Shiatsu na água pode ser usado no tratamento de doenças neurológicas, dores musculares e para relaxar

Técnica alivia tensões, dores, estresse e ansiedade

por Revista do CB 05/02/2015 14:00

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Zuleika de Souza/CB/D.A Press
O terapeuta Fernando Calixlo durante aula com a psicológa Fernanda Pelosi: equilíbrio emocional (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
O watsu é uma forma passiva de terapia corporal dentro da água, que tem como objetivo principal proporcionar bem-estar e relaxamento ao paciente. Além disso, é indicado para o alívio de tensões, dores, estresse e ansiedade, relaxamento muscular e, também, dar mais qualidade de vida a gestantes. A prática é eficaz para tratar diversas doenças neurológicas e musculares.

Com a técnica, totalmente passiva, o paciente é guiado pelo terapeuta. Com a pessoa deitada na água, são executados alongamentos, imobilizações, exercícios articulares, trabalho de massagem e conexão respiratória.

A atividade teve origem no shiatsu, massagem que consiste em aplicar pressão sobre determinados pontos, chamados de tsubos, que formam canais energéticos no corpo, os meridianos. Eles relacionam-se entre si e com os órgãos internos. No interior desses campos, circula a energia vital, chamada de Ki pelos japoneses e Chi pelos chineses. Logo, o watsu vem da nomenclatura: water + shiatsu, ou seja, shiatsu dentro da água. O trabalho inicialmente feito em superfícies, passou a ser experimentado em águas termais. Mas não em qualquer temperatura. Para a realização da técnica, ela deve variar entre 34°C e 35° C. Um pouco abaixo da temperatura do corpo humano.

O watsu pode ser praticado por tempo indeterminado, a depender do desejo do aluno. A duração da aula é, em média, de 50 minutos. “O paciente vem em busca de melhora de um quadro doloroso, e a água pode amenizar a situação”, explica o watsu e fisioterapeuta Fernando Calixto. De acordo com o especialista, entre quatro e seis sessões, a pessoa costuma sentir benefícios significativos.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Do ponto de vista ortopédico, o watsu pode ser eficaz para tratar dores na coluna vertebral — cervical e lombar —, inclusive as originadas por hérnias. Pacientes com artrose, dores crônicas, fibromialgia, esclerose múltipla, mal de Parkinson ou que sofreram acidente vascular encefálico costumam ter bons resultados. A técnica também é recomendada a pessoas depressivas ou ansiosas, assim como a crianças hiperativas

O watsu não vem do shiatsu puro. Tem muitas características do zen shiatsu também. “É um trabalho em que você estimula os meridianos do corpo”, explica Fernando Calixto. O zen também traz a mobilização, alongamentos e respiração. “Quando aplico a técnica em uma pessoa, não faço apenas massagem. Eu mobilizo o corpo também”, afirma.

Formação
Existem três níveis da atividade: em cada etapa, o tempo de duração da aula aumenta e o profissional aprende novas técnicas de massagem. O interessado em orientar essa técnica deve fazer um curso de 50 horas de duração em cada nível. No Brasil, há apenas cinco profissionais formados: três em São Paulo, um em Recife e, em Brasília, o professor Fernando Calixto. Calixto é fisioterapeuta e explica que ter feito o curso não capacita o aluno a tratar patologias, mas somente promover o bem-estar do paciente.

Alerta vermelho
As contraindicações do watsu são as mesmas de qualquer atividade desenvolvida na água:

Feridas abertas
Alergias ao cloro
Doenças infecciosas
Infecções de ouvido
Febre alta
Embolia pulmonar
Problemas cardíacos graves
Problemas pulmonares
Alterações renais importantes
Suspeita de fraturas e/ou luxações
Problemas de pele
Incontinência urinária/fecal

Benefícios

Promove melhora em casos de:

Ansiedade
Depressão
Estresse
Hiperatividade em crianças
Insônia
Dores crônicas na coluna cervial e lombar
Esclerose múltipla

Menos ansiedade
Quem pensa em usar o watsu para perder peso, deve saber que a prática, em si, não promove a redução de massa corporal, mas alivia tensões, estresse e ansiedade — fatores que colaboram com a perda de peso. Além disso, favorece a integração com a atividade física, pois outros exercícios podem ser combinados com o watsu. “Ele trabalha a drenagem corporal e a diurese, ajuda a flexibilidade, diminuição de tônus e ganho de espaços articulares”, explica o terapeuta Maurício Bastos.

A psicóloga Fernanda Pelosi, 47 anos, procurou o trabalho para se recuperar de uma lesão no joelho. “O fisioterapeuta me indicou a atividade para auxiliar a minha reabilitação. Quando comecei, percebi que era muito mais que isso”, conta. Para a psicóloga, a qualidade de vida mudou totalmente depois que conheceu a técnica. “Equilibra o corpo e o emocional. É uma experiência muito interessante desde o toque do terapeuta até o alongamento. Fez muito bem para o meu campo emocional”, afirma.

Entre os benefícios, Fernanda destaca que o corpo ficou mais equilibrado, saudável. Além disso, percebeu melhora no sono e mais harmonia nas emoções. “Tenho mais paz interior e tranquilidade. Quando você faz a atividade, os sentimentos inconscientes se manifestam”, afirma. Ela indica a atividade para todos. “É uma experiência fabulosa. Uma verdadeira reconexão de tranquilidade. Acho que todo mundo deveria viver a experiência de watsu. Para entender a beleza da atividade”, afirma.

As grávidas também têm muito a ganhar com o watsu. A atividade melhora o fluxo sanguíneo, assim como alterações no sistema ósseo e dos músculos. O relaxamento é outro ponto positivo. Durante a gestação, a mulher tende a ficar muito nervosa, com os hormônios alterados e, possivelmente, ansiosa com a chegada do bebê. “É uma técnica passiva. A criança se move bastante dentro da barriga da mãe. Prepara para o parto e reduz o quadro de dor”, afirma o fisioterapeuta Fernando Calixto.

O terapeuta corporal Maurício Bastos recomenda a prática.“Promove os equilíbrios emocional e psicológico. Aumenta o vínculo com a criança e auxilia no preparo para o parto. Além disso, facilita a respiração, levando mais oxigênio para a criança e alivia dores da coluna”, explica. É importante ressaltar que a terapia só pode ser iniciada depois do terceiro mês de gravidez e a mulher deve ter autorização do obstetra.

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