Cães de pequeno porte tendem a apresentar mais problemas de saúde

Os pequerruchos são ideais para apartamentos e pequenos espaços

por Revista do CB 02/05/2015 10:00

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Eriko Sugita / Reuters
(foto: Eriko Sugita / Reuters)
Fofos, compactos e frágeis. Os cães pequenos são os preferidos por quem mora em apartamento. São companheiros e cabem em qualquer lugar, mas, apesar dessas qualidades, os menores também têm problemas específicos de saúde e comportamento. Em termos de estrutura física, podem sofrer mais com impactos de acidentes. “O cão pequeno está suscetível a mais fraturas. A queda, muitas vezes, pode ser fatal”, explica Laís Maia, veterinária que trabalha na área de fisioterapia.

No entanto, a recuperação pode ser um pouco mais rápida. “Depende muito de cada animal e de como o dono cuida, mas, para o bicho menor, não faz tanta diferença andar com três patas em vez de quatro, por exemplo. Já o cachorro grande sente mais dificuldades em se adaptar durante a recuperação”, afirma.

O veterinário Claudio Roehsig explica que, no caso de filhotes, as consequências tendem a ir além das fraturas. “Ele pode sofrer um traumatismo craniano e, no caso de atropelamentos, os menores podem sofrer com problemas na coluna”, afirma.

Arquivo Pessoal
A chihuahua Gigi sofre de colapso na traqueia e desvio da patela nas patinhas traseiras: saúde delicada (foto: Arquivo Pessoal )
A chihuahua Gigi sofreu um acidente com apenas cinco meses. “Aconteceu enquanto a gente dava uma papinha para ela. Ela pulou do colo e ficou dura no chão”, conta a administradora Beatriz Santos, 36 anos. A cadela foi encaminhada diretamente para o veterinário onde fez um radiografia. Felizmente, Gigi não chegou a ter fraturas ou sequelas. “Foi mais um susto. Quando a vimos jogada no chão, pensamos o pior”, afirma Beatriz.

Apesar do episódio com final feliz, esse não é o único problema de saúde da cadela. Segundo a administradora, a chihuahua tem outras doenças, que são características de cães pequenos. “Agora, ela foi diagnosticada com colapso na traqueia e desvio da patela das duas patas traseiras”, explica Beatriz Santos. A cadela terá que passar por uma cirurgia para corrigir o problema das patas.

Além da chihuahua, a família cuida de Mel, uma foz paulistinha de 5 anos, perfeitamente saudável. “Tivemos ainda um pinscher, mas esse cachorro morreu por hidrocefalia”, conta Beatriz.

De toda forma, a administradora elogia os animais. “As duas cadelas são ótimas em termos de comportamento, mesmo com esses problemas. A Mel é mais ciumenta, já a Gigi, mais calma, e adora ouvir música clássica”, revela.

Segundo o médico-veterinário Claudio Roehsig, outro problema comum de raças pequenas e principalmente de animais com o focinho curto é a hidrocefalia — o acúmulo de água no cérebro. “O tipo primário ocorre quando já existe uma variação anatômica, que obstrui o fluxo de drenagem do líquido cefálico”, explica Roehsig, que é neurologista veterinário.

Ainda segundo o profissional, trata-se de alteração congênita do animal — quando ele nasce com esse defeito no sistema. A hidrocefalia secundária é quando a deficiência aparece por conta de outra doença. “Pode surgir em virtude de uma inflamação ou tumor, por exemplo”, explica o especialista. Nesse caso, o mais eficiente é tratar não a hidrocefalia, mas a causa da enfermidade que causou acúmulo de líquido no cérebro.
Foi esse problema que complicou o estado de saúde da pinscher Raika. Ela morreu há um ano no meio depois de uma briga com outro animal. Antes do episódio, a cadela convivia com um dreno na cabeça por conta da hidrocefalia. A doença foi descoberta por acaso. “Um piscineiro a machucou com uma ferramenta. Ela teve convulsão e foi parar no hospital. Lá, descobrimos o excesso de líquido no cérebro”, conta a aposentada Nelma Wanzeller, 54 anos, que era dona do animal.

Não existe nenhuma forma de prevenir a hidrocefalia e o único tratamento é mesmo colocar um dreno. “Implantamos uma válvula, que drena o líquido do cérebro até o abdômen. E possível levar uma vida normal”, destaca Roehsig.

Temperamento
O comportamento do animal é dividido da seguinte forma: 50% é determinado pela raça e 50% pelo ambiente. Os pets menores podem ser mais temperamentais por conta da criação. “A maioria mora em apartamento. Então, muitas vezes, são tratados como as crianças da casa, com muitos mimos e, por isso, tendem a ser mais sensíveis”, explica o adestrador Délcio Gomide. Mas o profissional garante que os cães menores são tão capazes de aprender quanto os animais de porte grande.
Para o adestrador, as atividades de agility são as mais indicadas. Trata-se de uma prova de superação de obstáculos, inspirada no hipismo. Essa prática requer grande concentração e habilidade, quanto mais ágil for o bicho, melhor. E os pequenos levam vantagem. “Por conta do tamanho, podem ser mais rápidos e espertos. Eles são leves e isso facilita o deslocamento durante um percurso”, explica Gomide.

Os cães menores também têm a capacidade de guarda e são corajosos. “Eles podem ter a iniciativa de proteger o dono, latem e tentam avançar quando se sentem ameaçados.”, explica o adestrador Délcio Gomide.

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