Estudo conclui que, à noite, comida parece ser incapaz de saciar a vontade

Em busca de pistas sobre a razão dos lanchinhos noturnos pesquisadores americanos constatam que o vilão é o cérebro

por Correio Braziliense 27/05/2015 15:00

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AFP Photo
Ataque à geladeira: atividade cerebral de voluntários foi monitorada de dia e à noite (foto: AFP Photo)
Depois de saborear mais uma fatia de bolo, você já pensou que não era o suficiente e resolveu atacar a geladeira em busca de algo mais? Pesquisadores da Brigham Young University, nos Estados Unidos, acabam de lançar uma nova luz sobre o motivo pelo qual você, seus amigos, vizinhos e quase todo mundo que conhecemos tendem a fazer uma boquinha à noite. A resposta não está no estômago, mas no cérebro.

Em um novo estudo, pesquisadores da instituição usaram o exame de ressonância magnética para medir como o cérebro responde a imagens de alimentos muito e pouco calóricos em diferentes horas do dia. Os resultados mostraram que as fotos das comidas, especialmente daquelas bastante calóricas, podem gerar picos de atividade cerebral, mas, à noite, as respostas neurais são mais baixas.

“Você pode estar consumindo alimentos em excesso à noite porque a comida não parece tão recompensadora, ao menos visualmente, nessa hora do dia”, argumenta o principal autor do estudo, o neurologista Travis Masterson. “Comer à noite pode não satisfazê-lo tanto, então você come mais para tentar ficar satisfeito”, diz. A pesquisa, publicada no jornal acadêmico Brain Imaging and Behavior, também mostra que os participantes pensavam mais em comida à noite, mesmo que seu nível de fome ou de satisfação fosse similar em outras horas do dia. Masterson, que fez o estudo para obter seu título de mestre na faculdade, disse que a intenção foi entender melhor a influência do período do dia nas respostas neurais ante imagens de alimentos.

Os pesquisadores se uniram ao neurocientista Brock Kirwan, professor da universidade, para monitorar a atividade cerebral dos participantes do estudo enquanto eles viam fotografias de comidas. Os voluntários observaram 360 imagens durante duas sessões separadas que ocorreram com intervalo de uma semana — uma aconteceu de manhã e a outra, à noite.

Recompensa

Foram mostradas aos participantes imagens tanto de alimentos pouco calóricos — como vegetais, frutas, peixes e grãos — quanto daqueles mais calóricos — como doces, massas, sorvetes e fast food. Como esperado, os pesquisadores detectaram respostas neurais maiores diante da exibição das imagens hipercalóricas. Contudo, eles ficaram surpresos de ver uma reatividade cerebral menor nas regiões relacionadas à recompensa quando as fotos eram mostradas pela noite. “Nós pensávamos que as respostas seriam maiores à noite porque tendemos a comer excessivamente no fim do dia”, diz o professor Lance Davidson, coautor do estudo. “Mas saber que o cérebro responde de forma diferente de acordo com o turno pode ter importantes implicações”, observa.

Os pesquisadores observam que essa pesquisa é preliminar e que mais trabalho precisa ser feito para verificar e entender melhor os resultados. Os próximos passos serão determinar como essas respostas neurais se traduzem no comportamento alimentar e a implicação disso para o controle do peso. Masterson diz que o estudo o ajudou a prestar mais atenção em como os alimentos o fazem sentir tanto de manhã quanto à noite. “Quando tenho fome no fim do dia, tento dizer para mim mesmo que, provavelmente, aquilo não vai me satisfazer tanto quanto deveria, o que me ajuda a evitar beliscar muito à noite”, confessa.

O prazer de comer
Em um outro estudo que também poderá ter implicações para programas de controle de peso, pesquisadores da Universidade de Aalto, na Finlândia, revelaram como a obesidade está associada à alteração de neurotransmissores opioides no cérebro. Esse sistema está intimamente envolvido com a geração de sensações de prazer. Os autores do estudo descobriram que um número menor de receptores opioides está ligado a um peso maior. Contudo, eles não observaram mudanças no sistema de neurotransmissores dopaminérgicos, que regulam os aspectos motivacionais do ato de comer.

De acordo com o pesquisador Lauri Nummenmaa, a descoberta ressalta como a obesidade, um problema de saúde pública mundial, está associada a mudanças cerebrais no nível molecular. “É possível que a falta de receptores opioides predisponha um indivíduo obeso a comer demais para compensar a pouca resposta hedônica nesse sistema”, diz.

Ele acrescenta que o estudo poderá ajudar a entender os mecanismos envolvidos no ato de comer em demasia e fornecer bases para novas abordagens comportamentais e farmacológicas no tratamento e na prevenção do problema.

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