Pessoas encontram nas coisas mais simples um viver mais tranquilo e realizado

Mas é fundamental cada um identificar o que realmente é importante para si

por Zulmira Furbino 12/04/2015 07:53

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Edésio Ferreira/EM/D.A Press
O casal Ana Maria e José Luiz Ribeiro optou por morar perto do trabalho, bastando atravessar a rua (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Eles querem simplificar a vida e ficar cada vez mais conscientes dos hábitos do dia a dia, entre eles, locomoção e transporte, consumo, alimentação e cuidados com o meio ambiente. Com isso, ganham tranquilidade, livram-se do automatismo, têm tempo para se dedicar às relações com a família, amigos e conhecidos, realizam sonhos e conquistam tempo para a leitura. Seu jeito de viver é cada vez mais despojado e sua necessidade de consumo, cada dia menor. Quem são eles? Pessoas que deixaram de se arrebentar de trabalhar e passaram a atentar para outras necessidades, além das materiais. Gente que busca – e encontra – novo sentido para a vida.

É o caso de José Luiz Ribeiro, psicólogo e educador ambiental, e de sua mulher, Ana Maria Vidigal Ribeiro, que também atua como educadora ambiental. Juntos, em 2001, eles fundaram o Centro de Ecologia Integral, organização não governamental (ONG) que trabalha por uma cultura de paz e pela ecologia integral. Há algum tempo, a ONG criou um grupo que hoje discute a simplicidade consciente, conceito que ultrapassa o limiar da simplicidade voluntária. “Percebemos que o conceito de simplicidade varia muito de pessoa para pessoa. Hoje, sinto que o importante é cada um identificar o que é viver com simplicidade. Essa discussão fica mais rica num grupo”, acredita.

Na vida do casal, a simplicidade começa no trajeto de casa para o trabalho. Para chegar ao escritório, os dois precisam apenas atravessar a rua. “Minha esposa e eu sempre demos um jeito de morar perto do trabalho. Hoje, a nossa única condução é o elevador do prédio”, brinca. Falando sério, ele diz que uma das coisas que gosta bastante e que abriu mão foi comprar muitos CDs. “Reduzi muito a quantidade. Hoje, quando compro um CD, faço com consciência, e não de forma compulsiva. Meus filhos sempre estudaram perto de casa. Quando ia buscá-los, me deparava com aquela quantidade de pessoas correndo, deixando o carro em fila dupla, e percebia o sofrimento que havia ali”, observa.

Para Ana Maria, pensar em simplicidade consciente é um passo além. Ela explica que põe o conceito em prática na sua vida, principalmente refletindo antes de agir e prestando atenção “no aqui e no agora para sorver o que é mais precioso”. O primeiro movimento nesse sentido, segundo ela, foi a mudança da alimentação. “E foi um passo enorme”, define. Outro avanço foi com relação à leitura. “Era uma devoradora de livros. Foi aí que pensei que estava infestando a minha mente e que não estava tendo tempo para reflexão entre uma leitura e outra. Por isso, reduzi o ritmo”, afirma. Além disso, ela se recusa a embarcar na “loucura” da internet. “Conscientemente, não entrei nessa”, sustenta.

COLETIVIDADE

A fisioterapeuta Irma Maria dos Reis sempre buscou uma vida simples. “Nunca fui a favor de carro e sempre evitei muitos gastos”, explica. Há um ano, ela abriu mão da empregada doméstica. “Sempre fui contra. Tive, enquanto meu esposo era vivo. Hoje, eu mesma faço as coisas na casa de acordo com o meu ritmo”, diz. Seu sonho é viver numa comunidade, de preferência em local que tenha sido depredado e que possa ser recuperado. “Penso que é preciso ir além da transformação interna. Precisamos, de algum modo, estar a serviço da coletividade, ajudar a transformar o planeta num lugar melhor”, sonha.

Dayse Vilas Boas, pedagoga, sempre se sentiu atraída por uma vida mais simples. Por isso, no início deste ano, procurou um grupo para discutir ideias que viabilizassem uma mudança em sua vida. De lá para cá, já cortou o cartão de crédito e o cheque especial, tenta focar sua atenção no consumo consciente e comprar alimentos e coisas diretamente de produtores e artesãos. Carro, nem pensar. “É muito menos estressante andar de ônibus. Quando estou num ônibus, leio bastante ou me distraio com a paisagem”, diz. Mas e os passeios nos arredores da cidade? “Combino com amigos ou arrumo carona.” Seu próximo passo é reduzir a quantidade de coisas que tem em casa, como roupas guardadas e bolsas. “Vou adquirir coisas mais duráveis, para não precisar repor com rapidez”, planeja.

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