TDAH na vida adulta: comum na infância, transtorno afeta de 2% a 6% da população em idade produtiva

Quem tem perde, em média, 35 dias de trabalho por ano e têm problemas como ansiedade e depressão

por Bruno Freitas 26/01/2015 09:36

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Falar ao celular, comer, ler, mexer no computador, abrir a janela do quarto... Você tem o hábito de fazer várias coisas ao mesmo tempo e qualquer ruído normalmente o incomoda? Então, há grandes chances de ser um portador de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Mais comum na infância, o distúrbio passa despercebido nos primeiros anos de vida e os sintomas e desconfortos acabam tornando-se evidentes na fase adulta. As consequências podem influir diretamente no seu desempenho: dados recentes apontam que adultos com TDAH perdem, em média, 35 dias de trabalho por ano, além de gastar o dobro de tempo para realizar as tarefas.

Os sintomas mais comuns na vida adulta são problemas de desatenção para tarefas simples do cotidiano e do trabalho, bem como a memória. Não raro, os hiperativos são esquecidos, inquietos, impulsivos e vivem mudando de assunto. Por ter dificuldade em avaliar o próprio comportamento, podem ser considerados egoístas. Em 80% dos casos, a origem é genética. Um parente de primeiro grau tem o risco em apresentar o transtorno aumentado de duas a oito vezes.

EM/D.A Press
Desatenção, hiperatividade e impulsividade estão entre os principais sintomas do TDAH (foto: EM/D.A Press)
“O diagnóstico de TDAH em adultos é oficialmente reconhecido e atualmente há um corpo sólido de conhecimento científico evidenciando que a doença se mantém ao longo da vida, contrariando a ideia de que persistia apenas até a adolescência. A modificação ou atenuação dos sinais de hiperatividade e por vezes também os de impulsividade fazem do quadro no adulto um transtorno com predomínio de sintomas cognitivos, em contraposição ao quadro predominantemente motor e comportamental na infância”, ressalta o diretor da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr), Carlos Guilherme da Silva Figueiredo.

DIAGNÓSTICO
O especialista explica que problemas emocionais e de relacionamento comuns nessas pessoas, somado aos diversos transtornos que aparecem depois do TDAH, dificultam o diagnóstico e requerem do profissional uma maior perícia e familiaridade para lidar com ele.

O manual diagnóstico e estatístico dos transtornos mentais (DSM) classifica a síndrome em três tipos: TDAH com predomínio de sintomas de desatenção; TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade/impulsividade e TDAH combinado. “Adultos com TDAH mantêm a tríade de sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade em graus variados. Eles apresentam, com frequência, comprometimento das funções executivas, incluindo ativação para as tarefas, persistência, planejamento, organização, automonitoramento, controle de impulsos, estabelecimento de prioridades, tomada de decisões e integração de diferentes atividades mentais de momento a momento. Em termos práticos, esse comprometimento acarreta problemas na estimativa e uso do tempo, com o cumprimento de obrigações, e dificuldades de colocar na vida prática proposições e combinações feitas no plano teórico. Essas funções têm um papel cada vez mais importante à medida que o indivíduo amadurece e passa a ser exigido em sua capacidade de autonomia para tomar decisões e resolver problemas do cotidiano”, acrescenta o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva.

PREVALÊNCIA

O distúrbio não é novo nem reflexo da vida cada dia mais corrida. Já no século 19 passou a ser descrito por especialistas. Desde a década de 1980, passou a surgir nas classificações internacionais. O primeiro medicamento estimulante, principal forma de tratamento, foi liberado para comercialização no Brasil apenas em 1998. “Nas últimas duas décadas, o interesse, as pesquisas e o conhecimento sobre o tema aumentaram significativamente”, aponta Figueiredo.

A prevalência na infância e adolescência varia entre 3% e 5%, enquanto nos adultos varia de 2% a 6%. Se não tratado, o distúrbio pode levar ainda a uma série de problemas comportamentais que impactam na saúde, tais como o uso de drogas e álcool, ansiedade e depressão.

A forma de tratamento mais utilizada envolve uma abordagem múltipla, englobando psicoterapia e prescrição de medicamentos com metilfenidato e antidepressivos. A eficácia do método é de 80% em média, segundo a ABP. O que depende de cada caso. “Além da redução da desatenção, da hiperatividade e da impulsividade, o tratamento melhora os comportamentos associados ao transtorno, como o desempenho acadêmico, no trabalho e o funcionamento social”, acrescenta Silva. Estudos recentes demonstram que a prevalência de TDAH é parecida em diferentes regiões do mundo, o que descarta fatores culturais ou geográficos relacionados a sua origem.


Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)

Quais os perfis mais comuns de adultos com TDAH no Brasil?

Descuido nas atividades, falta de organização, dificuldade em manter a concentração e atenção, inquietude, impulsividade e hiperatividade são apenas alguns dos sintomas típicos do adulto com TDAH.

Geralmente, são bem ou malsucedidos nos âmbitos social e profissional?
A instabilidade profissional, maior índice de desemprego e de desistência e evasões de universidades e cursos profissionalizantes, perdas e descuidos para datas e reuniões importantes, dificuldade para expressar suas ideias e para planejar-se, além de um rendimento abaixo da capacidade intelectual, são comuns em adultos.

Quais são as formas mais eficazes de tratamento para se amenizarem os efeitos, sobretudo no trabalho?
O tratamento do transtorno envolve uma abordagem múltipla, englobando intervenções psicossociais e psicofarmacológicas, com eficácia no tratamento de até 80%. Além da redução da desatenção, da hiperatividade e da impulsividade, o tratamento melhora os comportamentos associados ao transtorno, como o desempenho acadêmico, no trabalho e o funcionamento social.

O que é o TDAH?
É um transtorno neurobiológico, geralmente de causas genéticas, que aparece na infância e pode acompanhar o indivíduo por toda a vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Às vezes é chamado de Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA). Em inglês, é ADD, ADHD ou de AD/HD. É reconhecido oficialmente por vários países e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em alguns países, como os EUA, os portadores são protegidos por lei para receberem tratamento diferenciado na escola.

» Sintomas

– Desatenção
– Hiperatividade e impulsividade

» Causas
– Estudos apontam predisposição genética e alterações nas substâncias químicas chamadas neurotransmissores (principalmente dopamina e noradrenalina), que passam informação entre as células nervosas (neurônios) na região frontal do cérebro
– Hereditariedade
– Substâncias ingeridas na gravidez, como nicotina e álcool
– Sofrimento fetal
– Exposição a chumbo
– Problemas familiares

» Tratamento
Varia de acordo com a presença de mais doenças ou outros males associados. Consiste em psicoterapia e na prescrição de metilfenidato (medicamento psicoestimulante) e antidepressivos

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