Fazer sexo com a melhor amiga da esposa é principal fantasia dos homens infiéis

Desejo foi revelado por 22% dos 3.287 brasileiros entrevistados

por Valéria Mendes 12/03/2015 11:12

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Reprodução Internet
Cena do filme 'O casamento do meu melhor amigo' (foto: Reprodução Internet )
É muito comum que sites de relacionamentos elaborem pesquisas com os usuários cadastrados para tentar avaliar o comportamento e traçar parâmetros de perfil daqueles que se interessam por encontros virtuais. A mais recente, que entrevistou 3.287 homens brasileiros, revelou que fazer sexo com a melhor amiga da esposa é a fantasia sexual número um dos infiéis cadastrados na plataforma Victoria Milan, rede social para pessoas comprometidas que desejam ter um caso. Mas calma. De acordo com o professor da Faculdade de Psicologia da PUC Minas, Roberto Chateaubriand, existe uma distância entre o que se fantasia e a prática. “No cardápio da sexualidade, existem as fantasias para serem fruídas e aquelas que não saem do campo da imaginação. Esse resultado não quer dizer que a fantasia vá se materializar”, afirma.

Prova é um vídeo com mais de 14 milhões de visualizações que fez sucesso em 2013 – e foi tema de matéria aqui do Saúde Plena - que mostra a diferença do sexo da vida real em relação ao de filme pornô. Na época, o sexólogo Ramon Luiz Moreira destacou que a função da fantasia, seja ela sexual ou não, é a de amenizar as dificuldades da realidade. “A capacidade de fantasiar é um sinal de saúde mental”, declarou.

Na pesquisa virtual, depois da melhor amiga (22%), apareceram a vizinha (15%), cunhada (13%), empregada (11%), colega de trabalho ou chefe (9%), professora do filho (8%), ex-namorada (7%), fisioterapeuta/médica (6%), garçonete do bar preferido (5%) e, por último, alguma estrela de filme pornô (4%). Para o fundador do site, Sigurd Vedal o resultado revela que as fantasias com pessoas do cotidiano se mostram mais atraentes. “Talvez porque queremos sempre aquilo que provavelmente não podemos ter”, acredita. A rede social, presente em 33 países e com 4 milhões de usuários cadastrados, chegou ao Brasil em 2011 e tem 125 mil brasileiros cadastrados, sendo 66% homens e 34% mulheres.

Enquete: Qual a sua fantasia sexual?

Para além da curiosidade sobre as fantasias sexuais dos brasileiros, é importante lembrar que a sexualidade humana se traduz de maneiras das mais diversas possíveis. Para Roberto Chateaubriand, na grande maioria dos casos, o impedimento apresentado pela proximidade se impõe. “Essas fantasias estão no campo de produção da imaginação justamente por serem proibitivas. Em uma sociedade que é estabelecida na monogamia e na fidelidade, valores que são socialmente compartilhados, sempre vai haver a fantasia do rompimento desse trato, é da natureza humana subverter àquilo que é colocado. Portanto, não há nada de extraordinário em uma fantasia dessa natureza [sexo com a melhor amiga da esposa]”, explica o psicólogo.

O especialista diz que desconhece estudos que relacionam os casos extraconjugais com pessoas próximas. “É possível acontecer, mas os relacionamentos fora do casamento estão no campo do segredo e a estratégia é justamente eleger parceiros bem distantes, o que não quer dizer que seja regra”, observa.

Diferenças de gênero
O site não fez uma pesquisa similar com as mulheres brasileiras, mas Roberto Chateaubriand afirma que no campo da fantasia a permissão está dada. “As barreiras da hierarquia e diferenças de gênero de uma sociedade machista, da mulher no papel de bem comportada, não se sustenta quando falamos de fantasia sexual. O campo da imaginação funciona inclusive, como válvula de escape do controle social que se estabelece para as mulheres”, pontua.

Roberto Chateaubriand diz que, no plano da fantasia, não importa o gênero. “A variação se dá é de sujeito para sujeito. O que acompanha o desejo no campo da imaginação é da posição do indivíduo, do grau de repressão que a pessoa viveu durante sua trajetória inteira e que vai fazer com que a fantasia seja mais ou menos julgada pelo próprio sujeito”, observa.

Por outro lado, o passo de transformar a fantasia em realidade, talvez tenha reflexos mais poderosos da construção de gênero na sociedade. “No momento em que a pessoa vai passar para o ato, poderíamos dizer, de um modo geral, que homens e mulheres tenderão a ter comportamentos mais divergentes. É mais comum, por exemplo, pela construção social de gênero, que a mulher associe com mais facilidade amor e sexo e, portanto, se permita menos o sexo sem compromisso. Tudo isso, no entanto, está se desmontando ao longo do tempo. As mulheres questionam cada vez mais esses papéis e têm se perguntado, ‘por que não ter uma noite de prazer sem saber o nome do parceiro?’ É uma mudança que vem ocorrendo”, pondera.

Em termos gerais, para Roberto Chateaubriand, ainda seria mais fácil um homem ter uma relação sexual com a amiga da esposa, as mulheres ainda são mais reticentes em relacionamentos dessa natureza. “Não quer dizer que seja regra e muito menos natural. Qualquer generalização é cair no vazio e no achismo”, reforça.

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