Estudo identifica os contextos em que os jovens costumam beber

Diferenciar os padrões de comportamento é fundamental para criar campanhas educativas mais eficazes, defendem os autores

por Isabela de Oliveira 14/05/2015 15:00

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AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA
Clientes em bar: jovens com problemas de comportamento tendem a frequentar mais cedo estabelecimentos como esse (foto: AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA )
O consumo exagerado de bebidas por adolescentes e jovens pode vir acompanhado de uma série de problemas, de agressões a acidentes de trânsito, passando por sexo sem proteção. Mas quais são as situações que mais favorecem o uso abusivo do álcool nas diferentes idades? Um estudo feito por pesquisadores do Pacific Institute for Research and Evaluation, nos Estados Unidos, buscou identificar os diferentes contextos em que os mais novos costumam beber.

O levantamento é um bom exemplo de como conhecer melhor os hábitos das pessoas nessa faixa etária favorece a adoção de políticas de prevenção mais eficazes. Isso porque questões como gênero e idade fazem com que o acesso a bebidas alcoólicas ocorra de forma bem distinta, o que aponta a necessidade de campanhas educativas diferentes para cada subgrupo. Meninas bebem em circunstâncias diferentes dos meninos, por exemplo. E os jovens que fumam têm mais chances de exagerar na dose que os não tabagistas.

Segundo Sharon Lipperman-Kreda, principal autora do estudo, estudos anteriores identificaram lugares associados com algumas consequências negativas da bebida. Ela lembra uma das pesquisas segundo a qual beber em um local público é mais comum para meninas jovens. Já outro trabalho, com pessoas entre 15 e 20 anos, verificou que a frequência do consumo em restaurantes e em carros aumenta a probabilidade de embriaguez ao volante. Houve grupos de pesquisa que também verificaram a maior probabilidade de universitários fazerem sexo com desconhecidos depois de beberem em festas privadas. “Embora vários estudos tenham analisado a associação entre o contexto do consumo de bebidas e as características da juventude, o nosso é o primeiro a examinar como essas associações mudam ao longo do tempo”, afirma a cientista. “Achados assim mostram que precisamos aprender mais sobre os lugares onde os jovens bebem”, acrescenta.

Os pesquisadores coletaram dados coletados com 665 jovens (369 meninos e 296 meninas) entre 2009 e 2012. Os participantes viviam em 50 cidades de médio porte da Califórnia e tinham entre 13 e 16 anos no início do estudo. As informações eram agrupadas levando em conta diferentes perfis, como sexo, idade, etnia, escolaridade dos pais, renda disponível semanalmente e tabagismo, entre outros.

“Primeiro, nós descobrimos que jovens com características diferentes, como gênero, idade e renda, bebem em lugares diferentes”, conta Lipperman-Kreda. Segundo ela, aqueles que bem com mais frequência são mais suscetíveis a consumir álcool em festas e na casa de algum conhecido. Já os que bebem em maior intensidade preferem lugares como estacionamentos e esquinas. Já os jovens com problemas de comportamento bebem em qualquer lugar. “Os fumantes têm mais tendência a beber em praias ou parques, além da casa de outra pessoa”, prossegue a principal autora do trabalho, publicado na revista especializada Alcoholism: Clinical & Experimental Research.

Com o passar dos anos, os hábitos mudam, indicou o estudo. A probabilidade de jovens beberem em festas ou na casa de amigos aumenta, enquanto a de fazerem isso em estacionamentos e esquinas diminui. Já a chance de os jovens beberem na própria casa, em praias, em parques e em bares e restaurantes surge muito mais rapidamente em indivíduos com problemas de comportamento.

Intervenções
Segundo Traci Toomey, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, explica que algumas características de jovens e adultos predizem em quais locais eles se reunirão para beber. Por outro lado, o contexto de consumo influencia a forma como consomem a bebida, o que altera, também, a probabilidade de terem problemas relacionados ao álcool.

“Esse estudo sugere que as intervenções poderiam ser adaptadas para grupos específicos de jovens com base nos locais onde eles bebem”, observa Toomey. “Mensagens mais específicas e apropriadas para cada grupo podem ser mais eficazes na redução do uso de álcool e de problemas relacionados a ele. Se você está tentando atingir grupos de jovens, é importante considerar onde eles estão bebendo”, indica a especialista.

Ela dá um exemplo: para influenciar o comportamento da juventude em geral, não faz sentido concentrar campanhas de prevenção em bares e restaurantes. Contudo, se o público-alvo são jovens mais velhos, essa opção passa a fazer mais sentido. Sharon Lipperman-Kreda concorda. “Esse estudo deu um primeiro passo para a compreensão de potenciais dinâmicas subjacentes à ecologia social dos problemas de alcoolismo entre os jovens e apoia o desenvolvimento de intervenções baseadas no contexto para atingir jovens específicos e evitar o uso excessivo de álcool e seus resultados negativos”, afirma.

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