Cientistas usam células-tronco para combater malária em estágio inicial

A técnica evita que o parasita entre na corrente sanguínea do paciente

por Isabela de Oliveira 10/02/2015 11:21

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Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram uma forma de, por meio de células do fígado humano, chegar a medicamentos e vacinas contra a malária. A técnica é voltada para os estágios iniciais do parasita no fígado, evitando que, a partir de lá, ele entre na corrente sanguínea do paciente.

O estudo foi apresentado na revista Stem Cell Reports, publicação oficial da Sociedade Internacional de Pesquisa de Células-Tronco. Embora os cientistas já consigam simular as fases hepáticas do plasmódio, há algumas limitações, como escassez de células do fígado humano e baixa variabilidade genética das amostras disponíveis.

Para superar esses obstáculos, a equipe liderada por Sangeeta Bhatia reprogramou células da pele humana para células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs). As iPSCs conseguem se transformar em qualquer tipo de tecido do corpo, o que é especialmente relevante para o estudo de doenças.

Os pesquisadores infectaram células derivadas de iPSC com vários parasitas da malária para simular, em laboratório, a fase hepática da doença. Elas se mostraram sensíveis ao efeito de dois medicamentos, a atavaquona e a primaquina. “No futuro, esperamos adaptar as células do fígado derivadas de iPSC para culturas de alto rendimento que forneçam testes rápidos e eficientes para drogas antimaláricas”, disse Shengyong Ng, coautor do estudo.

Alberto Chebabo, infectologista do Laboratório Exame, de Brasília, explica que a pesquisa é especialmente importante para alternativas de imunização. “O parasita é complexo. Hoje, temos muitas vacinas que têm como alvo bactérias e vírus, mas, para parasitas, é mais difícil encontrar alvos. Eles têm uma diversidade de fases de crescimento muito diferente, e essa é uma grande complicação”, explica. Em termos de tratamento, ele acrescenta que o maior problema é a resistência desses micro-organismo aos medicamentos.

Ainda grave
Também chefe do Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Chebabo diz que, embora não apareça tanto nos noticiários, a malária ainda é uma doença grave, especialmente na porção norte do país. A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, por exemplo, registrou nos primeiros dias deste ano 855 novos casos da doença no estado. Uma média de 42 diagnósticos por dia. No mundo todo, 500 mil pessoas morrem anualmente em razão da enfermidade.

“A infecção acontece com a picada do mosquito, e o parasita vai para o fígado, onde passa para a fase adulta e infecta as células do sangue. Se você conseguir bloquear a evolução no fígado, diminuiria a evolução da doença. Ele não causa lesões graves no órgão, mas é nele que começa a se multiplicar. Em alguns casos, permanece no fígado e, se isso não for tratado, o paciente pode ter recaídas”, completa o especialista.

Ameaças
Há mais de 100 variedades do parasita causador da malária. Quatro infectam o homem por meio da picada do mosquito anopheles: o Plasmodium vivax, o Plasmodium falciparum, o Plasmodium malariae e o Plasmodium ovale. Quando infestam um organismo, provocam febre alta, calafrios, suores e dor de cabeça. Os sintomas aparecem em padrões cíclicos, a depender da espécie de parasita infectante. A infecção pelo P. vivax, por exemplo, e a pelo P. malariae costumam ser menos graves.

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