Andropausa: especialista explica por que novas técnicas de reposição hormonal são mais seguras e eficazes

Assim como acontece com as mulheres, os níveis hormonais masculinos tendem a diminuir com o tempo

por Gláucia Chaves 26/11/2014 09:30

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Eduardo Lopes/Divulgação
José Bento é autor de livro que aborda andropausa (foto: Eduardo Lopes/Divulgação)
Você, homem de meia-idade, tem se sentido cansado? Sua vitalidade já não é mais a mesma, bem como seu apetite sexual? Notou que sua barriga está maior e suas pernas, mais finas? Você pode estar na andropausa. Assim como acontece com as mulheres, os níveis hormonais masculinos tentem a diminuir com o tempo. Segundo o ginecologista e obstetra José Bento, os níveis de testosterona começam a declinar aos 35 anos, podendo chegar a uma queda de 2% ao ano.

Organizador do livro 'Testosterona, energia e saúde' (Editora Alaúde), o médico defende a terapia de reposição hormonal transdérmica nanoestruturada (TRHTN). Feita com hormônios bioidênticos, a técnica tem por objetivo imitar a resposta biológica dos hormônios naturais.

Como o nome sugere, a inserção de hormônios se dá pela pele. Diferentemente da reposição hormonal oral, a abordagem faz com que a substância não precise passar pelo sistema digestivo e hepático do paciente, evitando que doses do hormônio “se percam” pelo caminho. Uma vez atingidas as camadas subcutâneas, altamente vascularizadas, a absorção pelo organismo é completa.


Como é feita a reposição hormonal transdérmica nanoestruturada?
Primeiro, é preciso dizer que o ideal é que qualquer tipo de reposição hormonal seja feita com hormônios bioidênticos, ou isomoleculares. Isso quer dizer que são moléculas iguais às dos hormônios que já produzimos. A chance de efeito colateral é muito menor. O organismo recebe a substância e a reconhece de imediato, pois tem os receptores adequados. A via transdérmica é melhor porque não tem a primeira passagem pelo estômago ou pelo fígado (como nos casos da reposição hormonal feita com comprimidos de via oral). Assim, o hormônio não sofre efeito de enzimas hepáticas e podemos administrar uma menor quantidade. Não há efeitos colaterais gástricos, como gastrite. O importante é o veículo, porque não é qualquer tipo de creme, por exemplo, que consegue atravessar a pele. Se colocarmos hormônios diretamente na pele, eles não serão absorvidos: é preciso ter uma substância adequada para levar esse hormônio colocado no creme, de modo que ele entre na pele e, aí sim, na circulação.

Qual seria essa substância?
É um creme chamado biolipídio, que tem capacidade de levar qualquer substância para a circulação sanguínea. O uso do biolipídio vem sendo estudado para transportar antibióticos e analgésicos, mas, com hormônios, já se conhece sua eficácia.

A reposição hormonal transdérmica é uma técnica nova?

A técnica tem mais ou menos cinco anos. Mas há cremes franceses com hormônio no mercado há 10 anos.

Também é indicada para mulheres?
Sim. Em mulheres, a testosterona proporciona aumento do ânimo, da libido e da massa muscular. A mulher fica mais agressiva, no bom sentido, no sentido de trabalho. Esse ânimo ajuda, inclusive, a emagrecer: conforme a massa muscular aumenta, o metabolismo também fica mais acelerado e ela acaba emagrecendo.

No livro, há referências sobre a reposição hormonal via oral e sobre a retirada dos ovários na tentativa de amenizar os sintomas da perda hormonal. À época, esses tratamentos surgiram como grande promessa. Mais tarde, porém, ficou provado que eram procedimentos que causavam severos efeitos colaterais. Já há estudos a longo prazo com pacientes que se submeteram à reposição hormonal transdérmica?
Sim. Há mais de 10 anos se faz o uso de hormônios por via oral e, até agora, não apareceu nenhum efeito colateral mais grave. Sendo bem controlado e feito por um médico, não há problema algum. Mas é preciso que haja sempre supervisão profissional para a reposição ser feita. O hormônio usado não é para criar músculos em excesso, é para que a pessoa tenha uma quantidade fisiológica adequada. É fazer com que o paciente tenha a mesma quantidade de hormônios que tinha aos 30 anos.

Há perigo no excesso de testosterona?
Sim, hormônios em excesso são perigosos. Podem causar câncer no fígado, hipogonadismo (quando o sistema reprodutor passa a produzir pouco ou nenhum hormônio, resultando na atrofia dos testículos) e problemas de ereção. É o que acontece com fisiculturistas que abusam de hormônios, por exemplo.

Os níveis de testosterona diminuem até 2% ao ano a partir dos 35 anos. Quais são os efeitos, a curto e a longo prazo, desse declínio para a saúde masculina?
Na mulher, o declínio hormonal é muito mais rápido. A queda abrupta coincide com a menopausa. A partir do dia em que ocorre a menopausa, em mais ou menos dois anos, os níveis hormonais da mulher ficam críticos. No homem, a partir dos 35 anos, a queda é de 1% a 2% ao ano. Se contarmos 20 anos, quando esse homem tiver 55 anos, já poderá ter um quarto a menos de hormônios. A curto prazo, ele começa a enfrentar aumento da gordura abdominal, diminuição da massa magra, passa a perder o interesse no trabalho e a não achar mais graça em sair, passear. Começa a ficar irritadiço, repetitivo, chato. A perna afina, a barriga cresce, mas não é a famosa barriga de chope, porque não tem nada a ver com bebida. É falta de testosterona. Podem aparecer mamas, porque a quantidade de estrogênio aumenta. Por fim, um dos últimos sinais de que está faltando testosterona é a falta de ereção, a dificuldade em mantê-la e a diminuição da libido. Há uma pesquisa feita em Harvard que mostrou que a falta de testosterona é o que leva ao câncer de próstata. Esses pacientes ficam doentes mais facilmente — e morrem mais. São homens que têm mais infartos do miocárdio.

Há uma idade mínima ou máxima para que o paciente passe pela reposição?
Tudo depende da deficiência hormonal. A partir do momento em que os sintomas aparecem, pode-se fazer a dosagem do hormônio no plasma do sangue. Se a taxa constatada for baixa, é preciso repor.

Qual é a diferença entre reposição e modulação hormonal?
São quase sinônimos. Modulação é quando você controla não só a testosterona, mas a progesterona, o estrogênio (no caso da mulher) e os demais hormônios para fazer o equilíbrio hormonal. A reposição, como o nome diz, é repor o que está faltando. O termo reposição ficou desgastado por conta de trabalhos feitos com substâncias não bioidênticas, a partir da urina de éguas prenhas. Eram hormônios sintéticos. Essas substâncias foram estudadas e começaram a causar efeitos colaterais. No mundo inteiro, as mulheres entraram em polvorosa, ficaram assustadas com a possibilidade de enfartar ou até morrer. Então, atualmente, usamos o termo modulação, que tem mais a ver com equilíbrio.

A reposição hormonal masculina é um tratamento novo? Já era feito de outras formas? Quais?
É mais ou menos recente para os homens. Antigamente, existia muito preconceito, porque achava-se que o homem (que fizesse a reposição) poderia ter câncer de próstata. Descobriu-se que é justamente o contrário: a falta de testosterona leva ao câncer. Por isso, a doença começa a ter maior incidência em homens com mais de 60 anos.

Como é a aceitação masculina do tratamento atualmente? Ainda existe preconceito?

De forma alguma; a aceitação é excepcional. Quando converso e explico todos os efeitos que eles podem ter pela falta de testosterona, os pacientes começam a se identificar com os sintomas. Dizem que é exatamente como estão se sentindo: com falta de ânimo e com vontade de se aposentar, porque não veem mais graça em nada. Com a reposição, eles mudam completamente. As mulheres ficam encantadas com os efeitos (da reposição) nos maridos.

A reposição hormonal é indicada para todos os homens?
Só não para aqueles que tiveram qualquer tipo de doença relacionada a hormônios, como câncer de mama, doenças no fígado e hipercromatose (doença que causa aumento de ferro no sangue), porque a testosterona aumenta o número de glóbulos vermelhos. É o tipo de tratamento que só deve ser indicado por um médico.

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