Felinos podem se adaptar bem ao ambiente doméstico; veja dicas

É importante conhecer as peculiaridades para proporcionar uma vida mais saudável ao animal

por Revista do CB 04/04/2015 10:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Os cinco sentidos de um gato são naturalmente mais aguçados e possuem características ímpares (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Gatos são da família dos felídeos, ou seja, são predadores. A anatomia deles é preparada para a caça; por isso, é possível que você já tenha percebido que, muitas vezes, o comportamento deles é semelhante ao de um leopardo, por exemplo.

“Os hábitos domésticos mudaram os costumes desses animais, mas a essência deles ainda é a mesma”, explica Samanta Laporte, médica veterinária especialista em pequenos animais do Hospital Veterinário Dr. Antônio Clemenceau. Por essa razão, ela diz que é importante o dono interpretar o comportamento do pet para poder cuidar melhor dele. “Devemos entender que um gato tem rotina. Portanto, precisamos ficar atentos aos detalhes. Os predadores quando adoecem mascaram melhor a dor e se isolam. Então, o diagnóstico acaba sendo, na maioria dos casos, tardio”, conclui.

Os cinco sentidos de um gato são naturalmente mais aguçados e possuem características ímpares. A veterinária ensina quais são as regiões que precisam ser observadas para identificar alterações de comportamento.

Entre os veterinários e donos dos animais há unanimidade: os felinos sobrevivem normalmente sem um dos sentidos. Eles se readaptam e podem aguçar um outro senso. Isso é comprovado pela gatinha Preta. Com idade avançada, 18 anos, foi diagnosticada com cegueira. “Desconfiamos porque ela batia nas coisas quando ia para a cama, ficava cheirando tudo e não reagia quando fazíamos movimentos bruscos perto dela”, conta a dono do pet, Bianca Brandt.

No consultório veterinário, a suspeita foi comprovada. Hoje, a família que cria a gata tem alguns cuidados especiais. “Quando ela desce a escada ou a porta está aberta, prestamos atenção para que não caia ou saia para a rua. Ao ouvir o miado, vemos do que ela precisa, se é de comida ou se quer ser deslocada para a caixa de areia.” A única diferença de comportamento observada por Bianca é que Preta passou a caminhar cautelosamente, como se “pisasse em ovos”, e usa mais as vibrissas para se localizar. Além disso, recorre mais ao faro para encontrar as coisas.

No caso do gato Bigode, os irmãos resolveram fazer uma travessura e comeram os seus bigodes na infância. O filhote siamês era visivelmente o mais mirrado da ninhada. Aline Marangon, dona e também médica veterinária, acredita que, à época, a falta de pelos dificultou a rotina, principalmente à noite. “A ausência da ferramenta de localização reduziu as defesas dele e isso deve ter contribuído para que ficasse fraquinho. Provavelmente, se a situação permanecesse, ele não sobreviveria, pois a caça foi prejudicada e ele não sabia se virar”, relembra. Aproximadamente um ano depois, as vibrissas faciais estão lá, longas e firmes. Bigode tem uma vida normal, com apenas uma dificuldade: o gato não sobe em lugares altos. Aline atribui isso à insegurança que o animal viveu na infância. “Quando veio aqui para casa, ele vivia acuado, mas se adequou.”

Samanta Laporte ressalta que é importante os donos serem criativos. Usar de artifícios, com brinquedos ou não disponibilizando totalmente a comida, para simular os hábitos da selva. “Isso é importante para que o animal desenvolva bem as habilidades”, explica. Fora isso, um ambiente limpo, boa comida e fonte de água é tudo que vai deixar o pet feliz.

Fique atento
Confira as dicas da médica veterinária Samanta Laporte

1 - Focinho
Esta área possui receptores que permitem ao gato sentir uma pequena variação de temperatura quando chega bem perto de algo. Essa função se torna importante para a sua proteção na hora de farejar, evita que tenha contato com elementos danosos.

2 - Vibrissas faciais (pelos do bigode e da sobrancelha)
As vibrissas faciais são pelos grossos, localizados em quatro locais do rosto: entre o nariz e a boca, na região do supercílio, nas têmporas e no queixo. Funcionam como um órgão sensorial. É por meio deles que o gato se orienta em relação ao ambiente. Eles sentem correntes de ar ou objetos próximos quando as vibrissas encostam em algo. Além disso, os bigodes também podem dar pistas sobre o humor do animal Normalmente o pet não encosta as vibrissas nas coisas, então, o tamanho delas é o limite de distância que ele chegará. Por isso, é preferível que as vasilhas de ração e água tenham a abertura mais larga e sejam profundas.

3 - Olhos
A visão deles é diferente. Os humanos enxergam por meio de cones (responsáveis pelas cores) e bastonetes (responsáveis pela luz). Os gatos também, mas a quantidade de bastonetes é maior do que nos humanos, o que possibilita mais captação de luz e, portanto, uma visão noturna apurada. Além disso, a pupila é alongada, dilata mais, os olhos são proeminentes permitindo um campo de visão maior. Vale lembrar que essas características são presentes pelo fato do gato ser um caçador.

4 - Vibrissas táteis
Esses pelos se localizam na parte de trás das patas dianteiras e ajudam o animal a ter dimensão do local em que está. Quando os coxins (almofadas) das quatro patas encostam no chão, ele tem noção de temperatura ou proximidade, por exemplo.

5 - Orelhas
O gato tem uma movimentação independente desse membro, elas podem girar até 180º. Isso acontece para que ele possa captar melhor os sons. Outra característica interessante é que proporcionalmente o pequeno felino escuta mais barulhos, ou seja, a frequência é diferente da nossa e até dos cachorros.

6 - Pelagem

O princípio é o mesmo dos humanos. Quanto mais claros os pelos, menos melanina o animal tem. Isso significa que não existe uma barreira de proteção na pele. Ter exposição contínua ao sol, em horários indevidos, pode ocasionar o desenvolvimento do carcinoma, um câncer de pele frequente em gatos. As áreas mais afetadas por esse problema são o pavilhão auricular (orelhas) e o espelho nasal (focinho), naturalmente, as que têm contato direto com a luminosidade. É importante observar que, se o gato for escuro e esses locais claros, os cuidados devem ser os mesmos.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE SAÚDE PLENA