Veja como proporcionar alívio ao seu pet no calor e protegê-lo a umidade excessiva

Os animais podem não se expressar, mas também sofrem com as alterações climáticas

por Revista do CB 01/11/2014 10:00

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O assunto é unânime. Todo mundo reclama do calor, da seca. Quando chove, continuam reclamando. Os animais podem não se expressar, mas também sofrem com as alterações climáticas. Tanto o clima quente e seco quanto as chuvas aumentam o risco de certas doenças, e alguns cuidados são importantes para manter o pet saudável.

A hora de passear é um dos momentos para redobrar a atenção. Nas altas temperaturas, o piso do local de passeio fica muito quente e pode queimar os coxins, as “almofadinhas” das patas. O resultado são bolhas e feridas que provocam dor e dificultam a movimentação. Levar o animal para se refrescar no Lago Paranoá é válido, desde que o exercício seja leve. “Se ele fizer muito esforço na água, vai ficar cansado. Experimente dar banho com a mangueira de casa”, recomenda a veterinária Michele Brito.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Paulo Henrique, com a filha, Gabriela, e a chow chow Kika: a raça sofre com a temperatura elevada (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
O estudante Gabriel Santos, de 21 anos, percebe que a cadela Raira perde a energia no clima quente. “Ela fica desanimada, deita no chão”, descreve. Para alivar o calor da vira-lata de 2 anos, ele costuma dobrar a quantidade de banhos: dois por semana, em vez de um. A medida proporciona, sim, um alívio, mas a secagem tem de ser benfeita. “É preciso ter cuidado com os ouvidos. Se deixar água, facilita a ocorrência de otite”, avisa o veterinário Daniel Andrade. Vale lembrar que umidade excessiva favorece o alojamento de bactérias e fungos nas mascotes.

As doenças de pele são mais comuns no calor. “Isso ocorre por conta do ressecamento da pele ou do aumento dos banhos para refrescar”, aponta Michele Brito. Os problemas mais comuns são a dermatite, geralmente de origem alérgica ou infecciosa, e a dermatofitose, provocada por fungos. Ambas são caracterizadas por coceira, lesões na pele e queda de pelo. A veterinária também explica que podem ocorrer alterações na alimentação. “No calor, o apetite tende a diminuir, enquanto, nas épocas mais frias, aumenta”, observa.

O servidor público Paulo Henrique Dutra, 43 anos, observa algumas mudanças na cadela Kika, de 1 ano e meio. “Ela fica com algumas feridas na pele e se cansa mais rápido”, conta. A chow chow é sua companheira de corrida, mas tem dificuldade de acompanhar o ritmo. Quando a temperatura sobe demais, ela dá pedras de gelo para a cadela lamber. Na hora dos passeios, ele também não se esquece de levar a vasilha de água. “Em casa, para refrescar, nós até colocamos um circulador de ar no ambiente”, conta a estudante Gabriela Freitas, 17, filha de Paulo.

No clima quente, os gatos levam vantagem. De hábitos noturnos, eles costumam dormir durante o dia e passar a maior parte do tempo em casa, protegidos do sol. As raças de cães mais sensíveis são as do tipo braquicefálicos, de fucinho achatado e cabeça curta, que normalmente já apresentam dificuldade de respirar. O cansaço chega com maior rapidez, e os animais ficam ofegantes. Com a respiração mais forte, eles colocam ar quente para fora e respiram o mais frio — é a maneira de conseguirem trocar calor com o ambiente e diminuir a temperatura do organismo. Além disso, eles transpiram pelos coxins.

O vendedor Pablo Câmara, 34 anos, tem duas cachorras lhasa apso e um shih-tzu. Como as raças têm pelo longo, ele prefere adotar a tosa mais curta nos períodos de maior temperatura. Ele também toma outros cuidados nesse clima. “Evito passear quando o sol está a pino e troco a água várias vezes por dia”, conta. Se a exposição ao calor for exagerada, há risco de desidratação, cujos sintomas são ressecamento do focinho, das mucosas e perda da disposição e da elasticidade da pele.

Por fim, é importante alertar que animais, assim como os humanos, desenvolvem tumores de pele quando expostos excessivamente a raios ultravioleta. “Podemos deixar o animal no sol apenas por curtos períodos, principalmente as raças de pele clara. Elas são mais suscetíveis a desenvolver câncer de pele”, avisa a veterinária dermatóloga Bruna Rezende.

Recomendações

  • Evite passear com o pet em horários de sol intenso. As patas podem se queimar em superfícies quentes. Prefira o começo da manhã e o fim da tarde.
  • Dê prioridade a exercícios leves. Os animais se cansam mais facilmente no calor.
  • Não exagere no banho. O ideal são, no máximo, dois por semana. Eles aumentam a umidade, que favorece o aparecimento de doenças de pele.
  • Além de água, vale dar suco ou água de coco para os pets. Você pode oferecer a bebida na forma de cubos de gelos. Frutas e verduras (sem açúcar nem tempero) são outras opções para completar a dieta, mas as variedades cítricas devem ser evitadas.
  • Não se assuste com alterações no apetite da mascote e mantenha a alimentação normal. Os animais tendem a comer menos no clima quente e mais no frio.
  • Para as raças mais peludas, uma boa tosa ajuda a refrescar.
  • O local de descanso deve estar protegido do sol e das chuvas.
  • Existem opções de protetor solar para animais. Eles são úteis principalmente em raças de pele clara.

Fonte: veterinários Bruna Rezende, Daniel Andrade e Michele Brito

Nas chuvas
Os animais podem ser mais sensíveis à oscilação entre períodos secos e chuvosos. “Como o corpo do animal é mais quente que o do humano, ele sente mais essas alterações”, explica a veterinária Bruna Rezende. “Com as mudanças bruscas de clima, o animal pode ficar estressado e apresentar vômito e diarreias”, descreve. A temperatura média dos animais é de 37,5ºC a 39,5ºC.

O período chuvoso favorece o aparecimento de doenças respiratórias. “A mudança climática pode deixar o animal gripado e é altamente contagioso”, afirma a veterinária. Alguns sintomas são tosse, coriza e febre. Para evitar a contaminação, é possível vacinar o pet. Outra ocorrência são os casos de bronquite, que podem ser suavizados com a vaporização, a nebulização em casa e a vaporização do ambiente. Também é preciso estar atento se as causas não são puramente alérgicas e evitar locais com muita poeira.

A umidade das chuvas também facilita a ocorrência de doenças de pele. Outra questão da chuva é que ela auxilia a espalhar alguns agentes infecciosos. “O bicho pode pegar leptospirose em contato com água contaminada”, alerta Bruna Rezende. Por isso, é imprescindível manter a vacinação em dia e evitar que o animal fique exposto a condições climáticas extremas.

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