Comer de três em três horas é realmente o segredo de uma dieta?

Nova corrente acredita que o hábito não faz tão bem assim

por Olívia Meireles 07/03/2015 09:00

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Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Há 13 anos, Rodrigo adotou a rotina de fracionar a alimentação ao longo do dia: "Funciona comigo" (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Aos 16 anos, quando decidiu emagrecer, o bancário Rodrigo Araújo, 29, procurou um nutricionista e um instrutor de academia para perder peso de maneira saudável. Logo nas primeiras sessões, recebeu a instrução de comer de três em três horas, pois, assim, aceleraria o metabolismo e queimaria gordura mais rapidamente. Desde então, antes de sair de casa para o trabalho, criou o hábito de preparar seis refeições para se alimentar ao longo do dia. Nesses 13 anos, entretanto, em alguns momentos, saiu do ritmo da dieta, voltou a comer de maneira desordenada e engordou um pouco. Mas, quando quer diminuir o peso na balança novamente, volta à velha técnica de comer em intervalos curtos. “Sempre me adaptei bem a esse método e sei que, de fato, funciona comigo”, avalia.

Quem já se sentou em um consultório de um nutricionista, assim como Rodrigo, à procura de uma dieta para queimar calorias, certamente escutou essa orientação. Os estudos que deram força à recomendação são antigos e amplamente divulgados. Mas, recentemente, a chef e nutricionista Bela Gil, adepta da medicina ayurvédica, tem discutido em seu programa de tevê no canal GNT uma nova forma de encarar os hábitos de alimentação: comer apenas quando se tem fome.

“Devemos nos conectar mais profundamente com nossos sensores fisiológicos e respeitá-los. Mais importante do que a frequência com que ingerimos os alimentos é a qualidade deles”, explica Bela em seu blog. Em entrevistas e textos publicados na internet, ela defende que o fígado precisa de tempo para passar pelo autodetox e, quando se come em intervalos tão curtos, esse processo é interrompido. “Um dos motivos pelo qual a mulher vive mais do que o homem é por causa do metabolismo mais lento. Então, por que fazer uma pessoa comer mais frequentemente? Para acelerar a máquina e ela pifar mais rapidamente?”, disse em artigo.

A nutrição tradicional também está repensando a alimentação fracionada ao longo do dia. “Há estudos mais recentes questionando esse tipo de estratégia de emagrecimento, pois não conseguiram comprovar o benefício. Teoricamente, dependendo do que se ingere, essa dieta pode favorecer o aumento de gordura abdominal”, explica Aldemir Mangabeira, membro do Conselho Regional de Nutricionistas.

Dividir a alimentação em seis refeições ao dia pode ser perigoso, pois é comum, entre os adeptos, ingerir mais calorias do que permitido e necessário. O especialista, entretanto, acredita que esse método ainda é eficaz, principalmente para aquelas pessoas que passam muito tempo sem se alimentar, ficam com muita fome e, sobretudo à noite, comem tudo o que aparece pela frente. “Nesse caso, comer de três em três horas pode ser muito útil para quem não quer colocar em risco o controle alimentar”, pondera.

A questão comportamental, acreditam os nutricionistas, costuma ser mais determinante que a metabólica. “O resultado da dieta está ligado à qualidade do sono, à ingestão de água e à qualidade de vida. Por isso, ela deve ser adaptada à rotina e aos hábitos alimentares de cada pessoa”, explica Elisa Amaral, nutricionista da academia Bodytech. Quem se propõe a se alimentar com pequenas porções de comida pingadas ao longo do dia tem obrigação de cortar álcool, açúcar e outros alimentos calóricos para ter resultado. Além disso, é preciso uma rotina de exercícios diários. “Se a estratégia é ficar em jejum ou comer em intervalos curtos, o importante é ter disciplina”, conclui.

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