Câncer de mama: evolução da técnica de reconstrução mamária devolve feminilidade e autoestima às mulheres

A reconstrução mamária imediata tem grande impacto no aspecto psicológico

por Carolina Cotta 15/10/2014 09:24

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A perda do seio, símbolo da feminilidade, é um dos golpes sofridos pela mulher diagnosticada com câncer de mama, embora a vida seja a maior preocupação. E assim como a cura e a agressividade do tratamento estão diretamente ligados à precocidade com a qual a doença é descoberta, a complexidade da reconstrução mamária, e seu resultado, também estão atrelados. O desenvolvimento das técnicas e dos materiais evoluíram muito e dão mais conforto a essa mulher que sabe que vai perder a mama.

Quanto mais avançada estiver a doença, maior será a agressividade do tratamento e da cirurgia. Se a paciente já tiver um carcinoma invasor da mama, por exemplo, o procedimento cirúrgico prevê a retirada do tumor e também uma abordagem na axilar, que pode ser seletiva, para a biópsia do linfonodo sentinela, ou radical, quando é feito um esvaziamento da axila. A própria mastectomia pode ser parcial ou total e diversos são os critérios para definição da abordagem.

Beto Magalhães/EM/D.A Press
Já com uma prótese, Nássera aguarda a segunda etapa: "Mais importante é o tratamento dar certo" (foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press)
Segundo Clécio Lucena, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Minas Gerais, deve-se considerar o estadiamento (extensão) da doença; a localização do tumor; a relação entre o tamanho da mama e o tamanho do tumor; a presença de um ou mais tumores simultâneos na mesma mama; contra-indicações para se utilizar a radioterapia e também o desejo da paciente. “A definição, na maioria das vezes, deve ser dada numa análise conjunta entre os médicos e o paciente”, explica.

Apesar das estimativas serem favoráveis para pacientes em fase precoce, há casos com curso evolutivo extremamente agressivo e com baixa resposta às melhores medidas terapêuticas empregadas. “Mas em relação aos procedimentos cirúrgicos, com a diversidade de técnicas corretivas disponíveis, esses procedimentos para tratamento do câncer de mama, sejam radicais ou conservadores, têm permitido o alcance de uma melhora significativa da qualidade de vida e da auto-estima das pacientes”, acredita.

A reconstrução mamária imediata tem grande impacto no aspecto psicológico. Segundo Alexandre Mendonça Munhoz, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (USP) e presidente da Comissão Nacional de Reconstrução Mamária da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, apesar de nem sempre ser possível, o melhor momento para fazer a reconstrução é juntamente com a cirurgia para a retirada do tumor, conduzida pelo mastologista.

Apesar de a lei garantir reconstrução imediata para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), nem todos os hospitais têm equipe disponível. Em outros casos, a paciente não tem condições clínicas, por ter outras doenças não tratadas ou descompensadas, caso de hipertensão e diabetes, que podem elevar os riscos de complicação com a cirurgia e assim atrapalhar o tratamento do câncer, que é prioridade. Além disso, se o tratamento prever radioterapia, que altera o processo de cicatrização, a reconstrução deve ocorrer depois.

Se a cirurgia de retirada do tumor foi conservadora, uma mastectomia parcial, em que é possível preservar de 70% a 80% da mama, a reconstrução pode ser feita em uma única etapa. “Hoje, 80% das reconstruções em cirurgias conservadoras, com tumor em fase inicial, são feitas em um tempo único. Mas se for o caso de uma mastectomia radical, que retira toda a mama, inclusive auréola e mamilo, 80% dos casos exigem três etapas”, explica o especialista (veja infografia).

A assistente financeira Nássera Moisés, de 40 anos, descobriu o câncer de mama no final de 2012. Como seu plano de saúde não contemplava cirurgião plástico, o que atrasou sua cirurgia para a retirada do tumor em seis meses, ela resolveu fazer todo o tratamento pelo SUS. A princípio, seria necessário tirar um quadrante da mama, mas uma ressonância magnética revelou outros focos da doença e foi necessária a mastectomia radical da mama esquerda.

No momento da retirada da mama, Nássera ganhou uma prótese para corrigir o volume. Depois de ter terminado a quimio e a radioterapia em março, ela se prepara, agora, para a segunda etapa da reconstrução, quando será feita a simetrização das mamas. “Eu nem sabia que minha cirurgia seria a do tipo que retira até o mamilo. Meu marido me disse que se precisasse era para tirar tudo, que o importante era minha vida. No início é estranho olhar para o seio, mas a gente se acostuma. Eu penso que se der pra reconstruir, ótimo. Mas o mais importante para mim é o tratamento dar certo”, conta.
EM/D.A Press
(foto: EM/D.A Press)

EVOLUÇÃO
Os resultados da reconstrução mamária hoje são bem mais satisfatórios que no passado, devido à evolução da técnica e também dos materiais envolvidos, como os implantes e extensores. Segundo o cirurgião plástico Vinícius Melgaço, do Hospital Mário Pena, há duas opções de implantes, os de formato redondo e os anatômicos, que simula o formato da mama e é mais adotado nas reconstruções.

Outra opção são os expansores, que por meio de uma válvula, onde é injetada soro fisiológico, vão aumentando a prótese ao longo do tempo, uma opção para peles mais sensíveis, para evitar um tensionamento. Já os implantes-expansores, como adianta o nome, combinam os dois modelos. Os expansores definitivos, inclusive, são uma novidade. Eles permitem que o próprio expansor, depois de retirada a válvula, seja a própria prótese, evitando uma nova cirurgia de troca de substituição.

Também as técnicas para uso de retalhos do próprio organismo, do músculo do abdome ou das costas, estão mais desenvolvidas, permitindo melhores resultados. Segundo Melgaço, tem crescido, por exemplo, o uso de retalhos por meio de microcirurgia, quando, em vez de se retirar uma grande parte do músculo do abdome, retira-se uma pequena porção, levando junto uma artéria e uma veia, para se fazer a conexão na região da axila.

POLÊMICA
O profissional responsável pela reconstrução mamária é o cirurgião plástico, enquanto o mastologista cuida da cirurgia de retirada do tumor. Como o ideal é que a reconstrução seja imediata, no mesmo momento da retirada da mama, os dois especialistas trabalham juntos. Mas alguns mastologistas estão fazendo também a reconstrução, o que divide opiniões nas sociedades médicas, apesar da lei do ato médico prever que o médico está habilitado a fazer qualquer procedimento.

Segundo Munhoz, o problema é que em 95% dos serviços de residência em mastologia não contemplam a reconstrução mamária no currículo, como na residência em cirurgia plástica. “Existem mastologistas que fazem, e existem bons mastologistas que fazem, mas esses tiveram que fazer uma formação fora do país. Eles estão habilitados, mas se houver um erro eles podem ser imputados por negligência, imprudência e imperícia”, alerta Munhoz.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e o presidente da Comissão de Reconstrução Mamária defendem o treinamento adequado desses profissionais e não a formação com workshops. “Defendemos, de maneira clara e objetiva, a necessidade de treinamento específico. Se o mastologista quer, ele pode fazer, mas tem que estar habilitado de forma adequada. Não temos nada contra ele fazer, mas enfatizamos o fortalecimento do conceito de especialista”, defende.

INCENTIVO
Para estimular a realização da mamografia, a Unimed-BH isenta do pagamento de coparticipação as clientes desses planos com idades entre 50 e 69 anos. Além de enviar a guia com o pedido de exame para a casa das cooperadas e colaboradoras, a Unimed-BH entra em contato com as clientes dessa faixa etária, agenda o exame e repassa, por telefone, a senha de autorização. No último ano, foram feitas mais de 40 mil ligações e 66 mil exames foram realizados, o que representa mais de 62% do total de mulheres elegíveis.

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