Excesso do uso de cápsulas de vitaminas e suplementos pode ser prejudicial à saúde

Consumo de suplementos alimentares, em grande variedade no mercado, deve ser feito de forma cautelosa. Médicos alertam para a necessidade de avaliação nutricional anterior

por Carolina Cotta 14/12/2014 15:00

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Marcos Michelin/EM/D. A PRESS
Óleo de cártamo, ômega-3, goji-berry, cálcio, chia, chá verde: pílulas podem ser valiosas, desde que usadas com moderação (foto: Marcos Michelin/EM/D. A PRESS)

O que vai no prato pode ter efeito significativo sobre nossa saúde, prevenindo e mesmo tratando doenças. Mas uma busca excessiva por viver alguns anos a mais pode estar garantindo efeito contrário para aqueles que apostam em suplementos de forma indiscriminada e sem orientação médica ou nutricional. Minerais, multivitamínicos, nutracêuticos, suplementos... a oferta de cápsulas é incontável e preocupante, porque muitos estão consumindo esses produtos sem se preocupar com necessidade, dose correta, efeitos e interação com medicamentos, por exemplo. Afinal, quando essas formulações são bem-vindas?

Primeiro, é preciso diferenciar os nutrientes, que estão divididos em grupos. Os macronutrientes são os carboidratos, gorduras e proteínas; enquanto os micronutrientes são as vitaminas e minerais. Segundo a nutricionista e doutora em ciência de alimentos Janaína Goston, a dieta adequada e balanceada inclui todos eles em quantidades apropriadas e proporcionais, oferecendo as necessidades nutricionais de um indivíduo. Para a especialista, em geral, não há necessidade de se fazer suplementação de qualquer nutriente quando se tem como hábito uma dieta balanceada.

A suplementação e/ou complementação, para a nutricionista esportiva Rafaelly Cristina Silva, só deve ser usada quando a alimentação não for suficiente para suprir as necessidades. “Considerando que a reeducação alimentar não ocorre do dia para a noite, os suplementos podem ser utilizados como uma forma de garantir as necessidades do organismo de maneira mais rápida, porém sempre com cautela, pois os efeitos da superdosagem podem ser piores que os da falta. Em quantidades exageradas, podem ser tóxicos e causar danos, como sangramentos e distúrbios neurológicos”, alerta.

Isso não quer dizer que, quando necessários, os suplementos não sejam extremamente importantes  Ao suplementar a dieta com vitaminas e minerais adicionais, os multivitamínicos podem ser uma ferramenta valiosa para aqueles com desbalanceamento na dieta ou que tenham necessidades nutricionais diferenciadas. Mulheres grávidas e idosos são um exemplo, e podem precisar de algo receitado pelo médico. Mas a regra geral é clara: não devem nunca ser consumidos por moda ou indicação de amigos, e sim por especialistas após exames específicos.



ALERTA

O U.S. Preventive Services Task Force, órgão americano independente que faz revisões sistemáticas da literatura médica, recomendou, no início do ano, que pessoas saudáveis não tomem suplementos de vitamina E ou de betacaroteno. Além das cápsulas não terem benefícios comprovados, uma revisão de pesquisas recentes sugere que elas podem prejudicar a saúde. Segundo o órgão, há fortes evidências de que os suplementos de betacaroteno aumentam o risco de câncer no pulmão em pessoas com predisposição à doença. No caso da vitamina E, os dados não confirmam se os suplementos podem realmente proteger contra câncer e doenças cardíacas.
 
 
Rafael Mourao/Divulgação
(foto: Rafael Mourao/Divulgação)
Três perguntas para...Marcus Vinícius Bolívar Malachias, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)

1- Há uma oferta sem fim de vitaminas, minerais e suplementos em cápsulas. Quem pode usar?

A suplementação desses nutrientes é benéfica para muito poucas pessoas, desnecessária para a maioria e de potencial malefício para um bom número delas. O excesso de vitaminas antioxidantes (A, E, C), assim como de alguns minerais (selênio, zinco), com o intuito de prevenir doenças, tem sido relacionado à maior incidência de certos tipos de câncer e doenças cardíacas. O cálcio deve ser utilizado mais livremente por mulheres para prevenção da osteoporose, mas homens só devem suplementá-lo em casos de deficiência, pois seu excesso aumenta o risco de calcificações das artérias. A exceção é a vitamina D, que está deficiente na maioria das pessoas e, apesar de ainda limitadas as evidências, parece benéfica a sua reposição. Também a deficiência de B12 tem sido relacionada ao déficit cognitivo e há razões para mantê-la em níveis superiores à normalidade, sobretudo em dietas pobres nesse nutriente, caso de vegetarianos e idosos. Na expectativa de benefícios milagrosos, milhões de indivíduos se iludem, correm riscos de efeitos adversos e gastam os seus recursos que deveriam ser empregados em alimentação saudável, rica em frutas e hortaliças, a fonte natural e ideal de aquisição de vitaminas e minerais. Curiosamente, a maioria das pessoas não faz uso regular de medicamentos imprescindíveis à saúde.

2 - Quais os riscos do uso indiscriminado?

Pesquisas revelam que os antioxidantes não só não preveniram como aumentaram a incidência de câncer, como o de pulmão, e infarto do miocárdio. Muitos multissuplementos, amplamente consumidos, têm excesso de ferro, iodo, sódio, potássio, betacaroteno e outros elementos que, em algumas pessoas, podem provocar doenças.

3 - Quais os efeitos da combinação desses compostos entre si e com medicamentos?

O iodo pode promover disfunção tireoidiana e o sódio é capaz de elevar a pressão e descompensar o coração. A vitamina K pode reduzir o efeito de anticoagulantes orais; assim como os antioxidantes podem diminuir a ação das estatinas na redução do colesterol e prevenção do infarto. O importante é discutir com o médico os potenciais prós e contras antes buscar um suplemento, mas, geralmente, as pessoas compram antes e perguntam depois.

 

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