Anti-inflamatório impede aumento ósseo irregular

A ossificação heterotópica é um efeito colateral comum de queimaduras, traumas e alguns tipos de cirurgia

por Bruna Sensêve 02/10/2014 14:00

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O crescimento anormal do osso, conhecido como ossificação heterotópica, é um efeito colateral comum de queimaduras, traumas e alguns tipos de cirurgia. As opções atuais de tratamento incluem radioterapia, medicamentos anti-inflamatórios de longo prazo e excisão cirúrgica — procedimento de remoção de lesão por meio do corte da pele ao redor dela. Todos, porém, têm efeitos colaterais indesejados e nem sempre são eficazes. Investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, sugerem uma nova terapia que poderá ser usada em pacientes que sofrem com esse problema doloroso em locais não usuais do corpo.

Após a lesão de tecidos, entram em ação as células-tronco mesenquimais. Essa é uma população rara de estruturas multipotentes encontradas principalmente na medula óssea e capazes de se transformar em diversas linhagens, como os condrócitos (que formam a cartilagem), os osteócitos (que dão origem aos ossos), os adipócitos (que formam as gorduras) e os tenócitos (que originam os tendões). O destino e a expressão genética delas dependem dos sinais que recebem do ambiente.

Um dos aspectos difíceis do tratamento de doentes com ossificação heterotópica está em antecipar onde e quando o problema vai acontecer, já que o osso extra pode surgir em lugares longe da lesão. Por isso, acredita-se que essa reação inesperada se dá quando as células mesenquimais recebem a informação errada.

O trabalho liderado por Jonathan Peterson foi publicado na edição de hoje da revista Science Translational Medicine e demonstra, em camundongos, que o uso da droga anti-inflamatória apirase pode diminuir a formação do osso extra. Peterson e a equipe liderada por ele analisaram amostras de tecido de pacientes com queimaduras e realizaram experimentos em animais modificados para ter a doença.

Os resultados mostram que a aplicação da apirase na superfície do osso anormal por meio da pele pode reprimir a ossificação heterotópica. “Além disso, mesmo que a apirase apenas seja aplicada no local da lesão, o tratamento reduz a formação óssea anormal em todo o corpo”, garante Peterson. Para os cientistas, uma melhor compreensão do momento em que a terapia deve ser aplicada e em qual parte do corpo deverá levar ao desenvolvimento de tratamentos para prevenir o crescimento inesperados de ossos em pacientes de risco.

Origem animal

A substância conhecida como apirase é uma enzima anticoagulante encontrada na glândula salivar de insetos hematófagos, que se alimentam de sangue. Nesses animais, ela tem a função de impedir a agregação plaquetária e proporcionar a vasodilatação na hora da picada. Dessa forma, é obtida hemorragia local, proporcionando uma maior rapidez na sucção do sangue pelo bicho. Bastante estudo por cientistas, esse efeito resultou em uma substância anti-inflamatória para seres humanos.

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