Especialistas reforçam que trocar de curso ou de profissão não é um problema; apoio familiar é muito importante

O importante é sentir-se feliz com a escolha

por Correio Braziliense 08/01/2015 12:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
É sempre um desafio. Às vezes mais, e às vezes menos trabalhoso. Independentemente da idade, escolher uma profissão requer a análise de uma infinidade de fatores — pressão da família, tendências de mercado, contatos e experiências profissionais já firmados, vocação… Sobreviver ao momento turbulento requer alguns cuidados, como pesquisar a área cogitada e avaliar possíveis mudanças de endereço. Se ainda assim não der certo, especialistas garantem que sempre é tempo de começar de novo.
Ed Alves/CB/D.A Press
Mada começou ciências farmacêuticas, trocou para o curso de audiovisual e, depois dele, planeja estudar biologia (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Há 8 anos, Mada Garcia, 25, foi fazer a inscrição no vestibular certa da carreira que gostaria de seguir. “A vida inteira me interessei em áreas relacionadas a ciências farmacêuticas. Eu achei que esse era o curso certo”, lembra. Já no primeiro semestre da faculdade, porém, a jovem percebeu que não era aquela profissão com a qual gostaria de trabalhar e começou a pensar em mudar para a área de audiovisual. “Fiquei dois anos remoendo a ideia”, conta. “Alguns amigos fazem e me contaram como era o curso. Como eu gosto de fotografar e filmar, achei que tinha a ver.” Quando decidiu que era hora de apostar na nova graduação, veio outro impasse: contar para a mãe sobre a troca. “Era uma coisa diferente para ela. No início, foi complicado mudar a ideia dela sobre o curso, mas, depois que eu contei como era, com o que eu poderia trabalhar, deu certo.” Além de se inteirar sobre a nova carreira com estudantes do curso, Mada frequentou a nova faculdade antes de fazer o segundo vestibular. “Fui ao departamento e fiz algumas matérias”, diz a estudante da Universidade de Brasília (UnB). Depois de estagiar na área e a um semestre da formatura, Mada ainda não tem certeza de que encontrou a profissão certa. “Não estou satisfeita, mas vou me formar”, garante. Após a graduação, a estudante pretende se inscrever no vestibular novamente e tentar uma área voltada para as ciências biológicas. Geunice Tinôco, assistente social da Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ), em Minas Gerais, ressalta que, ao desistir de um curso, é importante que o estudante questione o porquê da decisão. “Ele precisa se perguntar: O que provocou essa desistência? Quais aspectos do curso o desagradaram? Existia afinidade com a área escolhida ou a escolha se deu a partir de influências diversas? Essas questões trarão elementos para que a pessoa pense sobre os pontos negativos da primeira opção para, em seguida, começar a elencar os aspectos importantes a serem observados na nova escolha”, ensina. O assistente social também alerta sobre a importância de procurar uma graduação que traga prazer. “Acomodar-se a uma escolha insatisfatória, principalmente quando se trata de uma carreira, fará com que você se transforme em um profissional sem comprometimento e infeliz”, explica. E o universo de insatisfeitos é grande. Pesquisa do Instituto Gallup Organization indica que, no mundo, 72% das pessoas não gostam do próprio trabalho. Desse total, 18% estão “ativamente desengajadas” e dispostas, inclusive, a prejudicar o local em que atuam profissionalmente. Desistência comum O Ministério da Educação não tem dados sobre a desistência de graduações no Brasil. A estimativa é de que, em média, dois em cada 10 estudantes desistem do curso escolhido (Leia Para saber mais). As dúvidas começaram a inquietar Raysa Soares, 24 anos, durante a formação, mas uma boa proposta a fez insistir na carreira. “Consegui um emprego como produtora de tevê antes de terminar a faculdade. Trabalhei mais de um ano, mas não saía do lugar. Deixei o trabalho decidida a começar letras, mas surgiu um emprego com um salário muito bom. Não gostei, vi que jornalismo não era mesmo para mim”, conta. Antes de entrar na faculdade, Raysa considerava estudar letras. “Por causa do horário das aulas e do mercado de trabalho, decidi por jornalismo”, lembra. Ela dava aulas de português em uma escola estadual em Luziânia no início da primeira graduação, mas parou para se dedicar inteiramente aos estudos. A experiência com a profissão ajudou Raysa a tomar a decisão de voltar aos bancos da universidade. “Ser professora é o que me faz feliz. Por isso, comecei letras.” A jovem está no primeiro semestre da faculdade, mas já se sente segura com a decisão. “Agora, estou feliz”, diz a estudante da UnB. A universidade, aliás, tem recebido cada vez mais estudantes com esse perfil. O processo seletivo diferenciado para portadores de diploma de nível superior na UnB teve aumento de 30% na demanda de inscritos entre 2011 e 2013. A média de matriculados nesse processo seletivo é de 400 candidatos por ano. Dá para conciliar E quando a balança pesa igual para os dois lados? Especialistas garantem que há casos em que é possível conciliar carreiras. Claro que com ainda mais dedicação e cuidados. Flávia Macêdo, 24 anos, vive assim. Ela procurou ajuda profissional na época em que precisou escolher uma graduação. “Fiz um teste vocacional com um psicólogo. O resultado indicou a área criativa: visagismo ou publicidade e propaganda”, conta. Na época, ela já pensava em cursar a segunda opção, e o aconselhamento só reforçou a decisão. “Eu mexia um pouco com a área, com alguns programas. Quando comecei a faculdade, me identifiquei.” Durante a graduação, Flávia fez estágios e, depois de formada, trabalhou em alguns projetos. Mesmo feliz com a profissão, resolveu parar e estudar a outra opção indicada no teste vocacional: o visagismo. Flávia procurou a escola de um salão de beleza da cidade e começou a trabalhar como cabeleireira “Percebi que eu tinha muitas habilidades. Foi uma descoberta para mim.” Satisfeita com ambas as áreas, a jovem decidiu sair do salão em que trabalhou por três anos para se dedicar autonomamente às carreiras. “Hoje, faço alguns projetos (de propaganda e publicidade) e atendo (como cabeleireira) algumas clientes também”, comemora.
Breno Fortes/CB/D.A Press
A mãe de Amanda a incentivou a cursar direito. Depois de pesquisar a área, a jovem encarou o vestibular (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
A força do apoio familiar No caso de Amanda Pissolatti, 17 anos, o processo de escolha da graduação foi tranquilo. Ele acabou de fazer o vestibular para direito e não tem dúvidas de que é o curso certo. “Tenho certeza há muito tempo”, diz. A jovem não procurou testes vocacionais ou assistência de um profissional. A ajuda da mãe foi essencial para que tomasse a decisão. “Desde o 7º ano, ela me falava sobre a área. Comecei a pesquisar mais e gostei.” Ana Paula Alves, coordenadora geral de estágio da Universidade Paulista (Unip), ressalta a importância do apoio familiar na hora da decisão, mas ela alerta que é preciso tomar cuidado para que o suporte não seja prejudicial ao jovem. “Os pais precisam mostrar a necessidade do estudo e de buscar se identificar com uma carreira. A influência deles precisa ser determinante no suporte ao filhos, não na decisão. Não adianta fazer um curso porque o pai ou a mãe optou.” Geunice Tinôco, assistente social da Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ), completa: “Embora a preocupação com o futuro dos filhos seja algo compreensível, influências ou interferências excessivas são desaconselháveis, sendo preferível que a conversa seja voltada para o esclarecimento de dúvidas a respeito das profissões, indicando vantagens e desvantagens de cada uma”. Durante sua pesquisa, Amanda não se esqueceu de procurar entender em que as áreas poderia atuar depois de formada. “Também escolhi o direito porque o mercado de trabalho é amplo”, diz. Mesmo tendo certeza do que quer estudar na faculdade, a jovem reconhece que tem afinidade por outras áreas. “Pensei em jornalismo e biologia, mas são apenas segundas opções.” Ana Paula Alves avalia que Amanda cumpriu todas as etapas importantes para a escolha de uma profissão. “Primeiro, fazer uma lista com várias opções de curso. Também é importante buscar informações tomando como base aquilo que se deseja, aquilo com que mais se identifica. Uma vez que a pessoa consiga identificar quais são esses cursos, ela deve começar a analisar as diversas áreas do mercado em que poderá ser inserida”, detalha. Cuidados ao trocar A mudança de profissão requer cautela. Confira algumas dicas de como se planejar para fazer a transição sem problemas 1. Questione-se sobre os motivos de não querer continuar seguindo a profissão 2. Pense em outra carreira na qual você gostaria de trabalhar 3. Procure informações sobre a nova graduação e o mercado de trabalho 4. Converse com pessoas que trabalham na nova área 5. Prepare-se financeiramente para a mudança 6. Certifique-se de que a nova profissão trará mais prazer que a atual

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE SAÚDE PLENA