Prematuros com peso inferior a 1 quilo têm tendência maior a desenvolver distúrbios psicológicos na fase adulta

Depressão, ansiedade, déficit de atenção ou hiperatividade estão entre as consequências do baixo peso ao nascer

por Paloma Oliveto 18/02/2015 10:26

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REUTERS/Yves Herman
Bebês com peso muito baixo têm risco de quase 50% de não saírem vivos do hospital (foto: REUTERS/Yves Herman )
Eles mal abrem os olhos e já começam a travar uma batalha pela vida. Tão pequeninos que se acomodam na palma da mão, bebês prematuros que nascem com peso muito baixo – menos de 1kg – têm risco de quase 50% de não saírem vivos do hospital. Os que desafiam os prognósticos adversos e se recuperam não estão, contudo, totalmente isentos dos problemas de saúde. Estudos epidemiológicos indicam que, quando adultas, essas crianças são mais propensas a apresentar distúrbios mentais.

No Canadá, pesquisadores da Universidade de McMaster, em Ontário, analisaram o histórico médico de 84 adultos que nasceram nessa faixa de peso e compararam ao de 90 pessoas que, quando recém-nascidas, tinham peso normal. Todos eles nasceram entre 1977 e 1982 e foram, desde então, acompanhados por médicos em consultas de rotina.

Aqueles que pesavam menos de 1kg ao nascer tinham duas vezes e meia mais chances de desenvolver algum problema psiquiátrico, incluindo depressão, ansiedade, déficit de atenção ou hiperatividade. O risco era ainda maior para os que, além do peso extremamente baixo, também eram pequenos demais para sua idade gestacional. E, no caso de pessoas cujas mães usaram esteroides antes de dar à luz, o risco subia para quatro vezes e meia.

Apesar disso, o principal autor do estudo, publicado no jornal Pediatrics, esclarece que nem todo bebê com baixo peso terá distúrbios psiquiátricos. “O que mostramos é que há um risco aumentado, mas a vasta maioria de indivíduos nascidos com peso muito baixo não terá doença mental”, destaca Ryan van Lieshout. Ele também afirmou que não se sabe o motivo pelo qual os esteroides foram responsáveis pelo aumento do risco em bebês expostos à droga ainda no útero materno.

Causas
Antes do estudo canadense, a pediatra australiana Ruth Morley já havia encontrado uma associação entre nascimento prematuro e transtornos psiquiátricos. Em um artigo publicado no The British Journal of Psychiatry, ela relatou o resultado de uma pesquisa realizada pela equipe da Universidade de Alberta com 6.653 adolescentes atendidos na cidade de Victoria entre 1992 e 1995. “Prematuridade e baixo peso ao nascer foram variáveis associadas a uma taxa substancialmente maior de distúrbio depressivo nos adolescentes, mesmo depois de fazermos os ajustes e levar em conta quaisquer outros fatores que poderiam estar por trás da depressão”, conta. O risco foi até 11 vezes maior, comparado a jovens nascidos com peso normal.

De acordo com Morley, ainda não se sabe exatamente por que o baixo peso ao nascer favorece o surgimento de problemas psiquiátricos mais tarde. Mas ela explica que a fisiologia materna, o genótipo fetal e a função placentária podem afetar o desenvolvimento do cérebro por meio de mecanismos hormonais e nutricionais. “O que esses estudos nos mostram é que médicos de crianças nascidas com baixo peso ou prematuras devem levar isso em consideração ao acompanhá-las porque esses distúrbios podem todos ser controlados com tratamento adequado, mas é importante, para tanto, serem diagnosticados a tempo”, observa.

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