Ação combinada de proteínas gera neurônios e pode ser esperança para pacientes com Alzheimer e Parkinson

Apenas testes em humanos vão dizer se é possível desenvolver um tratamento para doenças neurodegenerativas

por Vilhena Soares 25/11/2014 10:36

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As doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson, são caracterizadas pela destruição progressiva e irreversível de neurônios. Impedir a morte das células responsáveis pelas funções do sistema nervoso é um dos grandes desafios da medicina. Cientistas da Alemanha acreditam que, ao unir a ação de duas proteínas, pode ser possível refazer as estruturas perdidas. O experimento, até agora, foi feito com ratos e resultou em neurônios similares aos presentes no córtex dos animais.

Detalhado no jornal científico Stem Cell Research, o estudo surgiu após a descoberta de que as células cerebrais chamadas glia poderiam agir de forma similar às células-tronco, ou seja, conseguiam gerar outra parte do corpo. “Mostramos que as glias podem ser reprogramadas como neurônios quando unimos as proteínas nucleares que regulam a expressão de genes, chamadas de fatores de transcrição. Nesse estudo, queríamos saber se uma combinação específica de dois fatores de transcrição, o Sox2 e o Ascl1, resultaria em novas células”, explica ao Estado de Minas Benedikt Berninger, pesquisador da Universidade Johannes Gutenberg, de Mainz, e um dos autores do trabalho.

Os experimentos foram feitos com ratos adultos três dias após eles sofrerem lesões traumáticas no cérebro. Surpreendentemente, os cientistas descobriram que, unido à glia, o Sox2 isoladamente e em combinação com o Ascl1 desencadeou o aparecimento de neurônios. Eles ainda não sabem explicar detalhadamente como as células foram regeneradas, mas pretendem se aprofundar na técnica. “Estamos analisando os fundamentos mecanicistas do efeito desses dois fatores em uma reprogramação do neurônio ”, diz Berninger.

FUNCIONALIDADE
O pesquisador ressalta que o estudo ainda é muito prematuro, o que impede possíveis previsões de tratamentos clínicos. “Há uma longa estrada até essa abordagem chegar às clínicas. Curar a doença de Alzheimer, por exemplo, vai ser muito difícil, mas esperamos que o nosso trabalho possa pavimentar o caminho para mais estudos que, eventualmente, levarão a tratamentos médicos voltados a esses problemas”, observa.

Neurologista do Hospital Santa Lúcia, de Brasília, Cláudia Barata aponta alguns fatores que devem ser considerados na pesquisa. “Temos que ter em conta que, dos neurônios produzidos nos ratos, apenas uma parte conseguiu trabalhar corretamente, formando sinapses. Outro ponto importante a destacar é que esse resultado foi obtido três dias após a lesão. É um fator importante caso isso seja levado para reprodução em clínicas”, destaca.

A médica ressalta ainda que apenas com mais exames e testes em humanos será possível cogitar um tratamento para doenças neurodegenerativas. “É mais complicado, pois, muitas vezes, os neurônios refeitos podem não substituir funções específicas dos perdidos e causadores do Alzheimer, por exemplo. Trata-se de uma questão um pouco mais complexa, mas, ainda assim, a pesquisa conseguiu dados importantes, que podem gerar resultados satisfatórios.”

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