Pilates a longo prazo: conheça os benefícios relatados por veteranos

O que os praticantes veteranos têm a dizer sobre a atividade? Embora cada aluno trabalhe com um objetivo específico, o ganho na qualidade de vida é evidente

por Carolina Samorano 13/01/2015 09:30

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	Zuleika de Souza/CB/D.A Press
A atriz e cantora Anna Amélia Carneiro encontrou no pilates um alívio imeditado para as dores decorrentes de uma hérnia de disco (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Quando a servidora pública Marilúcia Ningeleski, 40 anos, chegou à sua primeira aula de pilates, procurava por algo que aliviasse a dor e ajudasse na reabilitação de sua então recente cirurgia de hérnia de disco. Foi o próprio médico quem havia lhe indicado a prática. “Fiquei ótima. Eu já tinha tentado outras coisas, como a hidroterapia, mas, no pilates, eu fiquei”, conta. Quase 10 anos depois, ainda é nas aulas de pilates — que mantém religiosamente três vezes por semana — que Marilúcia faz a manutenção da sua coluna. “Tomei gosto pelo pilates e, mesmo me sentindo muito melhor, mantive as sessões”. Em 2012, porém, precisou enfrentar nova cirurgia. “É que inventei de fazer musculação e, como já tenho predisposição a desenvolver hérnia, tive de operar novamente”, lembra.

A segunda cirurgia foi menos invasiva — talvez, segundo os médicos, pelos anos acumulados de prática de pilates. Há dois anos, a servidora decidiu abandonar as aulas de pilates que fazia na academia e procurar uma prática mais completa, orientada por um fisioterapeuta. Hoje, com o pilates definitivamente incorporado à rotina, os benefícios já são mais do que perceptíveis. “Meu alongamento melhorou muito, além da postura. Eu era corcunda. Costumo brincar com o meu instrutor que cresci alguns centímetros desde que comecei. Não me vejo mais sem. Tem uma senhorinha na clínica que faz também e digo que esse é meu futuro. Não paro nunca mais”, ri a servidora.

Para além dos benefícios prometidos por especialistas, são os alunos fiéis, aqueles adeptos há anos, os que melhor podem contar o que de fato o pilates traz de mudanças. Postura, respiração, consciência corporal, alívio de dores e tônus muscular são os primeiros itens a serem lembrados pela maioria. Mas os instrutores avisam: embora algumas melhorias sejam sentidas já nas primeiras aulas — o alívio de dores na coluna ou nas articulações, por exemplo —, a maior parte delas chega a médio ou longo prazos. É preciso paciência e compromisso para que a prática comece a dar os resultados esperados.

“Flexibilidade e postura são os que você vê primeiro. Mas, a curto prazo, é difícil. Se você espera emagrecer, por exemplo, não é esse o exercício. O pilates ajuda no fortalecimento muscular, no equilíbrio e na definição, mas o foco não é o emagrecimento. Por isso, para meus pacientes que esperam emagrecer, eu sempre aconselho conciliar com alguma atividade aeróbia”, explica o fisioterapeuta Daniel Valadão. Segundo o instrutor, mesmo crianças e adolescentes podem se beneficiar do pilates. Marilúcia, por exemplo, vai começar o ano levando a filha para as aulas, para corrigir uma lordose antes que se agrave. “A gente trabalha muito na estabilização do tronco, no fortalecimento abdominal e dos músculos das costas”, continua Valadão.

[FOTO3]A atriz e cantora Anna Amélia Carneiro, 29 anos, é adepta do pilates desde 2007, quando procurou a prática para melhorar um problema de joelho causado pelos anos de kung fu. “Eu precisava fortalecer a musculatura do joelho, mas morria de preguiça de academia. Minha mãe praticava pilates e achou que poderia ser bom para mim. E foi mesmo”, conta. Um pouco depois, um acidente de carro acabou lhe deixando com uma hérnia de disco. Mais uma vez, foi o pilates que a salvou. Por causa dele, Anna ainda não precisou enfrentar uma cirurgia. “Já fiz vários tratamentos e, na época, o médico pediu que eu fizesse RPG. Mas, como disse que já fazia pilates, ele me orientou a continuar. Hoje, se sinto dor na coluna, venho fazer uma aula e a dor melhora na mesma hora”, diz. Além do efeito terapêutico, Anna diz que sentiu a postura melhorar e a musculatura do abdome se fortalecer. “O pilates me ajudou muito”, finaliza.

De acordo com o fisioterapeuta e instrutor Irineu Caixeta, a maioria dos pacientes ainda chega ao pilates por indicação médica, para ajudar na reabilitação de um problema de ombro, joelhos ou coluna. Contudo, há aqueles que procuram a atividade pela oportunidade de fazer um exercício físico supervisionado, já que as turmas têm, no máximo, três pessoas. “Tem gente que não gosta de academia e que procura uma coisa mais individualizada. Costumo dizer que não substitui a academia. Auxilia, sim, no emagrecimento, dando disposição e flexibilidade, e previne lesões, mas o foco é outro”, ressalta.

Segundo Irineu, resultados como o alívio de dores, por exemplo, costumam vir logo nas primeiras 10 aulas. Com 30, já é possível notar melhorias na flexibilidade e na postura. Além disso, a prática não tem contraindicação. Os exercícios são adaptados para as necessidades e limitações de cada pessoa — por isso, a importância de uma boa avaliação antes do início das aulas. “Gestantes também têm resultados ótimos, tanto no alívio de dores quanto na recuperação do pós-parto”, complementa.

O advogado Guilherme Barbosa, 49 anos, fez a primeira aula há quatro anos, como uma alternativa às academias. “Eu sempre gostei muito de fazer atividade física. Mas sentia que saía exausto, desgastado da musculação. Como gosto muito de correr, queria algo que me ajudasse na corrida, e me indicaram o pilates”, conta. O advogado nunca teve lesões na corrida e acredita que, em parte, isso se deva ao trabalho de prevenção do pilates. “Além disso, melhorei muito minha respiração e meu alongamento. Tinha um encurtamento que melhorou bastante depois do pilates. Fora que saio daqui me sentindo muito bem. Sinto que malhei, mas com uma grande sensação de bem-estar”, resume.

	Zuleika de Souza/CB/D.A Press
(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)


"Flexibilidade e postura são os benefícios que você vê primeiro. Ajuda no fortalecimento muscular, no equilíbrio e na definição, mas o foco não é o emagrecimento”, Daniel Valadão, fisioterapeuta

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