O carnaval vem aí e você precisa saber mais sobre veisalgia (ou os males da ressaca)

Excesso de bebida alcoólica pode provocar até morte. Para evitar mal-estar causado por alterações bioquímicas no cérebro, melhor remédio é a parcimônia

por Márcia Maria Cruz 02/02/2015 09:30

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Se você pensa que cachaça é água, a ressaca vai mostrar que as duas bebidas têm efeito completamente diferente no organismo. Uma das marchinhas carnavalescas mais populares de todos os tempos já alertava para a diferença. Enquanto o H2O promove a hidratação fundamental para as funções vitais e fisiológicas do corpo humano, o álcool pode ter efeitos nefastos quando ingerido em excesso, principalmente no dia seguinte. O álcool é diurético, ou seja, potencializa a eliminação de líquido e também pode causar intoxicação. Os médicos aconselham que o ideal é beber de forma moderada.
Paulinho Miranda/EM/D.A Press
Já se vão pelo menos 10 mil anos de fabricação de bebidas alcoólicas, mas ainda hoje não há um tratamento definitivo para a ressaca (foto: Paulinho Miranda/EM/D.A Press)

Mas, como o carnaval está aí e ninguém é de ferro, é bom saber o que fazer no dia seguinte para não sofrer com a dor de cabeça e outros sintomas desagradáveis comuns a quem bebe muito. “A ingestão excessiva de bebidas alcoólicas intoxica o organismo, que precisa eliminar o álcool. O exagero no consumo pode ocasionar desde uma simples ressaca até a morte. A ressaca nada mais é que o organismo tentando se recompor após a agressão sofrida no dia anterior”, afirma Breno Figueiredo Gomes, diretor da Sociedade Brasileira de Clínica Médica-Regional MG. A ressaca é conhecida cientificamente como veisalgia, termo que nasce da junção da palavra norueguesa kveis, que significa mal-estar depois da orgia, e do sufixo grego algia, que quer dizer dor. Literalmente é a dor e mal-estar resultantes de uma orgia.

A sensação de mal-estar é causada por alterações bioquímicas no cérebro, explica Oswaldo Fortini, clínico geral e presidente da Sociedade de Clínica Médica de Minas Gerais. Como o álcool é tóxico, desencadeia uma série de alterações no cérebro.

Quem fica de ressaca costuma se queixar de não conseguir se lembrar do que ocorreu no dia anterior, mas o problema atormenta homens e mulheres há milhares de anos. Desde quando a humanidade começou a fabricar bebidas como vinho e cerveja, as pessoas tiveram que aprender a lidar com os efeitos do excesso de bebida alcoólica. “Existem relatos de egípcios e gregos, além do Antigo Testamento, que já citavam os efeitos da libação alcoólica no organismo. Entretanto, foi a partir do século 19, quando passamos a produzir bebidas mais alcoólicas, que a ressaca passou a fazer parte do nosso cotidiano”, relata Gomes.

Já se vão pelo menos 10 mil anos de fabricação de bebidas alcoólicas, mas ainda hoje não há um tratamento definitivo para a ressaca. O médico lembra que são descritas na literatura inúmeras maneiras para prevenção, redução da duração e da intensidade dos sintomas, mas poucos têm embasamento científico. “O melhor remédio para a ressaca é o tempo”, prescreve Breno Gomes. O médico alerta para o uso de medicamentos aparentemente inofensivos, mas que podem ter efeitos colaterais quando ingeridos antes ou depois de uma bebedeira. É o caso do ácido acetilsalicílico que, com o álcool, pode causar irritação gástrica e levar até a sangramentos graves. O acetaminofeno (paracetamol) também não é indicado. O resultado pode ser bem negativo, uma vez que a mistura é tóxica e pode causar complicações ao fígado.

“Geralmente, os sintomas iniciam-se quando os níveis de álcool no organismo começam a cair e atingem o seu ápice quando chegam a zero”, pontua Breno Gomes. A ressaca pode durar horas, ou até um dia inteiro.

A boca com sabor de cabo de guarda-chuva é o menor dos males de um dia que segue a uma bebedeira. Desidratação, cefaleia, vômitos, diarreia, gases, fraqueza, elevação da temperatura corporal e da frequência cardíaca, sialorreia (aumento da salivação), sudorese, ansiedade, irritabilidade, hipersensibilidade à luz e ao barulho, tremores e mau hálito são alguns dos sintomas. O álcool causa ainda desidratação, distúrbios hidroeletrolíticos, alterações gastrointestinais, queda da glicemia, distúrbios do sono e do ritmo biológico. Outro efeito da ressaca é a abstinência alcoólica, porque depois de um tempo de ingestão de álcool o organismo sente quando ele é suspenso. A dor de cabeça é causada por uma alteração bioquímica no cérebro.

VELHA E BOA ÁGUA
Com a sensação de boca seca, quem amanhece de ressaca precisa tomar muita água. “A cerveja tem baixo teor alcóolico e quem ingere a bebida em excesso vai muito ao banheiro. Com muito líquido, os rins são ainda mais estimulados a funcionar”, explica Oswaldo Fortini.

Para “rebater” a ressaca, muitas pessoas optam por tomar outra “dose”, mas os médicos alertam que essa é uma sensação que engana. “É um problema imenso, que pode desencadear o vício do alcoolismo”, alerta o clínico geral. De acordo com Breno Gomes, rebater a ressaca bebendo novamente apenas vai postergar os sintomas. “É uma forma de expor seu organismo ao risco da ingestão descontrolada. A melhor alternativa para curar a ressaca é dormir bastante e hidratar-se bem.”

Antes de começar a beber, é indicado se alimentar e se hidratar. A quantidade de água que se toma durante a ingestão de álcool também irá contribuir para reduzir o sofrimento do dia seguinte. “A alimentação antes e durante a bebedeira vai diminuir a ressaca, porque a absorção do álcool vai ser menor”, explica. Entretanto, o médico é categórico: o melhor jeito de prevenir a ressaca é ingerir menos álcool.


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