Técnica minimamente invasiva é o que há de mais moderno para tratar a coluna

A maioria das dores na coluna, entretanto, não decorre de doenças, nem precisa de cirurgia e tem como origem problemas mecanoposturais

por Junia Oliveira 13/04/2015 15:00

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Pernas falham, braços formigam, uma dor lancinante toma conta das costas. Em alguns casos, movimentos ficam, simplesmente, travados. A coluna, aparentemente apenas uma sequência óssea, é, na verdade, um órgão vital do corpo, e, por isso, qualquer alteração, seja uma mínima pressão nos nervos ou algo mais complexo, gera transtornos próximos ao insuportável. Em casos mais graves, conjunto de procedimentos modernos é alternativa à tão temida cirurgia convencional. Técnicas minimamente invasivas, concebidas para tratamento principalmente de doenças degenerativas, ligadas ao envelhecimento da coluna, são aposta de médicos Brasil afora.

A maioria das dores não decorre de doenças nem precisa de cirurgia e tem como origem problemas mecanoposturais, segundo o ortopedista Cristiano Magalhães Menezes. Pode, assim, ser tratada com a adoção de hábitos saudáveis, como melhoria da postura, perda de peso e fim do cigarro, fisioterapias e exercícios físicos. Mas, em 10% dos casos, as doenças degenerativas vão selar o diagnóstico. Responsáveis pelo desgaste da coluna, entre elas estão a hérnia e o estreitamento do canal vertebral (comprime os nervos localizados dentro das vértebras e responde pela maior parte das cirurgias em pacientes com idade superior a 65 anos).

Embora ainda com espaço para as chamadas cirurgias abertas, o desenvolvimento tecnológico alcança hoje parcela significativa da população cujos casos são possíveis de serem resolvidos com a operação minimamente invasiva. A intervenção chegou ao Brasil no fim da década de 1980 para tratamentos de algumas especialidades médicas e começou a ser usada para doenças da coluna em meados de 2005 para casos de fraturas diversas, hérnia de disco, escoliose, tumores na coluna e dor cervical, entre outros.

TÉCNICA
De forma geral, é feita com o auxílio de microscópios ou endoscópios (câmeras de vídeo com ampliação de imagens). “Por meio de portais, pequenos tubos que servirão como corredor entre a pele e a coluna, levamos os instrumentos até o fundo da coluna, que é muito profunda, em qualquer das suas regiões”, explica o médico, um dos pioneiros no país em cirurgia minimamente invasiva nessa especialidade médica. Caracterizada por preservar estruturas vizinhas à coluna (músculos, tendões, ligamentos e as próprias vértebras), tem incisões muito menores. Se numa cirurgia de hérnia de disco convencional, por exemplo, o corte é em torno de 5cm, na técnica moderna pode ser de 1cm. Já numa cirurgia de fusão vertebral, cuja incisão varia entre 10cm e 15cm, o método mais novo permite algo do tamanho de uma moeda de R$ 1 (2,5cm).

Estética à parte, o mais importante mesmo, como destaca Menezes, são os benefícios relacionados ao menor comprometimento das estruturas saudáveis. O índice de infecção é de seis a oito vezes menor: enquanto na cirurgia aberta a média é de 3% a 4%, na minimamente invasiva é de 0,5% a 0,8%. O volume de sangramento também é bastante reduzido e, em determinados procedimentos, quantidades que podem variar entre 500 mililitros a 1 litro caem para 50ml a 100ml. “A chance de precisar de sangue é muito improvável”, afirma Cristiano Menezes. Outras vantagens são a diminuição da internação hospitalar, uma vez que o paciente recebe alta em menos de 24 horas, e o retorno mais rápido às atividades diárias.

BUROCRACIA
Ortopedista do Hospital São José da Beneficência Portuguesa de São Paulo, Wilson Dratcu ressalta que a cirurgia minimamente invasiva é hoje quase uma nova especialidade no universo da cirurgia de coluna. “A população está envelhecendo e a expectativa de vida é muito maior. Por isso, todas as doenças causadas pelo envelhecimento começam a ficar mais frequentes”, diz. Ele acrescenta que o procedimento foca o ponto doente e trata o que precisa, se revelando uma verdadeira revolução em termos de terapia.

Ele lembra que, em países onde as técnicas estão mais avançadas – Alemanha e Coreia do Sul –, o termo “minimamente invasiva” não é mais usado, sendo o procedimento sinônimo, efetivamente, de cirurgia de coluna. “Isso não é novidade nem experimentação, como falavam de forma grosseira 10 anos atrás, quando começamos a divulgar as técnicas no Brasil. A eficácia é cientificamente comprovada”, afirma.
Mas nem todos os avanços estão disponíveis no país, segundo o médico, por causa da dificuldade de liberação de procedimentos, seja pelas operadoras de saúde ou pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Esbarramos em burocracia e interesses. Os planos não têm autorizado muitos procedimentos, porque querem pagar duas ou três possibilidades de tratamento. Eles não conseguem absorver uma diversidade como essa. As vantagens são imensas, mas estamos na dependência dessas questões e, enquanto isso, pacientes são privados do acesso a esses tratamentos.”

EM/D.A Press
Cirurgia é indicada no tratamento de doenças degenerativas (foto: EM/D.A Press)
A CIRURGIA
Minimamente invasiva, é o que há de mais moderno no tratamento das dores de coluna

O que é:
Conjunto de técnicas aplicadas caso a caso, por meio de uma pequena incisão na pele. Geralmente, são auxiliadas pelo uso de microscópios e/ou endoscópios (câmeras de vídeo com ampliação das imagens). Diminuem o trauma cirúrgico, preservam estruturas vizinhas à coluna (músculos, tendões, ligamentos e as próprias vértebras) e oferecem recuperação pós-operatória mais rápida e menos dolorosa.


Quando é indicada:
Principalmente para o tratamento de doenças degenerativas, ligadas ao envelhecimento da coluna, como hérnia de disco e estreitamento do canal vertebral, fraturas diversas, escoliose, tumores, dor cervical, entre outros.


Vantagens:
Menor risco de complicações cirúrgicas
Diminuição do sangramento e pouca probabilidade de necessidade de transfusão de sangue
Redução da quantidade de analgésicos no pós-operatório
Internação hospitalar
inferior a 24 horas
Retorno rápido às
atividades cotidianas

Tipos:
Endoscopia
Fusão Lombar Extremo-Lateral Minimamente Invasiva (XLIF)
Espassador interespinoso
Fusão Interssomática Lombar Posterior (PLIF)
Fusão Lombar Anterior (ALIF)
Microdiscectomia lombar
Microdiscectomia endoscópica



Endoscopia vira vedete
Falou em endoscopia, a memória remete diretamente ao estômago. Mas o exame para detectar gastrite e úlcera dá também nome à vedete da cirurgia minimamente invasiva de coluna, indicada para casos de hérnia de disco. Enquanto o grande desenvolvimento da cirurgia tubular se deu nos Estados Unidos no início dos anos 2000, a endoscópica é tipicamente europeia e existe há 20 anos. No Brasil, a tendência de aplicação é cada vez maior, substituindo a técnica convencional, que exige incisão.

A cirurgia é aconselhada para 10% a 15% dos casos de hérnia, um pinçamento do nervo. Com apenas um furo na pele, uma câmera de vídeo é introduzida para retirá-la, sem necessidade de abertura. Ortopedista do Hospital São José da Beneficência Portuguesa de São Paulo, Wilson Dratcu relata que, na Alemanha, um dos países onde as técnicas de tratamento menos invasivas estão mais avançadas, operações para doenças degenerativas já são feitas apenas com endoscopia.

Outra técnica que tem sido tema de inúmeras pesquisas é a Xlif. Desenvolvida há 10 anos e introduzida no Brasil há cinco, é considerada uma das mais inovadoras para tratamento de desgaste da coluna, inclusive em pacientes idosos, segundo o ortopedista mineiro Cristiano Magalhães Menezes. Atua no estreitamento do canal vertebral e nas deformidades do adulto, como escolioses e espontilolistese. Esse último consiste no escorregamento de uma vértebra sobre a outra, o que pode gerar problemas motores, dificuldade para caminhar e dores, muitas vezes, intratáveis.

Nas fases mais avançadas de estreitamento do nervo, a pessoa pode ficar paraplégica. A cirurgia é feita por meio de uma pequena incisão na parede lateral do abdômen, por onde há um caminho natural para se chegar à coluna, sem danificar os músculos, ligamentos e tendões.

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