Treinamento com corda naval é a nova mania das academias

Trabalho integrado movimenta braços, costas, abdome, pélvis, coluna e pernas

por Paula Takahashi 30/10/2014 15:00

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Túlio Santos/EM/D.A Press
O instrutor de musculação Paulo Quiroga orienta os alunos nos exercícios, que trabalham muito os membros superiores, além dos inferiores (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
Diversificar as atividades e oferecer opções que fujam da malhação tradicional são quase obrigações dentro das academias. Tudo para fidelizar alunos, que estão cada vez menos dispostos a se dedicar a práticas repetitivas e sem dinamismo. Como parte dessa tendência, os treinamentos funcionais viraram uma verdadeira febre e introduziram vários exercícios aeróbicos e musculares simples e efetivos, com a vantagem de permitir adequações e possibilidades diversas de execução. Resultado: nada de monotonia.

Um exemplo é a corda naval, que tem a versatilidade de ser usada em circuitos funcionais, mas também na preparação de atletas das artes marciais, tênis e até motocross, ou mesmo isoladamente, em aulas dedicadas exclusivamente à prática. Tudo isso porque, além de trabalhar grupos musculares do corpo inteiro, desenvolve uma grande força na pegada – importante para esportes como artes marciais e tênis –, equilíbrio, resistência muscular e capacidade cardiovascular. "Além de coordenação, agilidade e força", acrescenta o personal trainner do Instituto Barakat, em São Paulo, Fabio Aquino.

O equipamento se resume a uma corda de nove a 15 metros de comprimento e espessura de três a cinco centímetros. As duas extremidades da corda são seguradas pelo aluno, enquanto um poste ou uma pilastra dão o apoio necessário para as atividades. A partir daí, o que não faltam são opções de movimentos. "Podem ser diagonais, altos, baixos, verticais, horizontais, acompanhados de agachamentos. Enfim, tem várias opções", reconhece Fabio Aquino. Em geral, os movimentos são ondulatórios, com alto nível de intensidade e realizados de forma constante, o que pode gerar um gasto calórico de até 600 calorias por aula, segundo estimativas do médico endocrinologista e nutrólogo Mohamad Barakat.

A série de exercícios vai variar de acordo com os objetivos a serem atingidos pelo praticante. "Depende da característica da aula e de como o profissional vai conduzi-la. A luta, por exemplo, exige um trabalho de força, por isso, na hora de montar a aula, o professor vai privilegiar movimentos que priorizem as exigências dessa atividade", afirma Brucce Cota, coordenador fitness da Bodytech Belvedere, na Região Centro-Sul da capital.

Quanto mais longa e mais espessa, maior é o peso da corda e, consequentemente, maiores serão os estímulos musculares durante o treino. "É um trabalho de explosão muito grande e quanto mais comprida maior será a necessidade de força explosiva para controlar os movimentos. Trabalha-se muito os membros superiores, mas os inferiores também", garante Paulo Quiroga, instrutor de musculação da Bodytech. Além de braços, costas e abdome, pélvis, coluna e pernas são acionadas durante a execução dos movimentos ondulatórios. "É um trabalho integrado. O quadril e até o glúteo precisam de força", observa Glayce Cristina de Paula, coordenadora das unidades da Runner em Belo Horizonte.

Para a médica Amanda Pifano Soares Ferreira, de 28 anos, a atividade foi interessante, inclusive, para melhorar a postura. "Já faço há seis meses e vejo que tem tanto esse trabalho de musculatura como de posição. Já sinto os efeitos, principalmente porque exige um trabalho do corpo todo para ter equilíbrio para impulsionar a corda", conta. O resultado vem da estabilização que a atividade exerce sobre a coluna, explica o instrutor de musculação Paulo Quiroga.
Túlio Santos/EM/D.A Press
(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)

EVOLUÇÃO
A atividade permite uma evolução gradativa não apenas de tempo, repetição e frequência cardíaca, como também de posições adotadas durante o exercício. "Entre as possibilidades está o aumento da velocidade das ondas, o que torna a prática mais difícil. A pessoa ainda pode variar na posição, fazendo deitada, sentada e até agachada. É possível inventar bastante", reconhece Glayce. Até polichinelo pode ser introduzido ao longo do treinamento.

Além de orientação profissional para fazer os movimentos de forma correta, lesões na coluna e outras contraindicações como hipertensão, diabetes e problemas cardíacos devem ser considerados antes de iniciar as atividades. "Quem também não tem força e capacidade suficientes de estabilização da pélvis e da coluna pode ter mais malefícios que benefícios", alerta Paulo Quiroga.

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