Fisioterapia neurofuncional ajuda melhorar a função física de pacientes com problemas neurológicos

Esse tipo de terapia tem por objetivo manter, maximizar ou restaurar a função física dos indivíduos com algum tipo de condição neurológica

por Augusto Pio 20/01/2015 16:00

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Indivíduos com desordens neurológicas, como síndrome de Down, paralisia cerebral, acidente vascular encefálico e mal de Parkinson, ou doenças degenerativas, entre outras, estão obtendo resultados positivos com a aplicação da fisioterapia neurofuncional (FN). A fisioterapeuta Janaine Cunha Polese explica que esse tipo de terapia tem por objetivo manter, maximizar ou restaurar a função física dos indivíduos com algum tipo de condição neurológica. “Deficiências comuns associadas a condições neurológicas incluem alterações no equilíbrio e destreza, fraqueza muscular, alterações nos movimentos, atraso nas aquisições motoras e perda da independência funcional, entre outros. A FN pode resolver grande parte desses problemas, além de auxiliar na restauração e manutenção da função, retardando a progressão da doença e melhorando a qualidade de vida dos indivíduos”, garante.

CRISTINA HORTA/EM/D.A PRESS
A fisioterapeuta Janaine acompanha o paciente Rodrigo Bezerra em sua clínica no Bairro Santo Agostinho (foto: CRISTINA HORTA/EM/D.A PRESS)
A especialista observa que as técnicas utilizadas por fisioterapeutas neurofuncionais são amplas e, muitas vezes, exigem uma formação especializada. “Em comum com todas as especialidades da fisioterapia, a FN é focada, em especial, no movimento humano. O fisioterapeuta neurofuncional lança mão de técnicas para fortalecimento muscular, uso de eletroestimulação, terapias de contensão e indução de movimento, treinamento de habilidades motoras, como caminhar, subir e descer escadas, treinamento cardiorrespiratório, entre outros.”

Janaine afirma que os benefícios são variados e dependem do grau de acometimento, diagnóstico e prognóstico da doença. “A partir do tratamento, o paciente pode adquirir novas habilidades motoras, reaprender diferentes funções, diminuir o cansaço na realização das atividades, ser independente no seu dia a dia e melhorar sua qualidade de vida. Pacientes com acometimentos diversos de ordem neurológica se beneficiam significativamente com o tratamento. Alguns exemplos de acometimentos podem ser citados: atrasos no desenvolvimento motor, síndrome de Down, paralisia cerebral, doenças neuromusculares, malformações congênitas, mielomeningocele, acidente vascular encefálico, lesão medular, traumatismo cranioencefálico, mal de Parkinson, esclerose múltipla e doenças neuromusculares, entre outros.”

EFICÁCIA
Pesquisas científicas atuais têm demonstrado que diversas técnicas utilizadas na FN são eficazes em diferentes desfechos, em variadas doenças de ordem neurológica. “Para pacientes que tiveram um acidente vascular encefálico (AVE), por exemplo, estudos científicos atuais comprovam a eficácia de intervenções como condicionamento aeróbico, para o aumento na velocidade ao caminhar; estimulação elétrica, para o aumento da força muscular; fortalecimento muscular, para o aumento da força muscular de membros superiores e inferiores, aumento da força da musculatura respiratória, aumento da velocidade ao caminhar e melhora da qualidade de vida; terapia de contensão induzida, para o aumento do uso do membro superior, melhora da destreza e recuperação motora; e terapia do espelho para membros superiores, para a melhora da dor, melhora da função motora e atividades da vida diária”, ressalta a especialista.

Na realidade, quanto mais precocemente, a partir do diagnóstico, o paciente iniciar a FN, melhor é o prognóstico. “Estudos apontam que quanto mais rápido o tratamento for iniciado, maior a chance de os pacientes alcançarem melhores resultados com o tratamento.”


Área diversificada
O campo de atuação da fisioterapia neurofuncional é amplo, incluindo a assistência fisioterapêutica neurofuncional na criança, no adolescente, no adulto e no idoso. A fisioterapeuta neurofuncional Janaine Cunha Polese explica que os tratamentos ganharam visibilidade depois do surto de poliomielite, em 1916. “Durante a 1ª Guerra Mundial, mulheres foram recrutadas para restaurar a função física em soldados feridos e, a partir dessa ocasião, a fisioterapia foi institucionalizada. Devido ao aumento da demanda de jovens adultos com lesões cerebrais agudas depois da 2ª Guerra Mundial, fisioterapeutas iniciaram a busca de meios e terapias específicos para tais tipos de lesões e doenças, o que fez com o que a FN começasse a ser desenvolvida.”

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