Risco da chegada do ebola à América Latina ainda é baixo, mas países não devem baixar a guarda

Unidades de isolamento para o tratamento de casos suspeitos é fundamental. Veja outras medidas recomendadas pela OMS

por AFP - Agence France-Presse 26/09/2014 15:40

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Os riscos da chegada do vírus do ebola à América Latina ainda são poucos, mas é necessário reforçar a capacidade de reação dos países da região para essa eventualidade, afirmou Marcos Espinal, especialista da Organização Pan-americana da Saúde (OPS). Na quinta-feira (25), líderes de todo o mundo pediram a contenção da epidemia na África ocidental, que forçou Serra Leoa a colocar em quarentena um milhão de pessoas. Mas embora a América Latina esteja longe da origem do surto, isto não quer dizer que deva baixar a guarda. "A região está bastante avançada nos preparativos; não temos casos importados ainda, o que é um bom sinal. O risco para as Américas ainda é baixo, mas devemos estar preparados porque a antecipar é o mais importante", disse Espinal, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da OPS.
AFP PHOTO / PASCAL GUYOT
Profissional de saúde no Hospital Island (Monróvia), local onde pacientes com ebola estão sendo tratados (foto: AFP PHOTO / PASCAL GUYOT )

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), caso não se reforcem as medidas de controle na África ocidental, a atual epidemia de ebola poderia afetar mais de 20.000 pessoas já no mês de novembro. Para Espinal, os países latino-americanos seguem as recomendações que constam no Regulamento Sanitário Internacional e que delineiam as medidas fundamentais de controle, cujo primeiro passo é, ao mesmo tempo, simples e eficiente: informação nos portos de entrada. "Uma diretora me ligou há alguns dias para dizer que estava no aeroporto no Equador e a sua frente havia um cartaz enorme e bem explicado sobre o vírus. Uma medida tão simples como esta é formidável", disse.

O segundo passo que Espinal considerou fundamental é a disponibilidade de unidades de isolamento para o tratamento de casos suspeitos. O terceiro passo é a capacitação de equipes de saúde, capazes de investigar contatos ou casos suspeitos e o quarto é a informação pública. Destes passos, segundo Espinal, o segundo é mais difícil, pois implica em maior uso de recursos. "Há países nas Américas que estão avançando, mas outros têm menos recursos e precisam de ajuda. O Brasil já tem unidades de isolamento, o Chile também, mas estamos nos concentrando nos países que precisam de atenção prioritária", afirmou.

"Para estes países", acrescentou, "a OMS tem armazéns no Panamá, onde estamos acumulando equipamentos de proteção e lojas especiais para atenção", como forma de contribuir para a capacitação do controle. "O importante é que os países tenham suas unidades de isolamento preparadas, e ali é onde devemos acelerar um pouco mais", disse Espinal.

A febre hemorrágica, altamente contagiosa, já matou 2.917 pessoas de 6.263 casos registrados na África ocidental, segundo o último balanço da OMS, de 21 de setembro.

A distância é a vantagem
Na opinião do especialista, uma das vantagens que a América Latina tem em seus preparativos para evitar a chegada do vírus do ebola é a distância dos centros originários da epidemia. "É muito difícil que um doente possa chegar porque os sintomas e os sinais são muito fortes e serão detectados já no aeroporto de saída. Será muito difícil que pegue um voo de 10 horas porque será detectado", disse.

O caso mais preocupante seria o de uma pessoa que está incubando o vírus e passe a ter os sintomas já em um país da América Latina. "Não se descarta que chegue um turista e comece a desenvolver sinais e sintomas no hotel ou na praia", disse.

No entanto, ele destacou que "não foi demonstrado que o ebola é transmitido se a pessoa não apresenta sinais e sintomas. Isto é, só é transmitido quando os sinais já estão visíveis".

Com relação à dimensão da epidemia atual, Espinal não expressou dúvidas de que o número real de pessoas contaminadas seja superior ao de casos registrados. A chave para explicar a disparidade, acrescentou, está na "fragilidade dos sintomas de saúde dos países afetados e também na fragilidade dos sistemas de informação". Por esta razão, acrescentou, é necessário capacitar os países "e garantir que a cooperação continue chegando aos países afetados".

Neste sentido, Espinal saudou o envio de uma equipe de especialistas cubanos a Serra Leoa. "Temos uma missão em Cuba, trabalhando com as autoridades cubanas para nos assegurarmos de que todo o pessoal que está em Serra Leoa está totalmente capacitado, com a melhor proteção possível", concluiu o especialista.

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