Pesquisa indica que meditar provoca melhorias na memória

A prática aumenta a massa cinzenta e melhora as emoções

por Zulmira Furbino 27/01/2015 13:00

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Tulio Santos/EM/D.A Press
Grupo se reúne em Belo Horizonte para a prática de meditação zen-budista coordenado pelo monge Napoleão Gontijo: foco na respiração (foto: Tulio Santos/EM/D.A Press)
Quando o ano vira para dar início a um novo ciclo, e as pessoas começam a traçar metas para os próximos 365 dias, talvez seja a hora de respirar fundo e buscar na meditação uma ferramenta para melhorar a saúde e a qualidade de vida, além de reduzir o estresse do dia a dia. Pesquisa realizada pela Harvard Medical School, nos Estados Unidos, mostrou que um dos efeitos da meditação centrada na respiração é o aumento da massa cinzenta e a alteração no formato do cérebro. As mudanças ocorreram duas semanas depois que adultos começaram a prática e foram constatadas com o apoio de um instituto de neuroimagem alemão e da University of Massachusetts.

O trabalho envolveu 16 adultos entre 25 e 55 anos, que participaram de encontros semanais, com duas horas e meia de duração, e foram orientados a fazer quatro minutos de exercícios diários em casa e a praticar os ensinamentos da meditação em sua rotina diária. Para avaliar as mudanças ocorridas em seu cérebro, os participantes se submeteram a ressonâncias magnéticas, antes e depois do início das aulas. Essa avaliação mostrou um aumento da massa cinzenta no hipocampo esquerdo dos que fizeram a meditação, mas, quando foi realizada avaliação de todo o cérebro, verificou-se aumento da massa cinzenta também no córtex cingulado posterior, na junção temporo-pariental e em dois pontos do cerebelo. Segundo os pesquisadores, isso indica melhorias em regiões que envolvem a memória, o estresse, a aprendizagem e as emoções.

É no hipocampo que há a maior concentração de neurônios no cérebro, o que significa que, ao contrário do que se acreditava, os neurônios podem nascer a qualquer momento da vida, desde que haja condições propícias para isso. É essa atividade que permite a mudança na estrutura do cérebro. Anteriormente, os mesmos pesquisadores já haviam notado a redução na massa acinzentada na região ligada à ansiedade e ao estresse, a amígdala cerebral, em pessoas que fizeram meditação por oito semanas. Os benefícios da meditação para o cérebro humano já foram reconhecidos por trabalhos realizados nas mais conceituadas universidades do mundo. Pesquisas feitas na Universidade de Montreal sustentam que a prática regular da meditação, com foco na respiração, pode reduzir as sensações de dor em até 18%.

Pensamentos
Os benefícios para o ser humano vão desde redução da pressão arterial, aumento da capacidade funcional em pacientes com insuficiência cardíaca, resistência a insulina da síndrome metabólica, redução e regressão da arteriosclerose até mesmo ajuda na recuperação de pacientes viciados em droga, desde que estejam em tratamento. De acordo com Teresa Castilho, professora de meditação transcendental, técnica criada pelo guru dos Beatles, Maharishi Maheshi Yogi, os benefícios ocorrem porque a mente tem uma fonte geradora de energia e inteligência que precisa ser acessada todos os dias. É isso que vai permitir a criação de uma sequência mais refinada de pensamentos. “A meditação é um processo de ação, palavra, pensamento e não pensamento, de redução da atividade mental até o não pensamento”, explica.

De acordo com ela, qualquer pessoa tem capacidade de meditar e, com isso, reduzir o nível de atividade mental. Vinte minutos de prática diária, duas vezes ao dia, reduzem a atividade metabólica entre 16% e 20%. Para se ter uma ideia, no sono, a queda na atividade metabólica é de cerca de 8%. A pessoa passa a dormir melhor e o suficente, de acordo com a sua fisiologia.

“Por isso, na meditação transcendental, a técnica, apesar de universal, é ensinada individualmente. Ao meditar, cada um tem o seu mantra de uso pessoal. Esses mantras vêm de uma linhagem de mestres e não têm significado, mas padrões de vibração”, observa Teresa Castilho.

Mas nem todas as técnicas de meditação visam alcançar um objetivo específico. O monge zen-budista Ryo Kei Napoleão Gontijo explica que a prática do zen não tem objetivos explícitos e não tem a pretensão de criar qualquer tipo de expectativa que vise retorno imediato, como a mudança na qualidade de vida de uma pessoa. “A prática é aquele momento em que você está sentado, em silêncio, observando sua respiração. Essa atividade não é um meio de atingir algo, ela é, em si mesma, o que precisa ocorrer”, ensina.

Ainda assim, isso não significa que, ao praticar a meditação zen, uma pessoa não tenha como retorno mais qualidade de vida, melhorias na saúde e o cérebro dinamizado. A ideia, segundo ele, é romper a cadeia estruturada em cima do desejo e do ego. “Ficar 40 minutos sentado em frente a uma parede é lidar com o trânsito de pensamentos e, ao mesmo tempo, não se ligar a eles, voltando-se para a respiração. Isso afrouxa a conduta de pensamentos que tentam coordenar a existência”, observa.

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