'Fábrica do Amor', na Amazônia, reforça programa de luta contra a Aids no Brasil

Empresa Natex produz 100 milhões de preservativos por ano, todos destinados ao Ministério da Saúde

por AFP - Agence France-Presse 01/12/2014 10:28

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AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA
Raimundo Pereira, 51 anos (foto: AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA )
Em plena selva amazônica, Raimundo Pereira faz cortes no caule de uma seringueira até fazer a árvore sangrar para coletar sua seiva branca, que depois será levada para a fábrica na vizinha Xapuri, a única no mundo que produz preservativos de látex, extraído de árvores nativas. Seu gesto rápido e preciso revela a experiência de quem, todos os dias, desde os nove anos de idade, acompanhava o pai ao amanhecer para trabalhar na selva como seringueiro, seguindo os passos do avô. "Ainda continuo com 51 anos. Amo este trabalho porque o ar aqui é puro. Continuarei fazendo isto enquanto meu corpo aguentar", contou.

Raimundo não sabe ler ou escrever, mas se considera um "conhecedor dos produtos da selva e das plantas medicinais". "Hoje não penso mais em aprender a ler. Estou orgulhoso porque a fábrica me deu visibilidade social e melhores ganhos", afirmou este pai de três filhos, todos na escola.

Seguindo o exemplo de Chico Mendes
A fábrica Natex foi inaugurada em abril de 2008, em Xapuri, cidade do estado amazônico do Acre (norte), berço histórico da luta de Chico Mendes, o defensor da Amazônia que ganhou fama mundial ao ser assassinado, em 1988, por grandes latifundiários que derrubavam a floresta com motosserras. A fábrica nasceu de duas importantes políticas de governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), explicou à Dirlei Bersh, diretora da fábrica, totalmente financiada pelo Estado.

As instalações custaram 30 milhões de reais e não têm fins lucrativos. "Tratava-se, de um lado, de incentivar uma economia adormecida, em um momento em que o preço da borracha tinha caído ao custo mais baixo e, de outro, de reforçar o programa de luta contra a Aids, através da distribuição gratuita de preservativos", disse Bersh.

Foi neste contexto que a fábrica recebeu o apelido de 'fábrica do amor', cunhado pelo secretário nacional de Saúde da época, Gerson Penna, em uma época em que os preservativos ainda eram cercados de tabu.

"No começo, as pessoas caçoavam. Hoje, os 170 funcionários da Natex são orgulhosos do papel de prevenção que a fábrica desempenha", disse a diretora da fábrica. Natex produz hoje 100 milhões de preservativos por ano, todos destinados ao ministério da Saúde, e pretende dobrar sua capacidade.

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