Estudo sugere maior eficácia de dietas radicais

Pesquisa desafia uma das recomendações mais consolidadas no tratamento da obesidade

por Isabela de Oliveira 20/10/2014 09:30

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Candidatas a reality show de emagrecimento nos EUA: dietas radicais exigem supervisão médica (foto: Divulgação)
Pesquisadores australianos publicaram na The Lancet Diabetes & Endocrinology um estudo que desafia uma das recomendações mais consolidadas no tratamento da obesidade. O experimento, da Universidade de Melbourne e da Clínica de Controle de Peso do Hospital Austin Health, sugere que adultos obesos têm mais sucesso na perda de peso se apostarem em dietas de emagrecimento rápido.

As diretrizes mundiais sobre o tema indicam a perda gradual de gordura para evitar que os quilos eliminados sejam recuperados rapidamente na manutenção. Entretanto, os pesquisadores não observaram diferenças significativas de ganho de peso após o emagrecimento em pessoas que fizeram dietas mais restritivas e em indivíduos que seguiram um planejamento menos radical.

A equipe acompanhou 200 adultos, divididos em dois grupos. O primeiro, submetido a uma dieta de 450 a 800 calorias diárias, foi incentivado a perder 12,5% da massa corporal em 12 semanas. O segundo grupo foi instruído a ingerir mais calorias para eliminar o mesmo percentual ao longo de 36 semanas. Os autores constataram que oito em cada 10 pessoas do primeiro grupo alcançaram o objetivo. Na turma moderada, porém, só 50% atingiram a meta.

Os resultados também indicaram que o abandono do programa de emagrecimento foi menor na dieta radical. Segundo os autores, esse dado sugere que resultados mais rápidos podem deixar os pacientes mais otimistas, favorecendo a mudança de comportamento. Além disso, as dietas restritas têm regras fáceis e são mais simples de se manterem.

Alerta
Após analisar o estudo, Marcus Dantas, especialista em obesidade e cirurgião bariátrico, destaca que os pacientes do programa rápido receberam um suplemento alimentar ainda não comercializado no Brasil e desenvolvido para suprir as necessidades do organismo. “O que não acontece em dietas caseiras de baixa caloria. Essas podem colocar a saúde do paciente em risco”, avisa. “Para aderir a uma dieta radical, de pouca caloria, é necessária a supervisão de nutricionista e endocrinologista.” Maria Edna de Melo, membro do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), acrescenta que dietas restritas costumam ser feitas durante pouco tempo. “E as pessoas tiveram acompanhamento”, lembra. “Grávidas e crianças devem evitar (essa estratégia).”

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