dance, que tem outras vertentes. “O pole dance exotic é mais ligado a apresentações sensuais; o pole dance street é praticado na rua e o pole dance artístico, para o qual também existem competições, tem coreografias mais artísticas”, explica.

 

O sucesso do pole dance fitness estaria diretamente ligado à forma como trabalha o corpo, mas também à promoção da autoestima. “A maioria dos praticantes é mulheres. Muitas não gostam de musculação e buscam o pole para escapar da academia convencional. Emagrece, mas o principal ganho é o fortalecimento da musculatura e a melhoria do condicionamento físico. E é absurdo como melhora a autoestima, porque elas acham que não vão conseguir e quando fazem os movimentos na barra acreditam em sua capacidade. Todo mundo consegue fazer pole dance, não importa o peso ou a idade”, defende Nayara, que está desenvolvendo uma metodologia própria, baseada no uso de fichas de progressão individual dos movimentos.

 

Confira a apresentação de Nayara Malta no Campeonato Brasileiro de 2014:

 


Entrevista

Vanessa Costa, presidente da Federação Brasileira de Pole Dance

 

Desde quando o pole dance é considerado modalidade esportiva? Como qualquer atividade, dança, ioga, capoeira, artes marciais, o pole se enquadra na esfera do que chamamos de atividade física. Ele pode ser uma mistura de dança e acrobacia, sendo muito inspirado nas práticas milenares indianas do Mahlakamb, acrobacias feitas em tora de madeira; e nas dançarinas da época da grande depressão americana do pós-guerra. Podemos dizer que o pole, hoje, é uma atividade completa que envolve homens, mulheres e crianças; sem limite de idade e sem restrição física; com campeonatos em todo o mundo e praticado nos cinco continentes. Isso faz dele, com toda certeza, um esporte. A prática constante, a interação do grupo e a rotina de competições fazem da atividade um esporte.

 

O pole dance ainda está vinculado a uma dança sensual. Qual o impacto dessa imagem para a consolidação do esporte? O que a federação tem feito nesse sentido? Realmente, não vejo nesse sentido. Se fossemos tão radicais assim o que dizer do boxe e do jiu-jitsu que durante anos viveram sob a pressão de serem violentos e típicos de pessoas que gostam de brigar nas ruas e hoje são artes respeitadas e lotam arenas de MMA pelo mundo inteiro? Acredito que a atividade tem suas origens e suas conotações, mas existe também o lado desportivo e de competição. Ambos devem ser trabalhados e respeitados. É uma modalidade nova no Brasil, ainda tem muito caminho para percorrer e se firmar. Aos poucos, com certeza, essa desvinculação vai ocorrer, é o caminho natural das coisas. A federação, há nove anos, trabalha para desmistificar e trazer ao senso comum o pole acrobático e desportivo.
 
Existem vários tipos de pole dance? Qual a diferença entre eles? O pole é um só: uma acrobacia sob a barra vertical. Costumo dizer que cada um coloca o adjetivo que mais se adequa a sua percepção da atividade. Entretanto, o que se espera em todas as vertentes é pessoas sobre a barra fazendo acrobacias. Ele pode ser chamado de fitness, sexy, dance. Esses são apenas adjetivos para a modalidade que é uma só. Normalmente, optamos por chamar a atividade pelo nome de origem, que é pole.
 
As regras do campeonato brasileiro são um pouco diferentes das regras do panamericano. Não deveria existir uma universalidade?A Federação Brasileira de Pole Dance é a criadora do primeiro código de regras e arbitragem do mundo. Ela foi a primeira entidade a ter regras definidas e claras a respeito da modalidade, com pontuação de movimentos por graus de dificuldade e bônus por combinações e truques extras realizados na barra. Desde 2009, quando comecei a organizar campeonatos, o código vem amadurecendo e evoluindo juntamente com a modalidade. São os atletas que nos ajudam a renovar todos os anos, fazer um código mais próximo do pole que está sendo praticado. Isso faz com que a competição acompanhe a evolução da modalidade. Talvez por isso o nosso campeonato seja o mais respeitado do mundo pelos atletas que se inscrevem para nosso processo seletivo. Temos a mesma competição para todas as categorias. Aqui não há diferença. O campeonato segue um padrão técnico e rigoroso.


Quais os desafios agora? É possível que se torne uma modalidade olímpica? O que falta para isso? Nosso desafio segue sendo profissionalizar, dar cada vez mais credibilidade para a modalidade e fazer com que ela siga firme em seu crescimento. Queremos crescer na produção e organização de eventos para elevar o nível do pole no Brasil. Ser olímpico ou não vai ser a consequência desse trabalho no futuro.

 

Soraia Piva / EM / D.A Press
Clique para conhecer os principais movimentos do Pole Dance (ARTE: Soraia Piva) (foto: Soraia Piva / EM / D.A Press )
 




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