Indoor, boulder, esportiva, tradicional... Adeptos da escalada garantem benefícios para o corpo e a mente

Saiba mais sobre cada modalidade e escolha a que melhor se adequa ao seu perfil

por Revista do CB 13/10/2014 15:00

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A altura intimida, e os poucos centímetros para se segurar parecem invisíveis aos olhos leigos. A adrenalina e o medo fazem parte da trajetória, que exige tranquilidade e persistência para ser completada. Para ultrapassar o crux de uma rocha, o momento crucial e mais difícil, pode-se levar horas, dias ou até anos de retorno ao local. Parece difícil, mas é justamente o desafio que motiva as pessoas a praticarem a escalada. E cada pequeno avanço é uma conquista extasiante, que aumenta o contato com o meio ambiente e consigo mesmo.
Ed Alves/CB/D.A Press
Escalada em Belchior no povoado de São Gabriel, em Goiás (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Escalar é natural. Quando somos crianças, com nossas diminutas alturas, subimos em árvores, pedras, móveis e parques de brinquedo. Rodrigo Branco Lopes, instrutor e dono de um ginásio de escalada, afirma que basta ter calma, um objetivo de cada vez, que qualquer um é capaz de escalar. “Não tem pré-requisito. É uma atividade física muito intensa e pode substituir uma academia.”

O bancário Edimar Barcelar tem 59 anos e começou a atividade há três meses. Ele também faz corridas e mountain biking. Na escalada, conta que está sentindo benefícios para o corpo e para a mente. “Ela ajuda a dar calma, tranquilidade, potencializa a força dos braços e reduz o abdômen.” E emagrece. A escalada é uma boa maneira de estar em forma e manter um aspecto natural, sem músculos exagerados.

A força e a flexibilidade são os principais benefícios. Mas Rodrigo explica que os efeitos são mais amplos: melhora a consciência corporal; os vínculos de confiança, pois, na natureza, a atividade costuma ser feita com um parceiro; a consciência ecológica; e até o raciocínio lógico. Os desafios na escalada são chamados de “problemas”, que os praticantes buscam resolver.

“É um exercício de autoconhecimento. Desde saber quão longe o meu braço alcança até entender quando estou bem para prosseguir”, indica o instrutor e educador físico Vítor Trajan. Ele considera que a escalada costuma lidar mais com o aspecto psicológico do que outras modalidades esportivas. Ela permite exercitar o controle do medo e a maneira de agir durante momentos de pressão.

Jade Nobre, de 20 anos, começou a escalar a convite do irmão e já pratica a atividade há um ano. A estudante faz balé desde a infância, mas conseguiu ganhar mais força depois da escalada. “A prática me desafia e incentiva a conhecer lugares diferentes.” Ela destaca a solidariedade característica do esporte. “Todo mundo está sempre tentando te ajudar. Não tem muita competição entre as pessoas. A competição maior é com você mesmo.”

As competições são populares em países como os EUA. No Brasil, os eventos também têm aumentado. A prova mais recente ocorreu ontem, aqui em Brasília. O número de associações de incentivo é outro fator em crescimento, como a criação da Associação de Escaladores do Planalto Central (AEP) e da Associação Brasileira de Escalada Esportiva (ABEE).
Breno Fortes/CB/D.A Press
Juliene Melo, 29 anos, faz escalada para poder manter a forma (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)

A segurança é um dos aspectos mais importantes para ter um resultado saudável e construtivo. O guia e instrutor de escalada Maurício Martins afirma que é preciso ter cuidado com o excesso de confiança. “O maior erro é se achar muito capaz. Sempre surgem novas técnicas para aprender.” Ele aconselha a fazer um curso e não adquirir conhecimento apenas de maneira informal, com amigos e colegas nem sempre qualificados. Noções básicas de autorresgate também são úteis.

Maurício destaca que a parte da descida pode ser a mais problemática, geralmente realizada com o rapel. “É quando as pessoas estão mais cansadas, e muitas negligenciam o rapel por ser uma técnica de descida que exige menos esforço físico.” Com os devidos cuidados, a escalada é um esporte seguro, pois os riscos são previstos e protegidos pelos equipamentos.

Modalidades
Existem duas vertentes básicas de escalada. Na livre, o escalador sobe se apoiando nas agarras naturais da pedra e usa equipamento apenas como proteção para quedas. Na artificial, algumas peças de apoio são usadas para ajudar a progredir. Ainda existe a modalidade solo, mais arriscada, na qual se dispensa parceiros e equipamentos de segurança.

Boulder
É realizada em blocos mais baixos de pedra. O mais importante é o nível de dificuldade e não a altura. O estilo tem ganhado cada vez mais popularidade e exige menos equipamentos do que outros tipos.

Esportiva
O objetivo principal é chegar até o fim da rocha sem cair e sem usar equipamentos de apoio, como grampos, cordas ou mosquetões.

Tradicional
São vias mais longas, que exigem algumas horas ou dias para serem completadas. O Pão de Açúcar e o Corcovado são alguns exemplos.

De aventura
É o estilo mais clássico de escalada. É realizada em duplas e usa somente peças móveis de apoio, sem alterar o relevo da montanha.

Indoor
É praticada em muros artificiais, feitos com agarras de resina e areia (foto). Eles surgiram na Europa como forma de manter a prática do esporte durante o inverno.

Big wall
É caracterizada pelo tempo de ascensão, que pode exigir dois ou mais dias para ser escalada. É preciso levar mais equipamentos e mantimentos, portanto, mais peso.

Alpina
Tem as características das escaladas realizadas nos Alpes. São longos trechos, que exigem a necessidade de conhecimento de escalada em neve e gelo.

Alta montanha

De grandes altitudes, como o Everest (8.848m) e o Aconcágua (6.959m). Uma das principais dificuldades é a adaptação ao ar rarefeito. Também apresenta desafios quanto ao frio, ao vento e a outras intempéries.

Fonte: Livro 'Escale melhor e com mais segurança', de Flavio e Cintia Daflon.

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