Tomografia após derrame prevê risco de repetição

Medidas para evitar a ocorrência de novos derrames contemplam monitoramento cardíaco, medicamentos para baixar a pressão arterial, tratar colesterol alto ou prevenir coágulos sanguíneos

05/01/2015 11:00

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Maurenilson Freire/CB/D.A Press
(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
Uma tomografia computadorizada do cérebro feita menos de 24 horas após a ocorrência de um derrame pode predizer o risco de o paciente sofrer outro episódio ou de os sintomas piorarem, de acordo com pesquisa da Associação Americana do Coração publicada no jornal Stroke. A indicação é apenas para casos de média gravidade, quando o ataque isquêmico transitório (AIT) não traz consequências incapacitantes. Essa condição é menos severa que o acidente vascular cerebral (AVC), mas também é causada pela restrição de fluxo sanguíneo no cérebro. Os sintomas podem durar apenas alguns minutos.

“Todos os pacientes deveriam fazer a tomografia depois de um AIT”, defende Jeffrey Perry, coautor do estudo e professor de medicina de emergência na Universidade de Ottawa, no Canadá. “As imagens podem ajudar os profissionais de saúde a identificar padrões de danos associados a diferentes níveis de risco para um derrame subsequente ou ajudar a predizer quando os sintomas poderão piorar.”

De acordo com ele, no estudo, dos 2.028 pacientes submetidos ao exame em até 24 horas após a ocorrência do ataque isquêmico transitório, 814 (40,1%) sofreram danos cerebrais devido à falta de circulação, a isquemia. Comparado àqueles que não tiveram esse problema, a probabilidade de outro derrame ocorrer em até três meses após o episódio inicial foi 2,6 vezes maior se a imagem revelou novos tecidos lesionados devido à pobre circulação; 5,35 maior se o tecido já havia sido danificado previamente por outro episódio isquêmico; 4,9 vezes maior se também havia qualquer tipo de dano em pequenos vasos, como microangiopatia; e 8,04 vezes maior se o paciente apresentou isquemia aguda, crônica e microangiopatia.

Enquanto 3,4% dos participantes do estudo sofreram um novo derrame nos 90 dias seguintes, 24% daqueles que apresentavam as três condições tiveram um AVC no período. “Isso significa que os médicos devem utilizar estratégias muito mais contundentes quando recebem um paciente que sofreu AIT que também foi diagnosticado com isquemia aguda, especialmente se há uma isquemia crônica e/ou uma microangiopatia adicionais”, diz.

Como somente o exame de imagem pode revelar essas condições, Perry sugere que toda a pessoa que chegue a uma emergência com quadro de AIT passe pela tomografia. O médico lembra que há medidas para evitar a ocorrência de novos derrames, como monitoramento cardíaco, medicamentos para baixar a pressão arterial, tratar colesterol alto ou prevenir coágulos sanguíneos.

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